sexta-feira

Formação dos profissionais da informação

No seguimento do post "a profissão" publicado no blog A Informação resolvi expor aqui algumas das minhas dúvidas e incertezas sobre o futuro da nossa profissão e dos seus profissionais.

Muito se tem falado sobre qual o papel e a intervenção da BAD na evolução/transformação da formação dos profissionais da informação em Portugal e para quem participou na Conferência Internacional "Os Profissionais da Informação em Contexto Europeu", realizada em 2005, ficou mais ou menos esclarecido sobre o papel da BAD enquanto associação profissional que é.

É então urgente que ALGUÉM possa dar um parecer vinculativo sobre a quantidade e diversidade de formações que se multiplicam por vários estabelecimentos de ensino. Questões relacionadas com o corpo docente, a existência de bibliografia actualizada disponível na biblioteca, o curriculum dos cursos e a duração dos mesmo têm de ser estudadas e analisadas, dando lugar à aprovação ou não de funcionamento do curso e/ou à sua utilidade para aceder à carreira.

Pela amostra da formação disponível em Portugal apresentada pela BAD (que não é exaustiva) podemos ver a diversidade de formações existentes bem como a sua multiplicação nos últimos anos.

Por muito que se diga que existe uma área de trabalho além da carreia da função pública, o facto é que o Estado continua a ser o maior empregador. Numa altura em que tanto se fala na utilidade de alguns cursos superiores, será que ainda ninguém reparou no que se passa na nossa área.

A ideia deste post era já antiga e surgiu de uma dúvida sobre as licenciaturas em Ciências da Informação e variantes... qual o futuro profissional destes licenciados? Encontraram novas áreas de trabalho fora do Estado?! E em caso negativo conseguiram trabalhar na função pública como Técnico Superior de Biblioteca e Documentação ou encontrou-se um esquema para contornar o Decreto-Lei n.º 247/91 de 10 de Julho que por enquanto diz no art.º 5, n.º 1 o seguinte:

"O recrutamento para a categoria de técnico superior de biblioteca e documentação de 2.ª classe faz-se de entre indivíduos titulares de uma das habilitações seguintes:
a) Licenciatura, complementada por um dos cursos instituídos pelos Decretos n.os 20 478 e 22 014, respectivamente de 6 de Novembro de 1931 e de 21 de Dezembro de 1932, e pelos Decretos-Leis n.os 26 026 e 49 009, de, respectivamente, 7 de Novembro de 1935 e 16 de Maio de 1969;
b) Curso de especialização em Ciências Documentais, opção em Documentação e Biblioteca, criado pelo Decreto-Lei n.º 87/82, de 13 de Julho, e regulamentado pelas Portarias n.os 448/83 e 449/83, de 19 de Abril, e 852/85, de 9 de Novembro;
c) Outros cursos de especialização pós-licenciatura na área das Ciências Documentais de duração não inferior a dois anos, ministrados em instituições nacionais de ensino universitário;
d) Cursos ministrados em instituições estrangeiras reconhecidos como equivalentes aos mencionados nas alíneas precedentes."

Deixo para outro post a questão da aplicação do Processo de Bolonha na área das Ciências Documentais/Informação/Documentação, enquanto existirem licenciaturas, cursos de especialização e mestrados sem qualquer informação sobre a continuidade e reconhecimento futuro destes percursos.

quinta-feira

Empréstimo pago... continuação

Fiquei hoje a saber que a aplicação do Directiva comunitária 92/100/CE em Itália será aplicada com o pagamento dos custos sendo repartido entre o Ministério da Cultura (80%) e as Câmaras (20%).

Como seria fácil de imaginar algumas Câmaras já estão a pensar em reduzir os orçamentos das suas bibliotecas em 20 %!

O cerco parece estar a fechar-se...

E este silêncio nacional que até arrepia!


Páginas da campanha contra o empréstimo pago nas bibliotecas em Espanha, Itália e Portugal.

Imagem: Campanha contra o empréstimo pago (Itália).

quarta-feira

Ondas de Contos - Praia da Torre (Oeiras)

No ano passado estive lá e por isso posso comprovar que foi um serão inesquecível! Este ano volto a estar presente para assistir a mais uma edição desta grande iniciativa fruto do empenho das colegas do sector infantil da Biblioteca Municipal de Oeiras.

"Deixe-se levar por esta Onda de Contos e venha até à Praia da Torre no próximo dia 29 de Junho. Traga um casaco, um amigo, uma toalha para se sentar e deixe-se embalar pelas ondas do mar e as histórias de encantar…."
Mais informações aqui.

terça-feira

Conversas de Biblioteca III

Uma tarde normal de atendimento na sala de leitura:

- Boa tarde, estou à procura de um livro de uma autora, mas não sei como se chama em português...
- Boa tarde, mas sabe o nome da autora?!
- Sei sim, mas não em português!
- Mas diga-me o nome que sabe para vermos no catálogo se temos algum livro dessa autora disponível!
- O nome verdadeiro é Arundhati Roy!
- Vamos então ver se está algum livro disponível!

Ao ver no catálogo a indicação do livro e do nome da autora a leitora exclama:
- Ah... mas vocês têm o nome escrito da mesma forma...


Um manhã solarenga de atendimento na sala de leitura:

- Bom dia, não têm livros do Einstein... é que estive a procurar no catálogo e não encontrei nenhum!
- Bom dia, temos com toda a certeza livros de Einstein, podem é não estar disponíveis.
- Não, não... pesquisei no catálogo e não encontrei nada!
- Quando fez a pesquisa colocou primeiro o apelido e depois o nome próprio?!
- Sim, sim até pode ver aqui como pesquisei... Escolhi a opção de pesquisar por autor e depois escrevi o apelido (vírgula) nome próprio: "Stein, Ein".

segunda-feira

José Saramago "no" Second Life

As minhas incursões no Second Life foram poucas, bastante rápidas e apenas permitiram conhecer o aspecto da plataforma e ficar com conhecimentos básicos sobre o seu funcionamento. Um amigo meu mantém-me informado sobre os avanços do SL e sobre as potencialidades deste espaço virtual para a área das bibliotecas, em especial nos EUA.

Brevemente também entrarei no Second Life e poderei então acompanhar/avaliar melhor as suas valências para a nossa área.

Entretanto, vou estando atento às notícias que circulam sobre o assunto como este pequeno testemunho de José Saramago sobre o Second Life. O conteúdo do discurso não é novo, mas pelo menos demonstra alguma abertura para falar sobre o assunto.


Nova Lei da Leitura, do Livro e das Bibliotecas

Infelizmente isto não aconteceu por cá e nada tem a ver com as recentes mudanças na Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas.

Trata-se de uma recente legislação aprovada em Espanha pelo Congresso dos Deputados que pretende aumentar o número de leitores através da modernização das bibliotecas públicas e da renovação das colecções, garantir uma oferta cultural plural, criar um duplo sistema de preços (fixo e liberalizado) e modernizar a definição do objecto livro na sociedade actual ao mesmo tempo que vai afirmar o papel das novas tecnologias.


Esta lei pretende actuar em 5 áreas chave:

- Planos de Promoção da Leitura;
- Preço dos livros;
- Nova realidade tecnológica;
- Promoção de autores e da indústria do livro;
- Observatório da Leitura e do Livro.

O texto pode ser consultado aqui.
Imagem: Plan de Fomento de la Lectura

sábado

1º Aniversário Entre Estantes

Faz hoje um ano que comecei a escrever aqui no Entre Estantes.

Nessa altura e tal como escrevo no post inaugural, este espaço resultava da "necessidade de organizar links com interesse pessoal, da intenção de criar uma presença na internet e da vontade de partilha com o mundo virtual", hoje podia dizer que estes desejos ainda são concretizáveis e foram complementados pela oportunidade de conhecer outros colegas e de partilhar conversas, opiniões, conhecimentos e informações.
A tod@s @s que por aqui passam, com maior ou menor regularidade, o meu obrigado esperando estar a dar uma boa contribuição para o este nosso mundo virtual.

sexta-feira

Grupos de Leitores ou "Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas"*

Desde Janeiro deste ano que dinamizo-oriento-modero-coordenado-organizo (o que for; basta escolher) um grupo de leitores na Biblioteca Municipal de Oeiras.
Ao longo destes 6 meses fizemos 12 sessões de conversas em torno de livros, da leitura, das pessoas e das suas opiniões e experiências. Durante os próximos meses e aproveitando que o projecto "vai estar de férias" vou trazer aqui algumas das minhas impressões, dúvidas, receios e também certezas sobre este projecto.
Pelo reacção de alguns colegas e tendo em conta a participação/opiniões dos "leitores" do grupo acho que tenho a obrigação de partilhar esta experiência.

Se tiverem curiosidade podem ver aqui o que temos andado a fazer nos Grupos de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras, já que temos em funcionamento dois grupos - um na Biblioteca Municipal de Oeiras e outro na Biblioteca Municipal de Carnaxide.

* Frase de Mário Quintana

terça-feira

RECBIB - recursos bibliotecários

Encontrei mais um directório com boas ligações para o nosso dia-a-dia profissional. Enquanto não se faz um directório BAD para os profissionais portugueses, vamos utilizando os recursos compilados neste caso pelos nossos colegas espanhóis.

O RECBIB: recursos bibliotecários é uma página que reúne ligações com interesse para os profissionais BAD. As mais de mil ligações apresentadas estão organizadas por tipologias de bibliotecas e por temas de interesse. Apresentam também uma secção actualizada com notícias, oportunidades de emprego e formações de nível diverso. O principal objectivo do RECBIB é o de permitir o acesso a um grande número de ligações com interesse para os profissionais BAD.

Este directório vem complementar o já conhecido RDIB: recursos de interés bibliotecario e a página com recursos da Universidade de León.
Aproveitando que falo de recursos de informação para bibliotecários, refiro também a recente página com Enlaces mínimos para el estudio de la Biblioteconomía, feita por Antonio Merlo Vega e disponível no site da Universidade de Salamanca.

O aspecto gráfico do directório não é o melhor... mas o conteúdo parece-me actualizado e as ligações estão activas!

segunda-feira

Cincuenta ideas para sorprender desde la biblioteca pública

Porque somos profissionais que nunca estão satisfeitos (e ainda bem!), porque andamos sempre a procurar novas formas de divulgar, promover e dinamizar os nossos serviços e porque gostamos de ter ideias prontas para serem aplicadas deixo-vos aqui 50 ideias para surpreender os leitores das bibliotecas públicas.
Os colegas de outras bibliotecas não fiquem desanimados porque algumas também podem ser adaptadas a diferentes serviços e leitores!

FENOLL CLARABUCH, Carme; LLUECA FONOLLOSA, Ciro - Cincuenta ideas para sorprender desde la biblioteca pública. BiD: textos universitaris de biblioteconomia i documentació. [Em linha] 17 (2006). [Consultado a 10-06-2007] Disponível em www: http://www2.ub.edu/bid/consulta_articulos.php?fichero=17fenol2.htm

Resumo
Ofrecer nuevos productos y servicios, en el fondo y en la forma, es la vía principal para reforzar el protagonismo de las bibliotecas públicas en la opinión ciudadana y para conseguir la presencia mediática que se merecen. Se presentan a debate profesional cincuenta ideas sorprendentes, sencillas pero reales, que se pueden llevar a cabo desde las bibliotecas públicas con la finalidad de llegar a públicos inéditos y fidelizar a los actuales.

domingo

Bibliotecas (insulto gratuito)

Gonçalo M. Tavares escreve num jornal diário nacional e este fim-de-semana a sua página semanal refere-se às bibliotecas desta forma:

Bibliotecas (insulto gratuito)
Ouvi isto de um homem, na rua: Os analfabetos podem entrar facilmente pois vão disfarçados, mas os cães não entram em bibliotecas.

Por acaso na biblioteca onde trabalho temos cães que insistem em entrar... uns querem entrar com os donos, outros ficam presos nas antenas anti-furto, outros correm pela biblioteca fora!

terça-feira

Conversas de Biblioteca II

Entrevista de referência numa biblioteca especializada:

- Boa tarde, estou à procura de livros sobre vinhos e vinha!
- Boa tarde, aqui quase todos os livros são sobre esses dois assuntos.
- Pois, mas eu queria livros que falassem sobre o vinho e a vinha!

- Mas procura livros sobre tipos de vinhos e cultura da vinha ou pretende informações sobre como fazer vinho.
- Não, o que eu queria mesmo era saber quais os vinhos para comprar e fazer uma garrafeira e quais aqueles que têm de ser bebidos logo.
- Nesse caso sugiro que consulte um dos nosso guias de vinhos!
- Ah... então quer dizer que aqui não têm nenhum vinho para prova?!
- Não, vinho para prova não temos... Isto é uma biblioteca especializada nesse assunto, mas não fazemos provas de vinho.
- Ah... está bem, então vamos ver se no guia consigo saber o que quero.

segunda-feira

EUA - Acontecimento do ano

No próximo mês vai abrir nos EUA a primeira biblioteca pública que não vai utilizar a Classificação Decimal de Dewey para organizar os seus livros.
Apesar de isto não ser uma grande novidade e dai talvez seja, os nossos colegas americanos estão muito entusiasmados com esta grande revolução nas bibliotecas públicas.
O forúm norte americano sobre bibliotecas que eu subscrevo registou nestes últimos dias o maior número de mensagens do último ano!

A biblioteca que por esta altura é alvo de todos os comentários nos EUA é a Gilbert Public Library um pólo da Maricopa County Library District no Arizona.
Segundo as notícias a principal razão para esta alteração é a aproximação da organização dos documentos nas bibliotecas de uma forma mais amigável para os leitores. O argumento utilizado e o de que um código confuso de letras e números não é facilmente perceptível pelos leitores... a ideia é a de aproximar a organização das bibliotecas à arrumação feita nas livrarias.

A bibliotecária responsável afirma que este era um pedido que os leitores já vinham a fazer há vários anos, mas que apenas agora com a abertura de um novo pólo foi possível dar resposta.
A ideia integra-se num projecto mais amplo que é o de aproximar os leitores da biblioteca através de alterações espacio-funcionais que lembrem mais livrarias e outros espaços comerciais do que propriamente as bibliotecas no seu conceito tradicional.

A Gilbert Public Library vai ter os seus documentos organizados em 50 secções temáticas que se sub-dividem. Pretende-se assim que a organização da biblioteca seja mais intuitiva para os leitores, já todos procuram livros por assunto mas muito poucos sabem os códigos da Classificação de Dewey.

Então e por cá?! Porque motivo algumas bibliotecas públicas (e não só) insistem em organizar os documentos segundo a CDU!?

Uma vez ouvi uma colega nossa afirmar publicamente que o problema não estava em os leitores terem dificuldade em identificar as classes da CDU, mas sim no facto de isso não lhes ser ensinado na escola logo no 1º ciclo...

A notícia completa pode ser lida aqui.
Imagem: Site da Gilbert Public Library

domingo

Unwanted books go up in flames

A queima de livros esteve sempre relacionada com censura, perseguições, regimes políticos ditatoriais e falta de liberdade de expressão. Mas e se a queima de livros fosse uma forma de protesto pela falta/redução de hábitos de leitura?

Uma notícia da CNN fez-me recordar uma situação que actualmente se deve colocar a alguns bibliotecários. O que fazer quando existem guardados nas caves das bibliotecas centenas de livros antigos (sem valor patrimonial), desactualizados e alguns em mau estado de conservação?

Ultrapassada a ideia de que todas as bibliotecas são repositórios universais de livros e que devem preservar toda e qualquer forma de manifestação do intelecto humano como resolver esta situação que com toda a certeza atinge profundamente as nossas convicções.

O excerto da notícia em que o dono da livraria afirmar que as bibliotecas não aceitaram a oferta dos seus livros porque não tinham espaço fez-me relembrar esta questão! E que dizer pelo aparente "desrespeito pela palavra impressa" que é referido na notícia?!

Qual o lugar que o livro (enquanto objecto) ocupa na sociedade actual?

Ainda na semana passada uma colega minha dizia que as pessoas oferecem livros que já não querem (velhos?) às bibliotecas como forma de transferir o eventual peso de consciência em colocar livros no lixo!

Mas quais as consequências da explosão do mercado editorial nos últimos anos para as bibliotecas, para as questões de conservação e armazenamento dos documentos e para um eventual rompimento de dogmas em relação à forma como são vistos os documentos impressos e a palavra escrita?

Será hoje em dia o livro impresso um mero suporte para a transferência de informação e conhecimento?! E se for assim porque razão ainda tantas pessoas não se sentem à vontade quando chega a hora de mandar fora livros?!

É ou não aceitável colocar livros no lixo?!

Um dos expectadores referido nesta notícia diz: "I think given the fact it is a protest of people not reading books, it's the best way to do it.""(Wayne has) made the point that not reading a book is as good as burning it."

Será mesmo assim?!
Imagem: site cnn

sexta-feira

II Encontro Oeiras a Ler - o balanço

Nos dias 24 e 25 de Maio passado decorreu o 2ª edição do II Encontro Oeiras a Ler, este ano dedicado ao tema - Promoção da Leitura nas Bibliotecas Públicas Europeias.

Foram 2 dias onde muito se falou e debateu sobre promoção da leitura, bibliotecas públicas, o lugar do livro na sociedade, posturas dos bibliotecários e mediadores da leitura.
Infelizmente mais de metade dos colegas convidados para este encontro não puderam /quiseram participar e perderam a oportunidade de ouvir alguns dos nomes mais importantes no que diz respeito à promoção da leitura europeia.

Luca Ferrieri (Itália), Lucía Cedeira (Espanha), Briony Train (Reino Unido) e Matine Poulain (França) foram os conferencistas convidados para, em conjunto com Filipe Leal, construírem um mapa sobre o que de melhor se faz a nível de promoção da leitura no continente europeu.

Filipe Leal iniciou os trabalhos com a apresentação do Programa Oeiras a Ler - Programa Municipal de Promoção de Leitura. Fazendo o balanço do trabalho desenvolvido pelas Bibliotecas Municipais de Oeiras nos últimos 4 anos foi possível apontar alguns caminhos a seguir, abrindo-se espaço para o colocação de questões polémicas em torno da promoção da leitura e do trabalho desenvolvido pelas bibliotecas públicas e pelos bibliotecas e por outros mediadores de leitura.

A conferência de Luca Ferrieri teve como título La lettura è altrove. Strategie ed esperienze di promozione in una bibliotecha que cambia e foi uma apresentação bastante organizada e reflectida sobre estratégias de promoção da leitura, chegando mesmo a mostrar os vários tipos de promoção de leitura segundo uma tipologia.

Lucía Cedeira fez uma apresentação com o profissionalismo e objectividade a que a Fundación Germán Sánchez Ruipérez já nos habituou ao falar sobre Promoción de la lectura en las bibliotecas españolas. Através do trabalho desenvolvido pela Fundación ficamos a conhecer melhor a experiência espanhola e como é possível atingir mais facilmente os objectivos propostos e o alto nível de desempenho alcançado pelos projectos de promoção de leitura espanhóis.

Briony Train trouxe a ampla experiência e o dinamismo das bibliotecas do Reino Unido - Reading promotion in UK public libraries. Recorrendo ao trabalho desenvolvido pela empresa Opening the Book foram abordados conceitos "recentes" como o de reader´s development, costumer service e reader centered aproach. A ideia de que as bibliotecas e os serviços prestados devem estar centrados nos leitores, marcou uma apresentação feita com o fundamento académico da experiência como investigadora na Universidade de Sheffield.

Martine Poulain fez uma apresentação simples, mas incisiva, reflectida e muito bem fundamentada - La promotion de la lecture et des bibliothèques en France: conquêtes et questions - algo que apenas alguém que se dedica desde há muito a estas temáticas poderia fazer. A sua formação em sociologia permitiu-lhe efectuar uma abordagem mais enquadrada e mais distanciada (face às questões bibliotecárias) da fenómeno da leitura e com isso possibilitou a quem ouvia uma maior profundidade na análise da questão.

No final o relator do encontro - José Afonso Furtado - apresentou um conjunto de conclusões e recomendações tendo por base as apresentações feitas ao Encontro, os momentos de debate e a situação nacional no que diz respeito à promoção do livro e da leitura.

Tendo em atenção a minha experiência e os meus conhecimentos fiquei com 6 ideias centrais:

- Estamos ao nível do que de melhor se faz na Europa;
- Faltam-nos públicos informados (e habituados) sobre as potencialidades das bibliotecas públicas;
- Estamos em desvantagem porque estamos a começar a utilizar algumas estratégias que outros já desenvolvem há largas décadas;
- Falta-nos desenvolver trabalho em algumas áreas essenciais: reader's development, costumer service e reader centered aproach;
- Temos de desenvolver projectos de continuidade ao invés de eventos e actividades avulsas e desarticuladas;
- Falta-nos experiência e consequentemente capacidade de reflexão sobre estratégias de promoção de leitura.

O acesso aos powerpoints das apresentações e aos textos das comuicações pode ser feito através do blog Oeiras a Ler.

quarta-feira

"Horário" do III Encontro CTDI

O dia de ontem começou bem cedo, foi longo, um pouco cansativo mas bastante compensador.

5:00 - Encontro no local marcado com mais 6 colegas das Bibliotecas Municipais de Oeiras para juntos irmos ao III Encontro CTDI, organizado pela ESEIG.

7:00 - Paragem numa estação de serviço da A1 para abastecer com um café, uma bolo e esticar as pernas.

9:30 - Chegada às instalações da ESEIG e procura algo desorientada pelo local do Encontro. Valeu-nos uma colega da biblioteca!!

10:00 - Registo e entrega da documentação. Primeiro contacto com os participantes e aproveitar para rever os colegas da blogosfera.

10:30 - 18:30 (altura em que tive de sair) - III Encontro CTDI: Web 2.0 na Ciência da Informação

1º momento - Apresentações feitas por alunos e docentes da ESEIG sobre a Web 2.0 e as suas aplicações ou hipóteses de aplicações na prática lectiva. De salientar o envolvimento que alunos e professores demonstraram ao longo do Encontro. Um verdadeiro exemplo para algumas organizações.

2º momento - Apresentações feitas por convidados estrangeiros através de vídeo-conferência: Richard Wallis, Sheila Webber e Fabiano Caruso. Infelizmente a utilização da vídeo-conferência não funcionou como pretendido e praticamente não foi possível ouvir as apresentações em boas condições. Valeu a intenção, o esforço da organização em trazer estes profissionais para este Encontro e a prova de que mesmo num evento sobre web 2.0, ainda não dominamos a tecnologia. De salientar o esforço da Sheila Webber que impossibilitada de se ouvir em boas condições, fez uma apresentação com base no desenho, isto é, ressaltou as ideias principais da apresentação com sublinhados e pequenas notas colocadas na apresentação. Muito original!

3º momento - Apresentações feitas pelos colegas da blogosfera: Luísa Alvim, Pedro Princípe, Paulo Sousa, Júlio Anjos e Adalberto Barreto e Clara Assunção. A apresentação da Luísa abordou a temática da qualidade dos blogs e apontou elementos para a sua aferição, deixando a ideia de constante actualização e revisão das métricas utilizadas. O Pedro apresentou o perfil dos blogs nacionais da área BAD dando uma boa visão panorâmica sobre o que por cá se faz e o que se poderia fazer. O Paulo deu-nos uma visão dos leitores dos blogs: quem somos, o que fazemos e o que procuramos quando lemos um blog; um contributo que também caracteriza os próprios bloggers portugueses. O Júlio falou sobre as boas práticas presentes na web com aplicação dos princípios 2.0, um bom momento para rever e ou ficar a conhecer algumas boas ideias. O Adalberto, apesar de ausente, fez-se representar por um belo texto cheio de humor que em muito abrilhantou o final dos trabalhos, conjuntamente com a Clara que contribuiu-o com um bonito momento que juntou a literatura, as bibliotecas e os bibliotecários em volta de Eça de Queirós e das nossas dúvidas, certezas e vivências diárias.

A organização do Encontro esteve de parabéns e as dificuldades técnicas e o atraso no programa constituíram situações correntes e inesperadas que dificilmente podem ser acauteladas.

21:30 - Paragem numa estação de serviço para alimentar o grupo.

23:00 - Chegada a Lisboa com muito sono!

00:30 - Enquanto adormeço penso que isto de ser bibliotecário já não é como antigamente...

Aqui fica a apresentação que eu e os meus colegas Maria José Amândio e António Navarro fizemos no III Encontro CTDI: Oeiras a Ler - um blog no coração da rede. Pretendemos mostrar como e porquê surgiu a ideia de criar um blog para a biblioteca, apresentar as normas e as dificuldades inerentes à gestão de um blog institucional onde colaboram várias pessoas e quais os recursos tecnológicos que utilizamos e que pretendemos utilizar.


terça-feira

III Encontro CTDI - Web 2.o na Ciência da Informação

Esta madrugada estou de partida para Vila do Conde com mais 6 colegas das Bibliotecas Municipais de Oeiras para participar no III Encontro CTDI - "Web 2.0 na Ciência da Informação", organizado pela ESEIG.

Juntamente com 2 colegas vamos apresentar o caso do blog das Bibliotecas Municipais de Oeiras - Oeiras a Ler: um blog no coração da rede - e falar sobre como foi possível colocar de pé esta ideia e quais as dificuldades, desafios e surpresas que este projecto nos apresentou.

Brevemente, darei notícias sobre como correu este gathering de profissionais da informação em torno da web 2.0 e das suas aplicações e potencialidades.

domingo

Lire tue - Nicolas Vial

Pintor e ilustrador, Nicolas Vial publica os seus desenhos em vários jornais, entre os quais se destacam o Le Monde, Jornal du Dimanche e o Le Temps.

As relações da literatura com o mundo actual e a sociedade são o seu principal tema de inspiração. As figuras do escriba e do romancista são elementos essenciais nos seus desenhos, profundamente marcado por Maupassant, Cendrars e Modiano.

Os seus desenhos são quase sempre carregados de mensagens corrosivas, divertidas, poéticas ou absurdas; Este livro conta também com o contributo de Éric Fottorino, que evoca a aventura da leitura.

"Lire tue" reúne desenhos carregados de humor negro, em jeito de crítica contra o actual mundo mecânico e um pouco Orwelliano, onde a literatura pode vir a ser considerada como algo de negativo.
Ao ler este livro rapidamente conseguimos antever algumas semelhanças com o mundo de Ray Bradbury! Daqui a uns meses voltarei a este tema.

sexta-feira

Prémios Web 2.0

Vi no blog Bibliotecários sem Fronteiras que foram anunciados - no passado dia 9 - os vencedores dos "Web 2.0 Awards". Ao longo das 41 categorias referidas é possível ficar a saber quem ficou nos 3 primeiros lugares.

Para mim alguns dos vencedores são totalmente desconhecidos! No entanto, o grande interesse desta lista reside exactamente no facto de poder ser utilizada para saber quais os melhores "serviços" da web 2.0.
Imagem: Site SEOmoz.org

quinta-feira

Pesquisas dos portugueses na Internet

A MARKTEST através do NetPanel apresentou os dados referentes às pesquisas feitas pelos portugueses (a partir dos 4 anos) na Internet durante o 1º trimestre de 2007.

Apesar dos dados não serem surpreendentes, fornecem informações interessantes sobre a forma como utilizamos a Internet e as suas ferramentas. Porque motivo alguém pesquisa o endereço do Google, SAPO ou Youtube?! Será que isto quer dizer que ainda mão dominamos convenientemente a internet e que nos limitamos a escrever palavras em motores de busca para conseguir resultados...

Ao ver estes resultados lembrei-me de uma história em que alguém que estava no SAPO e queria pesquisar o endereço de internet de uma universidade, saiu do SAPO e foi ao Google fazer a pesquisa!!!

Segundo este estudo os portugueses pesquisaram por ordem de preferência as seguintes palavras:

1º Youtube
2º Hi5
3º Gmail
4º Sexo*
5º SAPO (portal)*
6º Hotmail*
7º You tube*
8º Jogos*
9º Google*
10º Wikipedia*
(…)
15º Euromilhões
16º Finanças


Podem ver notícias sobre este estudo nas seguintes ligações:

Público - Diário Digital - LUSA - Diário de Notícias - Jornal de Notícias

Vejam também esta notícia sobre a utilização da Internet feita a partir de casa.


Imagem: Público
* Ouvi a ordem destas pesquisas num programa de rádio sobre este estudo.