sexta-feira

Tantos livros e tão pouco tempo

No passado dia 22 de Janeiro a Casa Fernando Pessoa promoveu um debate com Bárbara Bulhosa, Francisco José Viegas e Vasco Graça Moura, a propósito da edição do livro "Livros de mais - ler e publicar na Era da Abundância", da autoria do poeta mexicano Gabriel Zaid.

Nunca se publicou tanto como actualmente. De tal forma que alguns autores começam a chamar a esta excitação editorial como o pesadelo de Gutenberg.
Para ficarmos como uma ideia aqui ficam alguns números:
1 milhão de títulos por ano
1 livro publicado a cada 30 segundos

Para uma (já habitual) excelente apresentação desta livro sugiro a leitura do texto de José Mário Silva, publicado no suplemento Actual do Expresso) e do qual aqui deixo um excerto:

"Zaid não esconde a dificuldade de conseguir, no caos de um mundo de papel em expansão, o necessário «encontro feliz» entre o leitor e o seu livro. Necessário porque é só quando esse «encontro» acontece que se cumpre o ideal socrático da cultura enquanto «conversação», iluminada pelas «constelações» de sentido que só os livros sabem e podem oferecer-nos."

Como para não variar, não consegui estar presente (apesar da encontro agendado com a Cláudia e o Pedro, aqui ficam as desculpas públicas), deixo aqui a referência a esta obra que parece fazer alguma luz sobre a embrenhado mercado editorial.

quarta-feira

Papel electrónico ou a importância de gostar de livros (em papel)

Desidério Murcho na sua crónica habitual das 3ª feiras no Público:

"Na década de 70 do séc. XX a Xerox inventou o papel electrónico. A ideia era fazer ecrãs que funcionassem como papel, ao contrário dos actuais ecrãs de computador. A vantagem é poder ler exactamente como lemos um livro: em pleno dia, na rua, na praia, no café. E fazer isso sem gastar energia é um bónus adicional. A ideia original da Xerox foi desenvolvida na década de 90 por Joseph Jacobson, que fundou a companhia E-Ink, para comercializar a nova tecnologia. Em termos simples, o papel electrónico consiste em micro-esferas, metade pretas e metade brancas, que ao posicionar-se adequadamente desenham letras pretas num fundo branco, como no papel.

Esta nova tecnologia permitiu o desenvolvimento de leitores electrónicos de livros: tornou-se possível ler livros electrónicos com o mesmo conforto e independência com que lemos um livro de papel. Foi então que a Amazon.com lançou o seu Kindle, um leitor electrónico de livros, exclusivamente para o mercado norte-americano. O sucesso deixou toda a gente estupefacta: as fábricas não davam conta de produzir unidades em quantidade suficiente. E então o mundo acordou. Hoje há leitores da Sony e da Phillips, assim como o novo BeBook holandês, que acabei de comprar. Do tamanho de um pequeno livro de bolso, e com a espessura de um livro de cem páginas ou menos, permite armazenar milhares de livros, em diversos formatos — DOC, TXT, HTML, PDF, MOBI. Este último é o mais indicado para ler livros e há na Internet livrarias que os vendem (quase todos em língua inglesa) neste formato. Muitos livros antigos — clássicos como Os Lusíadas — estão disponíveis gratuitamente no Projecto Gutenberg, entre muitos outros lugares da Internet. A Cambridge University Press e a Hackett, duas importantes editoras académicas, já vendem praticamente todos os novos livros de filosofia em formato electrónico, na livraria EBooks.com.

Parece-me que podemos começar a deitar fora muitos livros em papel. O BeBook nada tem a ver com um minicomputador portátil. A diferença é o ecrã, que é exactamente como o papel: sem luz, nada se lê, mas à luz do dia (ou com iluminação normal) lê-se na perfeição. E a portabilidade é espantosa: podemos andar a ler livros durante mais de uma semana sem desligar o aparelho e sem o pôr a carregar. É que nesta tecnologia o aparelho só gasta energia quando mudamos de página. De modo que quando paro de ler limito-me a fechar a capa do livro electrónico, como quem pousa um livro normal; volto a abri-lo e continuo a leitura imediatamente.

Podemos ler também as notícias dos principais jornais do mundo, no formato RSS. Quando um PDF, TXT, HTML ou DOC não permite uma boa leitura, é fácil converter para MOBI usando o programa gratuito Mobipoket Creator.

Em suma, os meus hábitos de leitura mudaram muito, e viajar é mais fácil porque não tenho de carregar quilos de livros. E quando compro livros ingleses, não tenho de pagar portes de correio nem de esperar uma semana pela entrega."
Via De Rerum Natura

Livros em formato electrónico são óptimos para pesquisar palavras, expressões ou citações - viva as maravilhas da pesquisa em texto livre - mas ler Luís Sepúlveda, Eugénio de Andrade, António Patrício ou Eça fora do formato de celulose, não me convence. Opiniões!
Img: Copyblogger

segunda-feira

Conversas de biblioteca XIV


Uma senhora chega à biblioteca com um saco de livros e diz:

- Bom dia, eu gostaria de oferecer à biblioteca este saco de livros.

- Bom dia! Não sei se já conhece a nossa política de ofertas. Agradecemos todas as ofertas de documentos, mas não podemos garantir que todos os livros serão incluídos na nossa colecção. Caso não fiquem na biblioteca serão encaminhados para outras instituições.

- Isso é que não! Eu quero que todos estes livros (7) fiquem na biblioteca.

- Compreendo. Mas nós não podemos ter 7 livros iguais na estante sem, pelo menos antes, avaliar o interesse e a pertinência do livro.

- Estes livros são muito bons e importantes para todas as pessoas. Se não ficarem os 7 exemplares o livro perde impacto e fica perdido no meio dos outros numa qualquer estante.

(A conversa prolonga-se durante mais uns largos minutos em que se tenta explicar o que é e para que serve uma política de gestão da colecção nas bibliotecas.)

sábado

Ainda não é desta...

Infelizmente (ou não) o post que aqui coloquei em Junho de 2006 era falso - Nova Biblioteca Central e Arquivo de Lx - pelo que apresento as minhas desculpas.

Segundo o post do blog Da Literatura a situação actual é a seguinte:

"Em 2005, a Câmara de Lisboa anunciou a construção de uma biblioteca municipal no Vale de Santo António, perto da Avenida General Roçadas. O investimento foi então orçado em trinta milhões de euros. (Um notório disparate, mas isso é outra conversa.) Os arquitectos Manuel Aires Mateus e Alberto Souza Oliveira assinaram o projecto. Prometeu-se que a obra seria inaugurada no fim de 2008. Agora, a Câmara deu o dito por não dito: o vereador Marcos Perestrello diz que é muito dinheiro. Pois é. Mas, no entretanto, foram gastos três milhões de euros em escavações e contenção de terras. Manuel Salgado diz que será feito outro edifício no local. OK. Assim vai Lisboa."

sexta-feira

FJV e os blogs e a blogosfera

Francisco José Viegas, aproveita umas pequenas férias d' A Origem das Espécies, e escreve estes pensamentos sobre os blogs e a blogosfera.
- Subscrevo!

"Há amigos que têm blogs e às vezes desistem; e há blogs que continuam. Há outras pessoas que têm blogs e não são meus amigos. Há pessoas que conheço e outras que não conheço. De vez em quanto há a tentação de fazer um balanço sobre a blogosfera e o seu ressentimento, a sua inutilidade, a sua maldade -- tanto como sobre as coisas indispensáveis que ela trouxe. Evito. Há coisas que nos deixam irritados com os outros e coisas que nos deixam despertos para os outros; os blogs fazem, em todos nós, parte da irritação e da sensação de partilharmos ideias comuns ou incomuns. Já gostei mais de blogs e já os li mais, logo de manhã. Por vários motivos, continuo a lê-los e encontro neles grandes virtudes, a par de coisas dispensáveis (a verdade é que, antigamente, muitos idiotas andavam anónimos pelas ruas e, hoje, grande parte deles se encontram na blogosfera). O género humano é assim. E há quem escreva maravilhosamente, quem escreva superiormente; e quem devia escrever mais. E quem leio sempre com prazer; há blogs que nunca leio pelo simples motivo de que não concordo com uma única palavra do que possa estar lá escrito (porque uma coisa é não concordar e discutir, e outra, inteiramente diferente, é evitar encarar o ressentimento e a ignorância); há blogs com que raramente concordo mas que leio todos os dias; e há blogs que fazem parte do meu roteiro de leituras diárias. Gostava de fazer uma lista, mas tenho medo de esquecer este e aquele; e se é uma injustiça para esses blogs, também o seria para mim. (...) Nem sempre escrevo o que quero; nem sempre escrevo quando quero; e nem sempre quero escrever no blog. Debater sobre a blogosfera é capaz de ser uma coisa muito fragmentária se não se tem uma agenda, um plano & objectivos para o quinquénio. De modo que vou escrevendo; quando posso, quando tenho tempo, quando -- mesmo não tendo tempo -- invento tempo para não perder o blog. Já tive mais tempo disponível. Tenho menos. (...) Estamos hoje muito vigiados; somos vigiados por leitores, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas que nos amam ou nos detestam, gente irrelevante, gente a que damos importância, gente que não tem importância. A net é barata, acessível e livre. Dá para tudo, para o melhor e para o pior, para a maledicência e para a aldrabice, para as cartas de amor (ridículas, evidentemente) e para a banalização de tudo. É aí que estamos todos. Perdeu-se muita inocência na internet. Às vezes, ainda bem; de outras vezes, infelizmente. (...) E é assim; para acrescentar alguma falta de sentido a tudo isto."

quinta-feira

Experiencias innovadoras de gestión bibliotecaria y dinamización social

Tanta coisa interessante que acontece aqui mesmo ao lado...

O espaço cultural AlhóndigaBilbao organiza em colaboração com a Fundação Germán Sánchez Ruipérez 0 Ikasiz 7. Com o título "El ciudadano demanda, la biblioteca responde. Experiencias innovadoras de gestión bibliotecaria y dinamización social", decorrem estes encontros em Bilbao, nos dias 26 e 27 de Fevereiro de 2009.

Programa disponível aqui.

quarta-feira

Final de semana em grande

Começa amanhã (22 e 23 de Janeiro) Congresso Internacional de Promoção da Leitura, na Fundação Calouste Gulbenkian. O programa completo do Congresso está disponível aqui.

Para quem não puder estar presente, a FCG fará a transmissão on-line em directo das sessões neste endereço: http://live.fccn.pt/fcg/

No primeiro dia do Congresso destaco pelos autores e/ou pela (aparente) relevância dos temas as apresentações do Painel 2. Esta será uma excelente oportunidade para ouvir Teresa Colomer, Pedro Cerrillo e Michel Fayol.

No segundo dia, será de assistir a um dos 4 foruns temáticos e se possível ouvir a "conversa" de José Barata Moura, Eduardo Marçal Grilo e Fernando Savater sobre A leitura em debate.

Grandes expectativas para este Congresso Internacional!
Imagem: FCG

segunda-feira

Os municípios e o emprego na cultura: o caso das bibliotecas

O n.º 16 do Boletim OBS do Observatório das Actividades Culturais , publica um artigo da autoria de Teresa Duarte Martinho, que resulta de uma comunicação apresentada nos Encontros Alcultur 2008, em Guimarães.
Neste artigo, a autora aborda "a relação entre o emprego no sector cultural e a administração local, começando por sistematizar aspectos principais da crescente centralidade da temática do trabalho nas actividades culturais. O domínio das bibliotecas é aqui destacado por constituir uma especial ilustração da importância dos municípios enquanto entidade empregadora dos profissionais das ciências da informação".

O texto não é exactamente uma novidade para quem trabalha em bibliotecas públicas ou se interessa pela evolução da profissão, mas ainda assim é um sempre bem vindo (e raro!) contributo para um maior conhecimento sobre a situação dos profissionais da informação em Portugal.
Questões relacionadas com a formação profissional, a empregabilidade por sectores , o reconhecimento social e a importância estratégica para a sociedade, são aspectos referidos ao longo do texto.

Acima de tudo, o que neste texto fica muito claro é o "deficit de conhecimento" sobre estes profissionais (nós!).

quinta-feira

Fernando Pessoa no Second Life


O mundo virtual Second Life e a Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana apresentam a partir do próximo dia 16 de Janeiro, sexta-feira, às 18h00, uma exposição inovadora sobre a obra “Mensagem” de Fernando Pessoa, intitulada "Um Olhar". Ao vivo e na plataforma virtual “Second Life”, esta mostra levará à grande comunidade virtual a obra do grande poeta português acompanhada por pinturas de Joaquim Carvalho.

Desenvolvida pela Câmara Municipal de Cascais, em parceria com a Comunidade Cultural e Virtual (CCV), esta exposição factual e virtual integra poemas da Mensagem de Fernando Pessoa em português e inglês dada a natureza internacional da plataforma virtual Second Life.

No decorrer da mostra está prevista a realização de uma palestra sobre o poeta que será transmitida online desde o Auditório da Biblioteca de S. Domingos de Rana para o mundo do Second Life. Para além do âmbito cultural, os visitantes podem ainda aceder a informações quer sobre Fernando Pessoa, quer sobre o Concelho de Cascais.

No mundo real, a exposição patente na Biblioteca de S. Domingos de Rana contará ainda com sessões de esclarecimento sobre a plataforma Second Life durante o período em que a exposição estiver patente.

Sendo 2009 o Ano Europeu da Inovação e da Criatividade, Cascais oferece a todos uma oportunidade de conhecer Fernando Pessoa, um ícone da cultura portuguesa, unindo os mundos real e virtual e projectando o conhecimento através de uma plataforma que atinge milhares de pessoas em todo o mundo.

Programação:

No Second Life:

16 de Janeiro | 22h00-22h45 (PDT) - Reprodução da peça “O marinheiro”, da compositora Clotilde Rosa

17 de Janeiro | 22h00-22h45 (PDT) - Actuação de João Frazão [TB Andel em Second Life] em cavaquinho - Música tradicional portuguesa [joaofrazao.net]

31 de Janeiro | 22h00-22h45 (PDT) - Actuação de Rui Gaio [Peltzer Hirano em Second Life] Música portuguesa [www.myspace.com/peltzerr]


Na Biblioteca de S. Domingos de Rana:

7 de Fevereiro | 15h15-16h00 - Palestra de Manuela Nogueira [sobrinha de Fernando Pessoa]. Transmissão em tempo real para o Second Life;

17, 24, 31 de Janeiro e 7 de Fevereiro | 16h00-18h00 – Formação em Second Life com membros de apoio;

17 e 31 de Janeiro | 15h15-16h00 – Palestras sobre a plataforma Second Life.

Biblioteca Municipal de S. Domingo de Rana
Rua das Travessas | Massapés | Tires |S. Domingos de Rana
Horário: 2ª feira das 14h00 às 19h00
3ª a 6ª feira das 10h00 às 19h00
Sábado das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

Fonte: Página da CMC
Imagem: ecosdapoesia

quarta-feira

Ainda o Natal e os presentes

No Natal passado entre alguns outros presentes recebi este livro que tem sido um verdadeiro sucesso entre os bibliotecários que frequentam o Second Life - Virtual worlds, real libraries: librarians and educators in Second Life and other multi-user virtual environments.
Da autoria de 2 bibliotecários pioneiras no SL (Lori Bell e Rhonda Trueman), este livro apresenta as potencialidades dos mundos virtuais para o trabalho dos bibliotecários e para os serviços prestados pelas bibliotecas.
Através de c. de 25 contribuições são relatos projectos individuais e colectivos desenvolvidos no SL e que se espera inspirem profissionais um todo um mundo.

Desde os primeiros dias esgotado na página da Amazon.com, .co.uk e .fr, apenas é possível adquiri-lo junto da Information Today.Inc.

Brevemente mais informações sobre o conteúdo e algumas opiniões mais fundamentadas.

Imagem: Information Today, Inc

sexta-feira

Boas Festas e Sugestões de Presentes



Desejos de um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.

Para quem procura aquele presente ou para quem só agora começou a pensar no assunto deixo aqui duas sugestões de presentes:

Para quem tem saudades de jogar Monopólio, mas está disponível para outras variantes chegou agora o Bookopoly. As regras são sensivelmente as mesmas do jogo original:

- Com o dado, vai-se avançando para livros e compra-os; depois cobra-se uma renda de acordo com a qualidade do livro e/ou autor; (Que livro/autor será o Rossio ou a Avenida da Liberdade?!)
- Constroem-se livrarias se tiver 3 livros e depois uma biblioteca se conseguir construir 3 livrarias; (achei esta ideia de relacionar as livrarias com as bibliotecas muito interessante!)
- Em vez de ir para a prisão, tem de ir ver televisão e a companhia da água ou da electricidade foram nesta versão substituídas por géneros literários. (Também podiam ser as editoras...)
Poderá ser este um jogo de sucesso nas bibliotecas portuguesas?!?!? Vamos aguardar pela adaptação portuguesa.
O jogo está disponível no site da Amazon.

Para quem procura leituras aqui fica um dos mais recentes sucessos norte-americanos...

Dewey - o gato que comoveu o mundo, da autoria de Vicky Myron.

"Como é possível que um gato abandonado transforme uma pequena biblioteca, salve uma típica cidade americana e se torne famoso em todo o mundo?
A história de Dewey começa da pior forma possível. Com apenas algumas semanas, na noite mais fria do ano, foi enfiado na caixa de devolução de livros da Biblioteca pública de Spencer. Encontrado na manhã seguinte, Dewey conquistou o coração de todos os funcionários da biblioteca, ao distribuir por todos gestos de agradecimento e amor.
Nos anos que se seguiram, nunca deixou de encantar as pessoas de Spencer com o seu entusiasmo, vivacidade e, acima de tudo, o seu sexto sentido: percebia sempre quem necessitava mais dele.

VICKI MYRON nasceu numa pequena quinta no estado de Iowa. Aos 34 anos, mãe solteira após um casamento falhado e uma vida repleta de privações, licenciou-se com distinção na Mankato University do Minnesota. Trabalhou 25 anos na Biblioteca Pública de Spencer, 20 dos quais como directora. Bret Witter é editor e escritor. Ajudou Vicki Myron a pôr no papel a história de Dewey."

Imagem: Amazon e Fnac

quarta-feira

A crise chega às bibliotecas

A crise ainda não atravessou o Atlântico no que diz respeito às bibliotecas, mas os impactos negativos do subprime já se fazem sentir também nas bibliotecas públicas norte-americanas.
Segundo um artigo recente do Library Journal, 11 dos 54 pólos da Rede de Bibliotecas de Filadélfia vão encerrar, representando uma poupança de c. de 100 mil de dólares e originando o despedimento de 111 funcionários. Para além destes cortes, alguns dos pólos vão ter os seus horários funcionamento reduzidos, bem como os dias de abertura ao público.

A Rede de Bibliotecas de San Diego também vai ver o seu orçamente reduzido em 20%, perdendo 7 dos 34 pólos e dispensando 33 funcionários. Apesar da taxa de utilização das bibliotecas ter aumentado 8% nos últimos meses - o que comprova a utilidade das bibliotecas em tempos de crise - o munícipio terá de efectuar cortes orçamentais em todos equipamentos culturais e recreativos.

Até mesmo a Biblioteca Pública de Nova Iorque enfrentará em 2009 cortes orçamentais de mais de 20% (c. de 20 mil de dólares!!!). Michael Bloomberg anunciou que no futuro os cortes (orçamento, recursos humanos e investimentos) estão entre os 2,5 e os 5 % ao ano. Prevista está também a redução dos dias de abertura ao público para 5 dias por semana na maioria dos pólos.

Afinal quem disse que a cultura (bibliotecas) não são um elemento importante na economia!?!?!

Imagem: NYPL

terça-feira

Austria reads. Meeting Poin Library

A Campanha das Bibliotecas austríacas distinguidas por prémio do Estado para a área das Relações Públicas.
A campanha levada a cabo pela Associação Austríaca de Bibliotecas – Austria reads. Meeting Point Library – foi distinguida com o prémio do estado austríaco para as Relações Públicas 2008.

É a primeira vez que este prémio, entregue pelo Ministro da Economia austríaco, distingue uma instituição com fins culturais e educativos, no que se constitui num duplo sucesso para as bibliotecas.
O ponto de partida desta campanha foi a divulgação de um estudo, desenvolvido em 2003 em 29 países da OCDE, que colocava a Áustria (juntamente com a Alemanha) em 19.º lugar em termos de literacia. O estudo não só revelava problemas de literacia em cerca de 20% da população (acentuada nas camadas mais jovens), como evidenciava uma séria falta de visibilidade das bibliotecas austríacas.
Para fazer face a estes déficits, a Associação de Bibliotecas Austríacas decidiu lançar uma campanha a nível nacional. O objectivo era, durante uma semana, promover a leitura a partir do entretenimento e de iniciativas estimulantes, e de colocar essas iniciativas ao serviço da visibilidade das bibliotecas.

A campanha assumiu proporções sem precedentes, com milhares de eventos em bibliotecas, registando 480 000 participantes nas actividades em 2006, e ultrapassando as expectativas não só junto dos públicos, mas também junto dos decisores políticos, consagrando o papel as bibliotecas públicas no plano de acção do governo.
O segredo do sucesso, repetido nas edições de 2007 e 2008 da campanha, residiu, segundo os responsáveis, na cooperação de todas as bibliotecas, num leque vasto de eventos e iniciativas atractivas, e numa campanha de forte impacto nos media.

O prémio atribuído em 2008 é de particular importância para a percepção pública do papel das bibliotecas e plenamente demonstrativo do seu enorme potencial.

Leia mais sobre a iniciativa em
http://www.bvoe.at/mediafiles/88/Austria_reads.pdf
e em
http://www.oesterreichliest.at/~oesterreichliest2007/mediafiles/22/Austria-reads-2007.pdf?PHPSESSID=508d78133e869e14f793ae4355a86346.
Fonte: Notícias BAD - Novembro'08

Por cá talvez faça falta um spot publicitário, como este, que possa ser visto nos canais nacionais para além da RTP2, antes das 23:30.




segunda-feira

V

Faz hoje 5 anos que a minha vida mudou radicalmente e recebi um excelente presente de Natal antecipado!
Em que segundos antes de entrar no comboio, o telemóvel tocou e a boa notícia chegou.

Foi o início de um caminho, nem sempre fácil, nem sempre claro, mas acima de tudo muito enriquecedor e produtivo.

A todos quanto me ajudaram o meu obrigado, aos outros também agradeço a aprendizagem feita.
Imagem: Geekchicguru

quinta-feira

Conversas de biblioteca XIII

Numa bela manhã fria de inverno, um senhor entra pela biblioteca a dentro a esbracejar e aos gritos, ameaçando bater ao primeiro que lhe faça frente....

- Bom dia, posso ajudar?
Eu queria saber porque raio é que me cortaram a água?
- Desculpe, não fomos com toda a certeza nós aqui na biblioteca que lhe cortamos a água!
Ai isso é que foram... veja aqui a morada! E eu só queria saber qual o motivo. Porque eu tenho tudo pago e não devo nada a ninguém.
- Entendo, mas aqui é a biblioteca e não temos nada a ver com o fornecimento de água.
Ai não têm... mas eu é que estou sem água em casa e tive de me deslocar até aqui para saber o motivo.
- Já percebi que o senhor não tem água em casa, mas aqui na biblioteca não temos nada a ver com esse assunto.
Mas se não têm porque motivo enviaram esta carta?
- Isso e que eu estou a tentar explicar... Aqui é a biblioteca municipal e não enviamos cartas a informar do corte de água.
Mas eu não tenho água em casa, e paguei a conta e vocês estão a querer que eu pague novamente!?!?!? Nem pensei nisso... era só o que faltava. Acham que já cobram pouco?!
- Ouça! Aqui funciona a biblioteca municipal e como imagina não tratamos do fornecimento de água!
O quê... biblioteca municipal?! Mas aqui não têm nada a ver com a água! Oh homem, já podia ter dito! Vocês andam todos a fazer perder tempo às pessoas. Sinceramente!

quarta-feira

Formação II

Numa altura em que em virtude da nova legislação sobre o regime de carreiras (Decreto-Lei 121/2008) a BAD apela à mobilização dos profissionais de forma a estarem atentos aos possíveis casos de violação dos princípios definidos a legislação sobre a especificidade e o desempenho de funções na nossa áreas, confesso que tenho algumas dúvidas.

Se por um lado é possível compreender a evolução que esta legislação apresenta enquanto forma de permitir a contratação de profissionais de diferentes áreas para o desempenho de funções com um maior grau de especialização, por outro pode permitir alguma promiscuidade na contratação de profissionais para trabalhar em bibliotecas... como infelizmente sucede muitas vezes.

Lamento se ofendo alguns colegas mais puristas, mas gostava de colocar algumas questões: se uma biblioteca quiser contratar uma recepcionista ou alguém com competências na área do atendimento para trabalhar no balcão de empréstimo isso é necessáriamente mau? Ou se uma determinada instituição sentir que alguém com formação na área de informática faz falta num serviço multimédia ou uma educadora de infância ou animadora num serviço infantil, isso é necessariamente negativo.
Posso correr o risco, e admito-o, de parecer ingénuo mas estas parecem-me eventuais formas de rentabilização de recursos humanos e de boas práticas de gestão de serviços sempre parcos em recursos (humanos).

Que funções queremos reservar para os bibliotecários (sentido alargado)? Que áreas de trabalho devem ser obrigatoriamente desempenhadas por pessoas com formação na área das bibliotecas? Que lugar queremos que a sociedade e o poder político nos atribua? Para onde caminham as bibliotecas face a esta nova forma de ver a "nossa" formação/profissão?

Recentemente fui confrontado no meu local de trabalho com um e-mail de um leitor que me perguntava o que tinha de fazer para trabalhar numa biblioteca...
Nunca tive tanta dificuldade em responder a esta pergunta como actualmente. E todos sabem que apesar da aura de fama e glória que rodeia a profissão, é quase sempre necessário explicar com algum pormenor a nossa formação e as nossas funções diárias.

segunda-feira

Cultura, em português

O Ministro da Cultura foi entrevistado pelo jornal Expresso e declara-se obviamente insatisfeito com o orçamento para 2009. António Pinto Ribeiro diz que o “Ministério da Cultura não tem credibilidade” e que está farto de chegar às autarquias e ouvir dizer “que lhes devo dinheiro”.

Numa passagem da entrevista, o Ministro desabafa:
"Já não aguento chegar a uma autarquia e a primeira coisa que me diz o presidente é que lhe devo €1,2 milhões da biblioteca municipal que fez mas cuja contrapartida nacional nunca chegou. Caramba!, estava orçamentada. Porque é que não pagaram?"

Deixo aqui algumas das frases mais interessantes:

- "Quero que haja maior harmonia, coesão e sintonia entre todos os ministérios envolvidos na actividade cultural. Não me interessa nada que todo o dinheiro que se gasta com a Cultura seja alocado ao Ministério":
- "Porque é que os anteriores ministros não gastaram o dinheiro nem pagaram as dívidas que agora tenho como herança?";
- "O meu objectivo é atingir os melhores níveis de execução de sempre";
- "Seria um ministro felicíssimo com 300 milhões de euros, ou se me pagassem as dívidas mesmo que não tivesse dinheiro para fazer mais nada"

domingo

Ensaio sobre a Cegueira - o filme

Baseado na obra homónima de José Saramago, o filme "Ensaio Sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles, conta a história de uma cidade é devastada por uma epidemia instantânea de “cegueira branca”. Face a este surto misterioso, os primeiros indivíduos a serem infectados são colocados pelas autoridades governamentais em quarentena, num hospital abandonado.
Cada dia que passa aparecem mais pacientes, e esta recém-criada “sociedade de cegos” entra em colapso. Tudo piora quando um grupo de criminosos, mais poderoso fisicamente, se sobrepõe aos fracos, racionando-lhes a comida e cometendo actos horríveis.
Há, porém, uma testemunha ocular a este pesadelo: uma mulher, cuja visão não foi afectada por esta praga, que acompanha o seu marido cego para o asilo. Ali, mantendo o seu segredo, ela guia sete desconhecidos que se tornam, na sua essência, numa família. Ela leva-os para fora da quarentena em direcção às ruas deprimentes da cidade, que viram todos os vestígios de uma civilização entrar em colapso.
A viagem destes é plena de perigos, mas a mulher guia-os numa luta contra os piores desejos e fraquezas da raça humana, abrindo-lhes a porta para um novo mundo de esperança, onde a sua sobrevivência e redenção final reflectem a tenacidade do espírito humano.
(Site Oficial)

O realizador do filme, Fernando Meirelles, fez um blog onde dá conta das fases da realização e montagem do filme - Diário de Blindness.


Ensaio sobre a Cegueira - o livro

"Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como "um rastilho de pólvora". Uma cegueira colectiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica."
(Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
(José Saramago, apresentação do romance)

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

sexta-feira

V Conferências no Cenáculo

Bibliotecas e Leitura: práticas da promoção da leitura em bibliotecas
Biblioteca Pública de Évora | 28.11.2008

Decorre na próxima 6ª feira mais um ciclo das Conferências no Cenáculo numa organização conjunta da Biblioteca Pública de Évora e do Centro Interdiscipinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora. Estas V conferências são dedicadas à apresentação de práticas de promoção da leitura em bibliotecas. Pela diversidade dos temas e pelos convidados vale a pena assistir.

Programa disponível aqui.
Imagem: bpe