sexta-feira

Mentiras e livros: dois terços das pessoas dizem que leram o que não leram

Uma sondagem levada a cabo pelo site britânico World Book Day revelou que dois terços dos inquiridos já mentiram sobre livros que leram, sendo o 1984 de George Orwell (42 por cento) e o Guerra e Paz de Leo Tolstoi (31 por cento), seguido do Ulisses de James Joyce (25 por cento), aqueles que mais pessoas tinham dito que leram sem ser verdade.

A razão da mentira, na maior parte dos casos, era simples: impressionar o interlocutor. A Bíblia (em quarto lugar, com 24 por cento) e a autobiografia de Obama A Minha Herança (Dreams From My Father, no original) (nono lugar, com 6 por cento) também estão na lista dos livros sobre os quais as pessoas mais mentiram.

Antes de Obama estão Madame Bovary, de Gustav Flaubert (16 por cento), Uma Breve História do Tempo de Stephen Hawking (15 por cento), Os Filhos da Meia-Noite, de Salman Rushdie (14 por cento), Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust (9 por cento). A lista termina com O Gene Egoísta, de Richard Dawkins.

Outras conclusões do inquérito: 41 por cento dos que responderam às questões confessaram ter ido espreitar à última página para saber o que acontece antes de terem terminado o livro. E ainda 96 por cento admitiram ter ficado acordadas até tarde para acabar um livro.

A Lista:
1. 1984, George Orwell (42 por cento)
2. Guerra e Paz, Leo Tolstoi (31 por cento)
3. Ulisses, James Joyce (25 por cento)
4. A Bíblia (24 por cento)
5. Madame Bovary, Gustave Flaubert (16 por cento)
6. Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking (15 por cento)
7. Os Filhos da Meia-Noite, Salman Rushdie (14 por cento)
8. Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust (9 por cento)
9. A Minha Herança ( Dreams From My Father, Barack Obama (6 por cento)
10. O Gene Egoísta, Richard Dawkins (6 por cento)

Fonte: Público
Imagem: versodekapa

Deve ser por esta razão que o livro de Pierre Bayrad "Como falar dos livros que não lemos?" é um grande sucesso de vendas...

domingo

Livros: Produção editorial aumenta graças ao crescimento "notável" das exportações - estudo

A produção editorial em Portugal aumentou ligeiramente em 2008 apesar de uma queda de vendas no mercado nacional, devido ao "notável" aumento das exportações, segundo um estudo da consultora DBK.
A análise ao sector editorial português refere que o valor das vendas de livros em Portugal atingiu os 380 milhões de euros, menos 1,3 por cento que em 2007, e depois do moderado crescimento registado nos anos anteriores.

Trata-se, segundo a consultora espanhola, de uma descida "num contexto de maturidade do mercado, estancamento do índice de leitura e forte pressão sobre os preços, devido á crescente penetração dos livros de bolso".

Ainda assim, nota o estudo, a "melhoria significativa no saldo da balança comercial" conduziu a um aumento de 0,6 por cento no valor da produção para os 365 milhões de euros.
O balanço comercial melhorou tanto pela queda de 3,1 por cento nas importações como, sobretudo, pelo aumento das exportações que cresceram 11,6 por cento para os 48 milhões de euros.

O aumento de vendas a Espanha e alguns países latino-americanos "determinaram o comportamento favorável das vendas ao exterior" ainda que tenham continua a ser Angola e Moçambique os principais mercados de destino, acolhendo respectivamente 25 e 22 por cento das exportações.
Segundo a DBK o sector editorial português está integrado por cerca de 350 empresas, que empregam entre si cerca de 3.000 pessoas, totais com tendência de baixa nos últimos anos.

Um reduzido grupo de grandes operadores concentram a maior parte da actividade, com muitas empresas especializadas a operar no mercado. Assim os cinco maiores operadores - Grupo Leya, Grupo Porto Editora, DirectGroup, Ediclube e Civilização Editora - representam uma quota de mercado de 57 por cento. Essa quota de mercado cresce para 66 por cento se considerada a participação dos 10 maiores operadores.

Olhando para o futuro a DBK sustenta que "os baixos índices de leitura da população portuguesa e a crescente alternativa de ócio noutros formatos constituem as principais ameaças para as empresas portuguesas do sector". As previsões apontam para nova descida nas vendas nacionais este ano, com tendência a uma "evolução favorável da balança comercial do sector".

sexta-feira

"O cinema também filma livros"

Todos sabemos que existem muitos filmes cujos argumentos são adaptados de livros, alguns mais conhecidos do que outros, mas na maior oarte das vezes não temos noção da quantidade e diversidade de filmes adaptados de obras literárias.
A ver pela quantidade de bibliotecas que apresentam listas de livros adaptados ao cinema, como forma de sugestões de leitura, vemos que este é um verdadeiro sucesso para a promoção da leitura.

As Bibliotecas Públicas de Hedberg, Edmonton e de Mid-Continent elaboraram uma lista de "livros cinematográficos" e atingiram o interessante número de 1.250 títulos!

Esta ideia de livos adaptados ao cinema é também uma boa sugestão para um Grupo de Leitores. Em 2007, o grupo que dinamizo na Biblioteca Municipal de Oeiras fez uma selecção com base neste critério e foi muito interessante para alimentar a conversa e criar o debate.

Aproveitando as ainda recentes atribuições dos Óscares, deixo aqui um link para um lista dos livros que criaram os filmes nomeados/galardoados com a estatueta dourada - The books behind the oscars nominations.

Sabia que "O estranho caso de Benjamin Buton" é baseado num conto de F. Scott Fitzgerald?
Img: Asa

quinta-feira

Pós-Graduação em Informação Empresarial

Estão abertas as candidaturas ao Curso de Especialização Pós-Graduada em Informação Empresarial, da Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG) do Instituto Politécnico do Porto (IPP).

O plano de estudos inclui três componentes: a Gestão da Informação e do Conhecimento, a Inovação e o Empreendedorismo bem como as Tecnologias da Informação e da Comunicação. A abordagem integrada e transversal destes três campos oferece a oportunidade de desenvolver competências na área da informação aplicáveis em organizações e contextos empresariais.

A Especialização Pós-Graduada em Informação Empresarial destina-se a actuais ou a futuros profissionais das áreas da assessoria, da ciência da informação, do comércio, da economia, da gestão, da informática de gestão, do marketing, dos recursos humanos e do secretariado, entre outros.

Para informações mais detalhadas ver o prospecto em anexo ou consultar a página Web http://www.eseig.ipp.pt/posgraduacoes.

Numa fase de viragem para a formação de bibliotecários e arquivistas em Portugal com as situações ainda mal definidas das licenciaturas, pós-graduações e mestrados em ciência da informação-documentação, parece-me muito pertinente o aparecimento de especializações como esta. Recordo-me que em 2005 o ISCTE também tinha uma especialização em fontes de informação que também era interessante e muito útil.

quarta-feira

O outro lado da profissão

Em jeito de lembrança para o caro amigo RALG que me desencorajou de ser livreiro antes dos 30 anos, aqui deixo este texto da autoria de Jaime Bulhosa (Pó dos Livros):

"O ritmo é alucinante. O vendedor mostra uma mala cheia deles. Nós fazemos má cara. Ficamos indecisos. Escolhemos apenas alguns. O vendedor faz má cara. Não atinge os objectivos. O editor protesta. O autor não percebe porquê. Nós temos pena. Não podemos ter todos. É fisicamente impossível. Economicamente errado. Chegam caixas e caixas. Abrem-se as caixas. Conferem-se as facturas. Dá-se entrada no sistema informático. Classificam-se na área temática. Colam-se as etiquetas do preço. Carregam-se aos quilos. Colocam-se em cima das mesas. Uns virados para um lado, outros para o outro. Chama-se a isto casá-los. Esperam em cima das mesas. Há quem lhes toque. Os abra. Leia uma passagem. Os deixe. Não podem esperar mais. Em breve vêm outros. Só mais uns dias. Aconselham-se mais uma vez. Ninguém os quer. Volta-se a pegar neles. Nem sequer ganham pó. De novo o sistema informático. Um por um. Processa-se a devolução. Novamente em caixotes. Chama-se o transportador. São levados para um armazém frio, escuro. Cheio de livros, azarados como eles."

Afinal parece que temos razão!
O dia-a-dia de um bibliotecário (pelo menos de alguns) não é assim muito diferente do de um livreiro! Diferentes objectivos, públicos semelhantes, a mesma matéria-prima. Enfim, mais semelhanças do que divergências.

terça-feira

Investigadores apontam perigos da iliteracia digital

Três investigadores da Faculdade de Psicologia de Coimbra consideram que é necessário promover uma alfabetização digital que prepare pais, educadores e jovens para uma utilização esclarecida e responsável das novas tecnologias.
João Amado, Teresa Pessoa e Armanda Matos consideram ser urgente fazer um diagnóstico de avaliação dos portugueses na área das TIC. "Preocupamo-nos muito com a utilização e a valorização académica da sociedade portuguesa, mas é preciso fazer esta alfabetização digital neste momento", refere Teresa Pessoa, citada pela Lusa.

Na opinião dos investigadores investe-se muito no ensino da utilização das tecnologias na vida diária, mas tem-se negligenciado a parte da formação e da responsabilidade na utilização. "É fundamental para os pais, professores e as crianças", refere Armanda Matos.

E nem de propósito hoje é o Dia Europeu da Internet Segura!
Notícia completa aqui.

sexta-feira

Tantos livros e tão pouco tempo

No passado dia 22 de Janeiro a Casa Fernando Pessoa promoveu um debate com Bárbara Bulhosa, Francisco José Viegas e Vasco Graça Moura, a propósito da edição do livro "Livros de mais - ler e publicar na Era da Abundância", da autoria do poeta mexicano Gabriel Zaid.

Nunca se publicou tanto como actualmente. De tal forma que alguns autores começam a chamar a esta excitação editorial como o pesadelo de Gutenberg.
Para ficarmos como uma ideia aqui ficam alguns números:
1 milhão de títulos por ano
1 livro publicado a cada 30 segundos

Para uma (já habitual) excelente apresentação desta livro sugiro a leitura do texto de José Mário Silva, publicado no suplemento Actual do Expresso) e do qual aqui deixo um excerto:

"Zaid não esconde a dificuldade de conseguir, no caos de um mundo de papel em expansão, o necessário «encontro feliz» entre o leitor e o seu livro. Necessário porque é só quando esse «encontro» acontece que se cumpre o ideal socrático da cultura enquanto «conversação», iluminada pelas «constelações» de sentido que só os livros sabem e podem oferecer-nos."

Como para não variar, não consegui estar presente (apesar da encontro agendado com a Cláudia e o Pedro, aqui ficam as desculpas públicas), deixo aqui a referência a esta obra que parece fazer alguma luz sobre a embrenhado mercado editorial.

quarta-feira

Papel electrónico ou a importância de gostar de livros (em papel)

Desidério Murcho na sua crónica habitual das 3ª feiras no Público:

"Na década de 70 do séc. XX a Xerox inventou o papel electrónico. A ideia era fazer ecrãs que funcionassem como papel, ao contrário dos actuais ecrãs de computador. A vantagem é poder ler exactamente como lemos um livro: em pleno dia, na rua, na praia, no café. E fazer isso sem gastar energia é um bónus adicional. A ideia original da Xerox foi desenvolvida na década de 90 por Joseph Jacobson, que fundou a companhia E-Ink, para comercializar a nova tecnologia. Em termos simples, o papel electrónico consiste em micro-esferas, metade pretas e metade brancas, que ao posicionar-se adequadamente desenham letras pretas num fundo branco, como no papel.

Esta nova tecnologia permitiu o desenvolvimento de leitores electrónicos de livros: tornou-se possível ler livros electrónicos com o mesmo conforto e independência com que lemos um livro de papel. Foi então que a Amazon.com lançou o seu Kindle, um leitor electrónico de livros, exclusivamente para o mercado norte-americano. O sucesso deixou toda a gente estupefacta: as fábricas não davam conta de produzir unidades em quantidade suficiente. E então o mundo acordou. Hoje há leitores da Sony e da Phillips, assim como o novo BeBook holandês, que acabei de comprar. Do tamanho de um pequeno livro de bolso, e com a espessura de um livro de cem páginas ou menos, permite armazenar milhares de livros, em diversos formatos — DOC, TXT, HTML, PDF, MOBI. Este último é o mais indicado para ler livros e há na Internet livrarias que os vendem (quase todos em língua inglesa) neste formato. Muitos livros antigos — clássicos como Os Lusíadas — estão disponíveis gratuitamente no Projecto Gutenberg, entre muitos outros lugares da Internet. A Cambridge University Press e a Hackett, duas importantes editoras académicas, já vendem praticamente todos os novos livros de filosofia em formato electrónico, na livraria EBooks.com.

Parece-me que podemos começar a deitar fora muitos livros em papel. O BeBook nada tem a ver com um minicomputador portátil. A diferença é o ecrã, que é exactamente como o papel: sem luz, nada se lê, mas à luz do dia (ou com iluminação normal) lê-se na perfeição. E a portabilidade é espantosa: podemos andar a ler livros durante mais de uma semana sem desligar o aparelho e sem o pôr a carregar. É que nesta tecnologia o aparelho só gasta energia quando mudamos de página. De modo que quando paro de ler limito-me a fechar a capa do livro electrónico, como quem pousa um livro normal; volto a abri-lo e continuo a leitura imediatamente.

Podemos ler também as notícias dos principais jornais do mundo, no formato RSS. Quando um PDF, TXT, HTML ou DOC não permite uma boa leitura, é fácil converter para MOBI usando o programa gratuito Mobipoket Creator.

Em suma, os meus hábitos de leitura mudaram muito, e viajar é mais fácil porque não tenho de carregar quilos de livros. E quando compro livros ingleses, não tenho de pagar portes de correio nem de esperar uma semana pela entrega."
Via De Rerum Natura

Livros em formato electrónico são óptimos para pesquisar palavras, expressões ou citações - viva as maravilhas da pesquisa em texto livre - mas ler Luís Sepúlveda, Eugénio de Andrade, António Patrício ou Eça fora do formato de celulose, não me convence. Opiniões!
Img: Copyblogger

segunda-feira

Conversas de biblioteca XIV


Uma senhora chega à biblioteca com um saco de livros e diz:

- Bom dia, eu gostaria de oferecer à biblioteca este saco de livros.

- Bom dia! Não sei se já conhece a nossa política de ofertas. Agradecemos todas as ofertas de documentos, mas não podemos garantir que todos os livros serão incluídos na nossa colecção. Caso não fiquem na biblioteca serão encaminhados para outras instituições.

- Isso é que não! Eu quero que todos estes livros (7) fiquem na biblioteca.

- Compreendo. Mas nós não podemos ter 7 livros iguais na estante sem, pelo menos antes, avaliar o interesse e a pertinência do livro.

- Estes livros são muito bons e importantes para todas as pessoas. Se não ficarem os 7 exemplares o livro perde impacto e fica perdido no meio dos outros numa qualquer estante.

(A conversa prolonga-se durante mais uns largos minutos em que se tenta explicar o que é e para que serve uma política de gestão da colecção nas bibliotecas.)

sábado

Ainda não é desta...

Infelizmente (ou não) o post que aqui coloquei em Junho de 2006 era falso - Nova Biblioteca Central e Arquivo de Lx - pelo que apresento as minhas desculpas.

Segundo o post do blog Da Literatura a situação actual é a seguinte:

"Em 2005, a Câmara de Lisboa anunciou a construção de uma biblioteca municipal no Vale de Santo António, perto da Avenida General Roçadas. O investimento foi então orçado em trinta milhões de euros. (Um notório disparate, mas isso é outra conversa.) Os arquitectos Manuel Aires Mateus e Alberto Souza Oliveira assinaram o projecto. Prometeu-se que a obra seria inaugurada no fim de 2008. Agora, a Câmara deu o dito por não dito: o vereador Marcos Perestrello diz que é muito dinheiro. Pois é. Mas, no entretanto, foram gastos três milhões de euros em escavações e contenção de terras. Manuel Salgado diz que será feito outro edifício no local. OK. Assim vai Lisboa."

sexta-feira

FJV e os blogs e a blogosfera

Francisco José Viegas, aproveita umas pequenas férias d' A Origem das Espécies, e escreve estes pensamentos sobre os blogs e a blogosfera.
- Subscrevo!

"Há amigos que têm blogs e às vezes desistem; e há blogs que continuam. Há outras pessoas que têm blogs e não são meus amigos. Há pessoas que conheço e outras que não conheço. De vez em quanto há a tentação de fazer um balanço sobre a blogosfera e o seu ressentimento, a sua inutilidade, a sua maldade -- tanto como sobre as coisas indispensáveis que ela trouxe. Evito. Há coisas que nos deixam irritados com os outros e coisas que nos deixam despertos para os outros; os blogs fazem, em todos nós, parte da irritação e da sensação de partilharmos ideias comuns ou incomuns. Já gostei mais de blogs e já os li mais, logo de manhã. Por vários motivos, continuo a lê-los e encontro neles grandes virtudes, a par de coisas dispensáveis (a verdade é que, antigamente, muitos idiotas andavam anónimos pelas ruas e, hoje, grande parte deles se encontram na blogosfera). O género humano é assim. E há quem escreva maravilhosamente, quem escreva superiormente; e quem devia escrever mais. E quem leio sempre com prazer; há blogs que nunca leio pelo simples motivo de que não concordo com uma única palavra do que possa estar lá escrito (porque uma coisa é não concordar e discutir, e outra, inteiramente diferente, é evitar encarar o ressentimento e a ignorância); há blogs com que raramente concordo mas que leio todos os dias; e há blogs que fazem parte do meu roteiro de leituras diárias. Gostava de fazer uma lista, mas tenho medo de esquecer este e aquele; e se é uma injustiça para esses blogs, também o seria para mim. (...) Nem sempre escrevo o que quero; nem sempre escrevo quando quero; e nem sempre quero escrever no blog. Debater sobre a blogosfera é capaz de ser uma coisa muito fragmentária se não se tem uma agenda, um plano & objectivos para o quinquénio. De modo que vou escrevendo; quando posso, quando tenho tempo, quando -- mesmo não tendo tempo -- invento tempo para não perder o blog. Já tive mais tempo disponível. Tenho menos. (...) Estamos hoje muito vigiados; somos vigiados por leitores, vizinhos, colegas de trabalho, pessoas que nos amam ou nos detestam, gente irrelevante, gente a que damos importância, gente que não tem importância. A net é barata, acessível e livre. Dá para tudo, para o melhor e para o pior, para a maledicência e para a aldrabice, para as cartas de amor (ridículas, evidentemente) e para a banalização de tudo. É aí que estamos todos. Perdeu-se muita inocência na internet. Às vezes, ainda bem; de outras vezes, infelizmente. (...) E é assim; para acrescentar alguma falta de sentido a tudo isto."

quinta-feira

Experiencias innovadoras de gestión bibliotecaria y dinamización social

Tanta coisa interessante que acontece aqui mesmo ao lado...

O espaço cultural AlhóndigaBilbao organiza em colaboração com a Fundação Germán Sánchez Ruipérez 0 Ikasiz 7. Com o título "El ciudadano demanda, la biblioteca responde. Experiencias innovadoras de gestión bibliotecaria y dinamización social", decorrem estes encontros em Bilbao, nos dias 26 e 27 de Fevereiro de 2009.

Programa disponível aqui.

quarta-feira

Final de semana em grande

Começa amanhã (22 e 23 de Janeiro) Congresso Internacional de Promoção da Leitura, na Fundação Calouste Gulbenkian. O programa completo do Congresso está disponível aqui.

Para quem não puder estar presente, a FCG fará a transmissão on-line em directo das sessões neste endereço: http://live.fccn.pt/fcg/

No primeiro dia do Congresso destaco pelos autores e/ou pela (aparente) relevância dos temas as apresentações do Painel 2. Esta será uma excelente oportunidade para ouvir Teresa Colomer, Pedro Cerrillo e Michel Fayol.

No segundo dia, será de assistir a um dos 4 foruns temáticos e se possível ouvir a "conversa" de José Barata Moura, Eduardo Marçal Grilo e Fernando Savater sobre A leitura em debate.

Grandes expectativas para este Congresso Internacional!
Imagem: FCG

segunda-feira

Os municípios e o emprego na cultura: o caso das bibliotecas

O n.º 16 do Boletim OBS do Observatório das Actividades Culturais , publica um artigo da autoria de Teresa Duarte Martinho, que resulta de uma comunicação apresentada nos Encontros Alcultur 2008, em Guimarães.
Neste artigo, a autora aborda "a relação entre o emprego no sector cultural e a administração local, começando por sistematizar aspectos principais da crescente centralidade da temática do trabalho nas actividades culturais. O domínio das bibliotecas é aqui destacado por constituir uma especial ilustração da importância dos municípios enquanto entidade empregadora dos profissionais das ciências da informação".

O texto não é exactamente uma novidade para quem trabalha em bibliotecas públicas ou se interessa pela evolução da profissão, mas ainda assim é um sempre bem vindo (e raro!) contributo para um maior conhecimento sobre a situação dos profissionais da informação em Portugal.
Questões relacionadas com a formação profissional, a empregabilidade por sectores , o reconhecimento social e a importância estratégica para a sociedade, são aspectos referidos ao longo do texto.

Acima de tudo, o que neste texto fica muito claro é o "deficit de conhecimento" sobre estes profissionais (nós!).

quinta-feira

Fernando Pessoa no Second Life


O mundo virtual Second Life e a Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana apresentam a partir do próximo dia 16 de Janeiro, sexta-feira, às 18h00, uma exposição inovadora sobre a obra “Mensagem” de Fernando Pessoa, intitulada "Um Olhar". Ao vivo e na plataforma virtual “Second Life”, esta mostra levará à grande comunidade virtual a obra do grande poeta português acompanhada por pinturas de Joaquim Carvalho.

Desenvolvida pela Câmara Municipal de Cascais, em parceria com a Comunidade Cultural e Virtual (CCV), esta exposição factual e virtual integra poemas da Mensagem de Fernando Pessoa em português e inglês dada a natureza internacional da plataforma virtual Second Life.

No decorrer da mostra está prevista a realização de uma palestra sobre o poeta que será transmitida online desde o Auditório da Biblioteca de S. Domingos de Rana para o mundo do Second Life. Para além do âmbito cultural, os visitantes podem ainda aceder a informações quer sobre Fernando Pessoa, quer sobre o Concelho de Cascais.

No mundo real, a exposição patente na Biblioteca de S. Domingos de Rana contará ainda com sessões de esclarecimento sobre a plataforma Second Life durante o período em que a exposição estiver patente.

Sendo 2009 o Ano Europeu da Inovação e da Criatividade, Cascais oferece a todos uma oportunidade de conhecer Fernando Pessoa, um ícone da cultura portuguesa, unindo os mundos real e virtual e projectando o conhecimento através de uma plataforma que atinge milhares de pessoas em todo o mundo.

Programação:

No Second Life:

16 de Janeiro | 22h00-22h45 (PDT) - Reprodução da peça “O marinheiro”, da compositora Clotilde Rosa

17 de Janeiro | 22h00-22h45 (PDT) - Actuação de João Frazão [TB Andel em Second Life] em cavaquinho - Música tradicional portuguesa [joaofrazao.net]

31 de Janeiro | 22h00-22h45 (PDT) - Actuação de Rui Gaio [Peltzer Hirano em Second Life] Música portuguesa [www.myspace.com/peltzerr]


Na Biblioteca de S. Domingos de Rana:

7 de Fevereiro | 15h15-16h00 - Palestra de Manuela Nogueira [sobrinha de Fernando Pessoa]. Transmissão em tempo real para o Second Life;

17, 24, 31 de Janeiro e 7 de Fevereiro | 16h00-18h00 – Formação em Second Life com membros de apoio;

17 e 31 de Janeiro | 15h15-16h00 – Palestras sobre a plataforma Second Life.

Biblioteca Municipal de S. Domingo de Rana
Rua das Travessas | Massapés | Tires |S. Domingos de Rana
Horário: 2ª feira das 14h00 às 19h00
3ª a 6ª feira das 10h00 às 19h00
Sábado das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00

Fonte: Página da CMC
Imagem: ecosdapoesia

quarta-feira

Ainda o Natal e os presentes

No Natal passado entre alguns outros presentes recebi este livro que tem sido um verdadeiro sucesso entre os bibliotecários que frequentam o Second Life - Virtual worlds, real libraries: librarians and educators in Second Life and other multi-user virtual environments.
Da autoria de 2 bibliotecários pioneiras no SL (Lori Bell e Rhonda Trueman), este livro apresenta as potencialidades dos mundos virtuais para o trabalho dos bibliotecários e para os serviços prestados pelas bibliotecas.
Através de c. de 25 contribuições são relatos projectos individuais e colectivos desenvolvidos no SL e que se espera inspirem profissionais um todo um mundo.

Desde os primeiros dias esgotado na página da Amazon.com, .co.uk e .fr, apenas é possível adquiri-lo junto da Information Today.Inc.

Brevemente mais informações sobre o conteúdo e algumas opiniões mais fundamentadas.

Imagem: Information Today, Inc

sexta-feira

Boas Festas e Sugestões de Presentes



Desejos de um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.

Para quem procura aquele presente ou para quem só agora começou a pensar no assunto deixo aqui duas sugestões de presentes:

Para quem tem saudades de jogar Monopólio, mas está disponível para outras variantes chegou agora o Bookopoly. As regras são sensivelmente as mesmas do jogo original:

- Com o dado, vai-se avançando para livros e compra-os; depois cobra-se uma renda de acordo com a qualidade do livro e/ou autor; (Que livro/autor será o Rossio ou a Avenida da Liberdade?!)
- Constroem-se livrarias se tiver 3 livros e depois uma biblioteca se conseguir construir 3 livrarias; (achei esta ideia de relacionar as livrarias com as bibliotecas muito interessante!)
- Em vez de ir para a prisão, tem de ir ver televisão e a companhia da água ou da electricidade foram nesta versão substituídas por géneros literários. (Também podiam ser as editoras...)
Poderá ser este um jogo de sucesso nas bibliotecas portuguesas?!?!? Vamos aguardar pela adaptação portuguesa.
O jogo está disponível no site da Amazon.

Para quem procura leituras aqui fica um dos mais recentes sucessos norte-americanos...

Dewey - o gato que comoveu o mundo, da autoria de Vicky Myron.

"Como é possível que um gato abandonado transforme uma pequena biblioteca, salve uma típica cidade americana e se torne famoso em todo o mundo?
A história de Dewey começa da pior forma possível. Com apenas algumas semanas, na noite mais fria do ano, foi enfiado na caixa de devolução de livros da Biblioteca pública de Spencer. Encontrado na manhã seguinte, Dewey conquistou o coração de todos os funcionários da biblioteca, ao distribuir por todos gestos de agradecimento e amor.
Nos anos que se seguiram, nunca deixou de encantar as pessoas de Spencer com o seu entusiasmo, vivacidade e, acima de tudo, o seu sexto sentido: percebia sempre quem necessitava mais dele.

VICKI MYRON nasceu numa pequena quinta no estado de Iowa. Aos 34 anos, mãe solteira após um casamento falhado e uma vida repleta de privações, licenciou-se com distinção na Mankato University do Minnesota. Trabalhou 25 anos na Biblioteca Pública de Spencer, 20 dos quais como directora. Bret Witter é editor e escritor. Ajudou Vicki Myron a pôr no papel a história de Dewey."

Imagem: Amazon e Fnac

quarta-feira

A crise chega às bibliotecas

A crise ainda não atravessou o Atlântico no que diz respeito às bibliotecas, mas os impactos negativos do subprime já se fazem sentir também nas bibliotecas públicas norte-americanas.
Segundo um artigo recente do Library Journal, 11 dos 54 pólos da Rede de Bibliotecas de Filadélfia vão encerrar, representando uma poupança de c. de 100 mil de dólares e originando o despedimento de 111 funcionários. Para além destes cortes, alguns dos pólos vão ter os seus horários funcionamento reduzidos, bem como os dias de abertura ao público.

A Rede de Bibliotecas de San Diego também vai ver o seu orçamente reduzido em 20%, perdendo 7 dos 34 pólos e dispensando 33 funcionários. Apesar da taxa de utilização das bibliotecas ter aumentado 8% nos últimos meses - o que comprova a utilidade das bibliotecas em tempos de crise - o munícipio terá de efectuar cortes orçamentais em todos equipamentos culturais e recreativos.

Até mesmo a Biblioteca Pública de Nova Iorque enfrentará em 2009 cortes orçamentais de mais de 20% (c. de 20 mil de dólares!!!). Michael Bloomberg anunciou que no futuro os cortes (orçamento, recursos humanos e investimentos) estão entre os 2,5 e os 5 % ao ano. Prevista está também a redução dos dias de abertura ao público para 5 dias por semana na maioria dos pólos.

Afinal quem disse que a cultura (bibliotecas) não são um elemento importante na economia!?!?!

Imagem: NYPL

terça-feira

Austria reads. Meeting Poin Library

A Campanha das Bibliotecas austríacas distinguidas por prémio do Estado para a área das Relações Públicas.
A campanha levada a cabo pela Associação Austríaca de Bibliotecas – Austria reads. Meeting Point Library – foi distinguida com o prémio do estado austríaco para as Relações Públicas 2008.

É a primeira vez que este prémio, entregue pelo Ministro da Economia austríaco, distingue uma instituição com fins culturais e educativos, no que se constitui num duplo sucesso para as bibliotecas.
O ponto de partida desta campanha foi a divulgação de um estudo, desenvolvido em 2003 em 29 países da OCDE, que colocava a Áustria (juntamente com a Alemanha) em 19.º lugar em termos de literacia. O estudo não só revelava problemas de literacia em cerca de 20% da população (acentuada nas camadas mais jovens), como evidenciava uma séria falta de visibilidade das bibliotecas austríacas.
Para fazer face a estes déficits, a Associação de Bibliotecas Austríacas decidiu lançar uma campanha a nível nacional. O objectivo era, durante uma semana, promover a leitura a partir do entretenimento e de iniciativas estimulantes, e de colocar essas iniciativas ao serviço da visibilidade das bibliotecas.

A campanha assumiu proporções sem precedentes, com milhares de eventos em bibliotecas, registando 480 000 participantes nas actividades em 2006, e ultrapassando as expectativas não só junto dos públicos, mas também junto dos decisores políticos, consagrando o papel as bibliotecas públicas no plano de acção do governo.
O segredo do sucesso, repetido nas edições de 2007 e 2008 da campanha, residiu, segundo os responsáveis, na cooperação de todas as bibliotecas, num leque vasto de eventos e iniciativas atractivas, e numa campanha de forte impacto nos media.

O prémio atribuído em 2008 é de particular importância para a percepção pública do papel das bibliotecas e plenamente demonstrativo do seu enorme potencial.

Leia mais sobre a iniciativa em
http://www.bvoe.at/mediafiles/88/Austria_reads.pdf
e em
http://www.oesterreichliest.at/~oesterreichliest2007/mediafiles/22/Austria-reads-2007.pdf?PHPSESSID=508d78133e869e14f793ae4355a86346.
Fonte: Notícias BAD - Novembro'08

Por cá talvez faça falta um spot publicitário, como este, que possa ser visto nos canais nacionais para além da RTP2, antes das 23:30.




segunda-feira

V

Faz hoje 5 anos que a minha vida mudou radicalmente e recebi um excelente presente de Natal antecipado!
Em que segundos antes de entrar no comboio, o telemóvel tocou e a boa notícia chegou.

Foi o início de um caminho, nem sempre fácil, nem sempre claro, mas acima de tudo muito enriquecedor e produtivo.

A todos quanto me ajudaram o meu obrigado, aos outros também agradeço a aprendizagem feita.
Imagem: Geekchicguru

quinta-feira

Conversas de biblioteca XIII

Numa bela manhã fria de inverno, um senhor entra pela biblioteca a dentro a esbracejar e aos gritos, ameaçando bater ao primeiro que lhe faça frente....

- Bom dia, posso ajudar?
Eu queria saber porque raio é que me cortaram a água?
- Desculpe, não fomos com toda a certeza nós aqui na biblioteca que lhe cortamos a água!
Ai isso é que foram... veja aqui a morada! E eu só queria saber qual o motivo. Porque eu tenho tudo pago e não devo nada a ninguém.
- Entendo, mas aqui é a biblioteca e não temos nada a ver com o fornecimento de água.
Ai não têm... mas eu é que estou sem água em casa e tive de me deslocar até aqui para saber o motivo.
- Já percebi que o senhor não tem água em casa, mas aqui na biblioteca não temos nada a ver com esse assunto.
Mas se não têm porque motivo enviaram esta carta?
- Isso e que eu estou a tentar explicar... Aqui é a biblioteca municipal e não enviamos cartas a informar do corte de água.
Mas eu não tenho água em casa, e paguei a conta e vocês estão a querer que eu pague novamente!?!?!? Nem pensei nisso... era só o que faltava. Acham que já cobram pouco?!
- Ouça! Aqui funciona a biblioteca municipal e como imagina não tratamos do fornecimento de água!
O quê... biblioteca municipal?! Mas aqui não têm nada a ver com a água! Oh homem, já podia ter dito! Vocês andam todos a fazer perder tempo às pessoas. Sinceramente!

quarta-feira

Formação II

Numa altura em que em virtude da nova legislação sobre o regime de carreiras (Decreto-Lei 121/2008) a BAD apela à mobilização dos profissionais de forma a estarem atentos aos possíveis casos de violação dos princípios definidos a legislação sobre a especificidade e o desempenho de funções na nossa áreas, confesso que tenho algumas dúvidas.

Se por um lado é possível compreender a evolução que esta legislação apresenta enquanto forma de permitir a contratação de profissionais de diferentes áreas para o desempenho de funções com um maior grau de especialização, por outro pode permitir alguma promiscuidade na contratação de profissionais para trabalhar em bibliotecas... como infelizmente sucede muitas vezes.

Lamento se ofendo alguns colegas mais puristas, mas gostava de colocar algumas questões: se uma biblioteca quiser contratar uma recepcionista ou alguém com competências na área do atendimento para trabalhar no balcão de empréstimo isso é necessáriamente mau? Ou se uma determinada instituição sentir que alguém com formação na área de informática faz falta num serviço multimédia ou uma educadora de infância ou animadora num serviço infantil, isso é necessariamente negativo.
Posso correr o risco, e admito-o, de parecer ingénuo mas estas parecem-me eventuais formas de rentabilização de recursos humanos e de boas práticas de gestão de serviços sempre parcos em recursos (humanos).

Que funções queremos reservar para os bibliotecários (sentido alargado)? Que áreas de trabalho devem ser obrigatoriamente desempenhadas por pessoas com formação na área das bibliotecas? Que lugar queremos que a sociedade e o poder político nos atribua? Para onde caminham as bibliotecas face a esta nova forma de ver a "nossa" formação/profissão?

Recentemente fui confrontado no meu local de trabalho com um e-mail de um leitor que me perguntava o que tinha de fazer para trabalhar numa biblioteca...
Nunca tive tanta dificuldade em responder a esta pergunta como actualmente. E todos sabem que apesar da aura de fama e glória que rodeia a profissão, é quase sempre necessário explicar com algum pormenor a nossa formação e as nossas funções diárias.

segunda-feira

Cultura, em português

O Ministro da Cultura foi entrevistado pelo jornal Expresso e declara-se obviamente insatisfeito com o orçamento para 2009. António Pinto Ribeiro diz que o “Ministério da Cultura não tem credibilidade” e que está farto de chegar às autarquias e ouvir dizer “que lhes devo dinheiro”.

Numa passagem da entrevista, o Ministro desabafa:
"Já não aguento chegar a uma autarquia e a primeira coisa que me diz o presidente é que lhe devo €1,2 milhões da biblioteca municipal que fez mas cuja contrapartida nacional nunca chegou. Caramba!, estava orçamentada. Porque é que não pagaram?"

Deixo aqui algumas das frases mais interessantes:

- "Quero que haja maior harmonia, coesão e sintonia entre todos os ministérios envolvidos na actividade cultural. Não me interessa nada que todo o dinheiro que se gasta com a Cultura seja alocado ao Ministério":
- "Porque é que os anteriores ministros não gastaram o dinheiro nem pagaram as dívidas que agora tenho como herança?";
- "O meu objectivo é atingir os melhores níveis de execução de sempre";
- "Seria um ministro felicíssimo com 300 milhões de euros, ou se me pagassem as dívidas mesmo que não tivesse dinheiro para fazer mais nada"

domingo

Ensaio sobre a Cegueira - o filme

Baseado na obra homónima de José Saramago, o filme "Ensaio Sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles, conta a história de uma cidade é devastada por uma epidemia instantânea de “cegueira branca”. Face a este surto misterioso, os primeiros indivíduos a serem infectados são colocados pelas autoridades governamentais em quarentena, num hospital abandonado.
Cada dia que passa aparecem mais pacientes, e esta recém-criada “sociedade de cegos” entra em colapso. Tudo piora quando um grupo de criminosos, mais poderoso fisicamente, se sobrepõe aos fracos, racionando-lhes a comida e cometendo actos horríveis.
Há, porém, uma testemunha ocular a este pesadelo: uma mulher, cuja visão não foi afectada por esta praga, que acompanha o seu marido cego para o asilo. Ali, mantendo o seu segredo, ela guia sete desconhecidos que se tornam, na sua essência, numa família. Ela leva-os para fora da quarentena em direcção às ruas deprimentes da cidade, que viram todos os vestígios de uma civilização entrar em colapso.
A viagem destes é plena de perigos, mas a mulher guia-os numa luta contra os piores desejos e fraquezas da raça humana, abrindo-lhes a porta para um novo mundo de esperança, onde a sua sobrevivência e redenção final reflectem a tenacidade do espírito humano.
(Site Oficial)

O realizador do filme, Fernando Meirelles, fez um blog onde dá conta das fases da realização e montagem do filme - Diário de Blindness.


Ensaio sobre a Cegueira - o livro

"Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como "um rastilho de pólvora". Uma cegueira colectiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica."
(Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
(José Saramago, apresentação do romance)

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

sexta-feira

V Conferências no Cenáculo

Bibliotecas e Leitura: práticas da promoção da leitura em bibliotecas
Biblioteca Pública de Évora | 28.11.2008

Decorre na próxima 6ª feira mais um ciclo das Conferências no Cenáculo numa organização conjunta da Biblioteca Pública de Évora e do Centro Interdiscipinar de História, Cultura e Sociedades da Universidade de Évora. Estas V conferências são dedicadas à apresentação de práticas de promoção da leitura em bibliotecas. Pela diversidade dos temas e pelos convidados vale a pena assistir.

Programa disponível aqui.
Imagem: bpe

quinta-feira

IV Encontro de Blogs


Porque infelizmente é humana, profissional, financeira e pessoalmente impossível ir a todos os eventos que nos interessam aqui fica a referência ao IV Encontro de Blogues que decorre nos próximos dias 14 e 15 de Novembro na Universidade Católica Portuguesa.
Esta 4ª edição tem como tema central blogs e cultura e esta organizado em 3 painéis: blogs e segmentação da blogosfera, blogs culturais e educação, e blogs e negócio.

Pela leitura do programa vai ser com toda a certeza muito interessante. Na total impossibilidade de estar presente aguarda- se o feedback de algum participante.

quarta-feira

Banda Desenhada e Grupos de Leitores

Já muitas vezes falei aqui sobre Grupos de Leitores. E ainda gostava de desenvolver mais este tema.
A gestão do projecto dos Grupos de Leitores nas Bibliotecas Municipais de Oeiras e a orientação de um Grupo permitiu-me ver o alcance da profissão, enquanto mediador da leitura. Obviamente que o trabalho na sala de leitura também pode antever esta contribuição, mas pelas limitações do trabalho de atendimento ou pelas limitações funcionais não se consegue ter uma percepção tão clara como num Grupo de Leitores.

Depois de ter visto alguns modelos de orientação de grupos de leitores, continuo a defender que o modelo de 1 entre vários é aquele que resulta melhor. Não tenho nada contra quem goste de cenários mais dirigidos ou de grupos mais voltados para a análise textual ou a crítica literária, mas tenho para mim que um ambiente mais equilibrado entre o moderador e o grupo facilita o processo e torna as sessões mais fluídas. Se o que se pretende é sociabilizar em torno do livro e da leitura, desfrutar o gosto pela(s) leitura(s) e poder partilha-la em grupo, então este é o formato que sugiro.

A propósito disto mesmo, recordo que no final do mês de Outubro as Bibliotecas Municipais de Lisboa organizaram um seminário internacional sobre Banda Desenhada e Bibliotecas. De entre as várias apresentações com muita qualidade e interesse (infelizmente apenas comprovei este facto de modo indirecto, já que apenas consegui assistir a meio dia) destaco a apresentação feita por Rosa Barreto a propósito do Grupo de Leitores da Bedeteca de Lisboa, sobre o qual já falei aqui no blog.
Pela especificidade do grupo, pelos resultados apresentados e porque é sempre interessante conhecer outras experiências deixo aqui a referência a este projecto e consequentemente a este Grupo de Leitores. Pelo que li o grupo de leitores da Bedeteca de Lisboa está a reiniciar as suas sessões, pelo que aproveito para desejar os maiores sucessos.

Para quem tiver interesse deixo aqui a ligação para a apresentação efectuada no Seminário.

segunda-feira

BiblioCartoon


Bandeira | Diário de Notícias - 17/10/2008

quinta-feira

Seminário Internacional - Bibliotecas e Banda Desenhada

A Rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa deu hoje início ao Seminário Internacional - Bibliotecas e Banda Desenhada.
Durante 2 dias diversos profissionais vão trocar opiniões e experiências sobre a forma como a Banda Desenhada contribui para a promoção da leitura nas bibliotecas.
Será uma oportunidade para falar sobre a Nona Arte nas suas múltiplas dimensões, funções e criações.

O programa está disponível aqui.

Formação I

Desde há algum tempo que tenho algumas dúvidas sobre a formação dos bibliotecários em Portugal. Não vou enveredar por uma análise qualitativa dos diferentes cursos nem vou fazer juízos de valor sobre as opções dos curricula das diferentes instituições. Outros locais e entidades devem chamar a si essas responsabilidades.

Alguma das dúvidas que ao longo dos últimos 7 anos me têm surgido têm mais a ver com as variantes que a formação tem vindo a tomar: formato, duração, saída profissional, etc. Mas isto ficará para próximos posts!

Recordo-me de há 5 ou 6 anos ter ouvido alguém comentar que já existia em Portugal uma licenciatura em Ciência da Informação. Nessa altura fiquei um pouco admirado com essa realidade, porque tendo feito um bom trabalho de casa (achava eu!) relativo às habilitações necessárias para aceder à profissão, nunca tinha visto referida esta licenciatura. Fiquei desde logo atento a quaisquer movimentações legislativas e/ou académicas que fizessem rever o já agora praticamente defunto Decreto-Lei 247/91; mas nunca ouvi nada sobre isto. Lembro-me de quando começaram a surgir os Mestrados em Ciências Documentais muitas pessoas dizerem que a formação profissional teria obrigatoriamente de mudar e que daqui em diante nada seria igual.

Quase 5 anos depois está tudo praticamente na mesma. Salvo a revogação do referido Decreto-Lei, tudo se mantém igual. Continuam os cursos de pós-graduação (agora mestrado) em Ciências Documentais/Ciências da Informação, continuam as licenciaturas também na área e aparentemente nada se alterou.

Apesar de conhecer bastante melhor a vertente profissional da administração pública, também tenho conhecimento de colegas que trabalham em empresas privadas. No entanto, é curioso que na maioria das vezes estes empregadores reproduzem o modelo de contratação da administração pública: licenciatura complementada por uma pós-graduação.

As minhas grandes questões são:
Os colegas que frequentam as licenciatura em Ciências Documentais/Ciência da Informação conseguiram encontrar trabalho na nossa área com essa habilitação?
Houve necessidade de fazerem a pós-graduação em Ciências Documentais para puderem ingressar na carreira da administração pública, tal como estava previsto no Decreto-Lei n.º 247/91?
Acharam que a formação que tiveram ao nível da licenciatura (4 anos) foi adequada às funções a desempenhar nas bibliotecas para profissionais com formação específica de 2 anos?

Confesso que estas e outras perguntas às vezes andam pela minha cabeça... Se estiver por ai alguém que me possa ajudar, agradecia!

quarta-feira

Blog Action Day 2008 - poverty

Este ano o tema seleccionado para causar muito buzz em toda a blogosfera pelo Blog Action Day foi o tema da pobreza.
Porque cada um pode contribuir para o fim deste flagelo mundial aqui fica este modesto contributo.



"A pobreza não nasce da diminuição dos haveres, mas da multiplicação dos desejos." (Platão)




"A súbita pobreza abriu-lhes os olhos, que a riqueza lhes havia mantido fechados." (Giovani Boccaccio)



"Para quem nasceu pobre é mais fácil suportar a pobreza." (Quintiliano)

segunda-feira

Palavras Andarilhas

Nunca estive nas Palavras Andarilhas. Dizer isto quando ainda está fresca a edição de 2008 até pode parecer politicamente incorrecto, mas é verdade.

Talvez seja uma grande falha na formação de um bibliotecário que trabalha numa biblioteca pública, mas até ao momento ainda nunca se proporcionou estar presente neste grande encontro de narração oral e de promoção da leitura.
Desde 2003 que vejo os meus colegas e ir a regressar deste grande evento e ouço com muita atenção as suas histórias, experiências e conhecimentos que trazem deste evento.
Para o próximo ano prometo fazer os possíveis para estar em Beja no final de Setembro.

Para quem ainda tenha dúvidas sobre o que são as Palavras Andarilhas aqui fica este evento apresentado pela Cristina Taquelim.

quarta-feira

Conversas de biblioteca XII

Bibliotecário (B) - Boa tarde! Estou a falar com a FRJ?
Leitor (L) - Boa tarde! Sim, sou eu!
B - Daqui fala da biblioteca municipal. Estou a telefonar-lhe para lhe pedir que entregue o livro que tem consigo, porque o prazo de empréstimo já terminou na semana passada, a 30 de Setembro.
L - Ah pois, eu sei! Peço desculpa, mas por agora não posso entregar o livro porque trabalho durante a semana.
B - A biblioteca está aberta aos Sábados. Se quiser pode vir devolvê-lo nesse dia.
L - Não, é isso! O senhor não percebeu. Eu preciso deste livro durante este semestre e só me dá jeito entregar lá para Fevereiro.
B - Bem, se apenas devolver o livro em Fevereiro vai ficar com um penalização e não poderá requisitar mais documentos durante algum tempo. Além disso, dessa forma vai impedir outros leitores de consultarem o livro.
L - Pois eu compreendo! Mas não vou entregar o livro, só lá para Fevereiro! Adeus, boa tarde!

Tivesse a menina tanto civismo, respeito pelos outros e pelos serviços prestados pelas bibliotecas públicas, como era educada e gentil (ao telefone) e não havia nada de estranho nesta conversa.

terça-feira

7º encontro nacional | 5º internacional de investigacão em leitura, literatura infantil & ilustracão

"Os Encontros de Investigação em Leitura, Literatura Infantil e Ilustração decorreram de 1999 até 2002 com uma periodicidade anual passando, a partir desta data, a decorrer apenas de 2 em 2 anos, privilegiando-se, em cada ano, uma área temática. Em 2008 a área temática a privilegiar é a da Literatura Infantil.
Estes Encontros têm como objectivos dar a conhecer e divulgar a investigação que se produz nestas áreas, bem como reflectir sobre as práticas docentes que se realizam nas instituições de ensino superior, e têm reunido na Universidade do Minho, em Braga, um grande número de investigadores do país e do estrangeiro, docentes que leccionam na formação de professores, bem como docentes de vários níveis de ensino."

As Bibliotecas Municipais de Oeiras estarão representadas no 7º encontro nacional | 5º internacional de investigação em leitura, literatura infantil & ilustracão com um poster com o título: Centro Oeiras a Ler - um opção estratégica para a promoção da leitura nas Bibliotecas Municipais de Oerias.
Imagem: IEC

O LIVRO, por Lygia Bojunga

Performance "O Livro", por Lygia Bojunga

Biblioteca Municipal de Algés
1 de Outubro - 21:30

"Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede, deitado, fazia degrau de escada; inclinado, encostava num outro e fazia telhado.
E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro."
Lygia Bojunga
Imagem: Silvana Marques

quinta-feira

Lisboa acolhe em Janeiro congresso internacional sobre promoção da leitura

Lisboa acolhe em Janeiro um congresso internacional sobre promoção da Leitura, que juntará na Fundação Calouste Gulbenkian escritores, técnicos e especialistas de todo o mundo.

"Formar leitores para ler o mundo" decorrerá nos dias 22 e 23 de Janeiro e é uma iniciativa da Casa da Leitura, um portal na Internet dedicado à divulgação de literatura infanto-juvenil portuguesa e estrangeira.
"Será a primeira grande conferência em Portugal sobre a promoção da leitura e vai trazer os melhores especialistas para falar sobre o tema com uma linguagem que fuja ao jargão académico", disse António Prole, responsável pela Casa da Leitura, à agência Lusa.

Para falar sobre formação de públicos, estratégias de leitura e projectos para a promoção da leitura foram convidados, por exemplo, o escritor espanhol Fernando Savater, o autor francês Daniel Pennac (ainda por confirmar) e José Barata-Moura.
Michel Fayol e Galeno Amorim, dos observatórios de leitura de França e do Brasil, respectivamente, Dolores López-Casero, do Centro Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Espanha, e António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, também marcarão presença em Lisboa.

Na conferência serão ainda divulgados os resultados de três anos de trabalho do projecto Casa da Leitura, criado em 2005 pela Fundação Calouste Gulbenkian.

In Visão on-line.
Imagem: Casa da Leitura

Espero conseguir assistir a este grande evento em torno da promoção da leitura. Por enquanto ainda não está disponível mais informação na página da Casa da Leitura, mas vamos ficar atentos!

terça-feira

José Saramago também é blogger

A partir de agora, o Nobel da Literatura português vai "comportar-se como mais um dos blogueiros que povoam o ciberespaço", informa uma nota da Fundação.

"Na sua primeira participação - lê-se ainda -, Saramago faz uma dupla: explica o porquê desta aventura, voltando aos Cadernos de Lanzarote, antecedente de estes outros cadernos, e recupera um texto sobre Lisboa, uma carta de amor à sua cidade, porque nenhuma outra fórmula seria melhor para iniciar um novo caminho".

Em preâmbulo ao texto - um artigo sobre Lisboa "escrito há uns quantos anos" - Saramago confessa ter-se emocionado quando o reencontrou, ao mexer "nuns quantos papéis que já perderam a frescura da novidade".

"Talvez - explicou - porque não se trate realmente de um artigo, mas de uma carta de amor, de amor a Lisboa. Decidi então partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog".

A apresentação, disponível em http://www.josesaramago.org ou em http://blog.josesaramago.org, inclui um vídeo com fotos de Luís Pavão e música de Carlos Paredes.

Podemos continuar a ler os cadernos de José Saramago aqui.

In RTP online.
Imagem: FJS

sexta-feira

Curso de Pós-Graduação em Livro Infantil

Como prova de que a formação de bibliotecários começa a ter novas áreas de especialização. Caso disso é o novo curso de Pós-Graduação em Livro Infantil, organizado pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica.

Desde há alguns anos que a formação de bibliotecários começou a mudar. Os próprios profissionais começaram a sentir que a prática profissional quotidiana exigia um conjunto de competências aos quais os conteúdos das pós-graduações já não conseguiam dar resposta. O aparecimento de licenciaturas e mesmo de mestrados na nossa área não conseguiam muitas vezes contribuir com os conhecimentos necessário e ambicionados pelos profissionais.
Felizmente vão surgindo no horizonte alguns sinais de que urge desenvolver formação em áreas onde ainda temos mais fragilidades: a promoção da leitura, a gestão de recurso humanos, de projectos, de orçamentos, a sociologia da leitura, etc.
Para já aqui temos esta oferta formativa que irá concerteza despertar o interesse de muitos profissionais.

"Este curso pretende ser uma resposta concreta às lacunas de formação específica sentidas por profissionais, provenientes de diversas áreas disciplinares, em relação ao livro infantil.
Multifacetado e complexo pela sua natureza transversal, este objecto de estudo profundamente contemporâneo convoca um conjunto de saberes articulados - teóricos e práticos - que vão das questões de natureza textual (relativas ao texto verbal e à ilustração), passando pela edição, chegando aos usos e práticas em diversos contextos.
Deste modo, elaborámos um programa centrado no conhecimento dos livros infantis, que pudesse simultaneamente ser diversificado, perante perspectivas profissionais distintas: educação, edição, cultura, arte, crítica. O curso foi assim concebido para um público-alvo que não se confina a recém-licenciados, dirigindo-se igualmente aos que desejem alargar o seu campo de saberes e/ou privilegiem a actualização de conhecimentos nesta área, nomeadamente, bibliotecários, professores, educadores de infância, animadores culturais, editores, livreiros, ilustradores, etc."
Mais informações aqui.

quarta-feira

Viaggi di Architettura

A Viaggi di Architettura é uma empresa italiana que trabalha no sector do turismo desde 1952. A secção de Turismo de Arquitectura reúne um conjunto de diferentes profissionais ( arquitectos, jornalistas, designer, fotógrafos, professores e estudantes de arquitectura) de várias países.
A proposta apresentada por este empresa, em colaboração com especialistas na área do turismo, pretende oferecer um serviço altamente especializado e de qualidade superior.
A Viaggi di Architettura organiza visitas guiadas para quem queira melhorar os seus conhecimentos técnicos sobre a arquitectura de várias cidades, através de um acompanhamento personalizado e facilitado a vários tipologias de edifícios, incluindo aqueles normalmente interditos ao público. Os vários percursos especializados cobrem todos os continentes e cada viagem é preparada de forma personalizada e tendo em atenção os interesses e os conhecimentos do grupo.
Apesar dos itinerários serem sempre pré-definidos por uma equipa de especialistas, não está excluída a realização de viagens a cidades fora dos roteiros estabelecidos.

Na sua página podemos ver várias rubricas de entre as quais destaco - "The best of..." - aqui são referidas 18 bibliotecas que constituem o The best of Biblioteche.
Para além da referência a grande edifícios de bibliotecas como o "Diamante Negro" em Copenhaga, a Biblioteca Pública de Seatle ou a biblioteca do Campus de Utrech surgem também nesta lista 2 bibliotecas portuguesas:

- A Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Porto - José Manuel Soares, 2001)
- A Biblioteca da Universidade de Aveiro (Aveiro - Álvaro Siza 1995)

Pessoalmente tenho de reconhecer que o edifício da Biblioteca Almeida Garrett é de facto digno de referência tanto no que diz respeito às soluções arquitectónicas dos interiores como ao trabalho de implantação do edifício no terreno. A Biblioteca da Universidade de Aveiro ainda aguarda uma visita.

Para quem tiver interessado o próximo percurso da Viaggi de Architettura será a Lisboa nos dias 10, 11, 12 e 13 de Outubro. Mais informações sobre as condições de participação aqui.

Um agradecimento ao Fernando Vilarinho pela divulgação desta informação e os meus parabéns pelo trabalho feito no Wetpaint (Directório de Bibliotecas) e pela referência no site desta empresa como fonte de informação sobre a Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

terça-feira

Apenas para que conste: Google chrome

Já chegou o Google Chrome - um browser desenvolvido pela Google - com direito a Vídeo e Banda Desenhada, para rivalizar com o IE da Microsoft.

Para quem quiser saber a história deste novo browser aqui fica este vídeo:



Apesar das promessas de RAPIDEZ, ESTABILIDADE, SEGURANÇA, O BROWSER INVISÍVEL, CÓDIGO ABERTO, ainda estou muito satisfeito com a flexibilidade e estabilidade do Firefox!

Se ainda estiverem na dúvida sobre que browser utilizar (Google Chrome, Firefox e IE) têm aqui (mais um) vídeo que faz a comparação entre os 3 grandes.

Divirtam-se e boa escolha!

segunda-feira

Assalto na biblioteca

Depois de umas (curtas) férias nada como contar com o humor dos colegas para facilitar o regresso...
Obrigado RALG!

quarta-feira

Conversas de biblioteca XI

Um senhor entra apressado na biblioteca e diz:

- Boa tarde! Disseram-me que aqui vocês emprestam livros sem se pagar, é verdade?
- Boa tarde! Sim, aqui na biblioteca emprestamos livros, CD's. DVD's e revistas de forma gratuita. Para isso só tem de se inscrever como leitor da biblioteca - responde o bibliotecário.
- DVD's e CD's não me interessam porque não tenho muito tempo livre, e sempre que posso prefiro ler um livro. Mas vamos então fazer a minha inscrição, pode ser? - responde o senhor com ar decidido.

Após efectuar a inscrição o senhor desabafa, enquanto olha em volta:
- Trabalho aqui ao lado num restaurante há mais de 15 anos e nunca tinha entrado aqui. Infelizmente só agora fiquei a saber o que vocês fazem aqui. É que eu queria muito acabar de ler um livro. É que sabe o que me aconteceu... eu estava a ler um livro que um cliente se esqueceu no restaurante e antes de terminar o senhor apareceu para o vir buscar... E eu agora quero saber como acaba a história!
- Vamos então ver se temos o livro que procura. - responde o bibliotecário.

No meio de muitos agradecimentos e cumprimentos, o senhor lá foi saindo enquanto tentava localizar o capítulo onde que tinha ficado.

segunda-feira

Grupo de Leitores na TV

Chama-se Richard & Judy Book Club, tem presença fixa nos ecrãs da BBC e, dizem as estatísticas e as contas de editores e livreiros, são responsáveis por 26 % das vendas do Top 100 britânico. O sucesso do Clube é de tal ordem - muitos editores apressam-se a reforçar as tiragens de obras referenciadas - que algumas obras obscuras, ou votadas ao anonimato, tornam-se verdadeiros best-sellers no espaço de uma curta emissão catódica.
A título de exemplo, o romance "The Star of the Sea", de Joseph O'Connor, demorou dois anos para vender 14 mil exemplares. Referenciado pelos responsáveis do Clube (que surgem na imagem), a sua tiragem rapidamente chegou aos 600 mil exemplares. Pode aceder ao site em www.richardandjudybookclub.co.uk
In Os meus livros (Julho 2008)

Então e por cá... Num país onde a indústria do livro parece ser um mercado bastante apetecível para grandes empresas internacionais, que estudos existem sobre o impacto dos media na leitura e já agora também na compra de livros?
Pelo que tenho lido os estudos sobre o mercado livreiro e editorial em Portugal são praticamente inexistentes; seja porque a indústria não se interessa, seja porque não existe vontade política ou ainda porque estas e outras questões relacionadas com a Sociologia da Leitura ainda não preocupam a sociedade académica.
Quem não se lembra dos tempos em que "os livros de Marcelo Rebelo de Sousa" aos fins-de-semana faziam aumentar as vendas na segunda-feira seguinte?
Conheci pessoas que trabalhavam em livrarias e para as quais ver este programa ajudava bastante os cliente que menos atentos sabiam títulos, autores, capas ou simplesmente que era um livro referido pelo Prof. Marcelo.

Que impacto têm nas vendas (e já agora nos empréstimos das bibliotecas) as referências de Paula Moura Pinheiro e Filipa Melo no programa Câmara Clara? Ou as entrevistas de Bárbara de Guimarães no Páginas Soltas?
Pessoalmente não faço ideia.
Aquilo de que me apercebo no dia-a-dia, é que as livrarias estão a fazer um bom trabalho de promoção de leitura, porque são cada vez mais as pessoas que aparecem na biblioteca para saber se temos um livro que estava numa livraria.
É caso para dizer: - Obrigado livrarias de Portugal!
Foto: RJBC

sexta-feira

Congresso Mundial de Bibliotecas e Informação - 74º Congresso e Conselho Geral da IFLA

Ainda não foi este ano que consegui estar presente num Congresso da IFLA... Das várias pessoas que conheço que já tiveram oportunidade de estar presentes num deste Congressos, todas são unânimes em afirmar que vale a pena participar - pelos temas das apresentações, pelos contactos, pelo vertente social também - mas acima de tudo para nos apercebermos da verdadeira dimensão da classe dos bibliotecários.

Enquanto a minha oportunidade não chega (quem sabe no próximo ano em Milão!) aqui fica marcado o início do Congresso Mundial de Bibliotecas e Informação - 74º Congresso e Conselho Geral da IFLA, este ano com o tema "Bibliotecas sem fronteiras: navegando em direcção ao entendimento global".
De 10 a 14 de Agosto, bibliotecários de todo o mundo reúnem-se no Canadá (Quebec) para através de uma ampla programação abordarem alguns dos temas mais actuais da profissão.

Com base no programa destaco como (talvez) alguns dos momentos mais interessantes os seguintes:

- A projecção para todos os inscritos no Congresso do filme "The Hollywood Librarian";
- A apresentação da nova versão das guidelines "Library services for young adults";
- A apresentação de Heather Gendron (EUA), "Libraries without Borders: Navigating Towards Global Understanding Don’t fence me in! Reconsidering the role of the librarian in a global age of art and design research";
- A apresentação de Bob Glass (EUA), "Using web 2.0 technologies to develop a sense of community for emerging LIS Professoinals";
- A apresentação de Corinne Laverty (Canadá), "Information Literacy by Design: An e-Learning Wiki for Librarians";
- As apresentações da secção Library theory and research, que este ano tem como tema: libraries as space and place: theoretical approaches;

- A apresentação de Kirsten Andersen, "Canada's Teen Reading Club";
- A sessão "Libraries and Web 2.o discussion group";


Toda a informação está disponível na página da IFLA.
Imagem: IFLA

quinta-feira

Informação na Internet e Gestão do Conhecimento

De 27 a 30 de Julho realizou-se no Brasil o 2º Seminário sobre Informação na Internet que teve como objectivos analisar os aspectos relacionados com a transmissão, armazenamento, preservação e divulgação da informação através da internet, bem como as políticas nacionais de conteúdos digitais e de governança na Internet com vistas a uma adequada inclusão digital da sociedade.

Paralelamente realizou-se de 31 de Julho a 1 de Agosto o 2º Congresso Ibero-Americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva que teve principais objectivos discutir o papel da Inteligência Competitiva e da Gestão do Conhecimento nas políticas públicas e no sistema de ICT, inclusivé na informação científica, tecnológica e industrial, com suas infra-estruturas: sistemas, redes, centros, produtos e serviços de informação, pesquisas, cursos, eventos técnico-científicos e associações profissionais.

As apresentações feitas nestes 2 eventos estão disponíveis aqui.
Imagem: IBICT

sexta-feira

No to age banding ou a orientação da leitura no seu pior

Afinal não é só por cá que se querem fazer coisas estranhas!

A Associação de Editores do Reino Unido (The Publishers Association) está preparar um documento com o objectivo de passar a ser obrigatório que todos os livros infantis e juvenis tenham a indicação da idade em que a sua leitura é recomendada!
Para qualquer pessoa com noções básicas sobre promoção do livro e da leitura e com algumas noções sobre sociologia da leitura sabe que muito poucas decisões podem ser tão disparatadas como esta!
Muito embora esta medida possa parecer de grande utilidade para país, educadores e professores, trará sérias desvantagens e inconvenientes para aqueles a quem se destinam - os leitores!

Este é o texto da petição on-line que está a decorrer.

We are writers, illustrators, librarians, teachers, booksellers, publishers, educationalists, psychologists, parents and grandparents. Some of the writers and illustrators have a measure of control over what appears on the covers of their books; others have less.

But we are all agreed that the proposal to put an age-guidance figure on books for children is ill-conceived, damaging to the interests of young readers, and highly unlikely, despite the claims made by those publishers promoting the scheme, to make the slightest difference to sales.

We take this step to disavow publicly any connection with such age-guidance figures, and to state our passionately-held conviction that everything about a book should seek to welcome readers in and not keep them out.

Here are some of our reasons:

- Each child is unique, and so is each book. Accurate judgments about age suitability are impossible, and approximate ones are worse than useless;

- Children easily feel stigmatized, and many will put aside books they might love because of the fear of being called babyish. Other children will feel dismayed that books of their ‘correct’ age-group are too challenging, and will be put off reading even more firmly than before;

- Age-banding seeks to help adults choose books for children, and we're all in favour of that; but it does so by giving them the wrong information. It’s also likely to encourage over-prescriptive or anxious adults to limit a child's reading in ways that are unnecessary and even damaging;

- Everything about a book is already rich with clues about the sort of reader it hopes to find – jacket design, typography, cover copy, prose style, illustrations. These are genuine connections with potential readers, because they appeal to individual preference. An age-guidance figure is a false one, because it implies that all children of that age are the same;

- Children are now taught to look closely at book covers for all the information they convey. The hope that they will not notice the age-guidance figure, or think it unimportant, is unfounded;

- Writers take great care not to limit their readership unnecessarily. To tell a story as well and inclusively as possible, and then find someone at the door turning readers away, is contrary to everything we value about books, and reading, and literature itself.

A petição está disponível aqui.
Foto: NFS

quinta-feira

BNP apresenta nova versão do serviço online PORBASE

A Biblioteca Nacional de Portugal apresenta a nova versão do serviço online PORBASE, centro nacional de informação bibliográfica, com alterações ao nível gráfico e de funcionalidades.
A nova versão vai incluir uma actualização da aplicação HIP (Horizon Information Portal) e uma nova estrutura informática, no seguimento das remodelações iniciadas no início de 2008.
A BNP congrega cerca de 170 bibliotecas cooperantes. Na sua versão actual, a PORBASE mantém-se sincronizada com o catálogo, recentemente autonomizado, da BNP.

quarta-feira

Decreto-Lei n.º 121/2008 de 11 de Julho

Foi publicado no passado dia 11 de Julho a legislação que extingue as carreiras e categorias na administração pública cujos trabalhadores transitam para as carreiras gerais.
Para aqueles que ainda tinham esperança que a carreira de Técnico Superior de Biblioteca e Documentação e de Arquivo viesse a ser integrada no grupo das "carreiras especiais", o sonho terminou aqui.
Muito embora a nossa carreira cumprisse alguns dos requisitos necessários para ser considerada "especial", tal não se verificou, e por isso aquando da entrada em vigor do Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas, passaremos a ser somente Técnicos Superiores (carreira geral).
Outras questões à parte, mas não menos importantes, penso que esta pode ser uma oportunidade para nos mobilizarmos social e politicamente pela nossa formação numa área específica, nas nossas competências profissionais e pela manutenção de projectos e programas em que somos elementos fundamentais para a sua concretização.
Quem sabe se ao deixarmos de ser apenas um "tipo" de Técnicos Superiores, não podemos criar um verdadeiro sentido de classe com vista a uma maior união de todos os profissionais?

Texto integral da legislação aqui.