sábado

eBooks: Tipping or Vanishing Point?

Para quem como eu anda a tentar inventar uma desculpa para comprar um leitor de e-books, deixo aqui uma referência a um interessante artigo publicado no último número da revista Ariadne. Será desta que me decido a avançar com a compra...

Título: eBooks: Tipping or Vanishing Point?

Autor: Emma Tonkin (Universidade de Bath)

Resumo: "Due in large part to the appearance since mid-2006 of increasingly affordable devices making use of e-Ink technology, the ebook has gone from a somewhat limited market into a real, although presently still niche, contender. Amazon sold 500,000 Kindles in 2008; Sony sold 300,000 of its Reader Digital Book model between October 2006 and October 2009. In September 2009, ebooks represented between 1% and 3% of the total US publishing market.

Following the JISC National eBooks Observatory Study in the UK, one participant, David Nicolas, was quoted as stating that ebooks have 'reached the tipping point'. Keeping in mind Bohr's statement that, 'prediction is very difficult, especially about the future', it's nonetheless safe to say that publicity about these devices is currently at a high point. But for ebook readers this is not their first time in the spotlight."

Ariadne, n.º 62 (Jan. 2010)

sexta-feira

Do School Libraries Need Books?

Na sequência de um notícia publicada pelo Boston Globe em Setembro de 2009, a edição online do New York Times do dia 10 de Fevereiro, relança o debate em torno de uma questão polémica: Será que as bibliotecas escolares ainda necessitam de livros?


Keeping traditional school libraries up to date is costly, with the constant need to acquire new books and to find space to store them. Yet for all that trouble, students roam the stacks less and less because they find it so much more efficient to work online. One school, Cushing Academy, made news last fall when it announced that it would give away most of its 20,000 books and transform its library into a digital center.
(NYT, 10. Feb. 2010)

Opiniões de 5 especialistas ajudam a perceber os prós e contras desta decisão!

Algumas frases interessantes:

"
It is immaterial to us whether students use print or electronic forms to read Chaucer and Shakespeare."

"
Walking the stacks can be like getting a glimpse of a Web site’s source code."

"
Libraries need to hold on to things that work well even as they keep up with new technologies."

Geração copy/paste


A revista Domingo Magazine (suplemento do Diário do Notícias) dá destaque à questão da literacia da informação: Geração Copy/Paste.

Num artigo que apresenta algumas das conclusões de um estudo em Ciência da Informação, coordenado por Armando Malheiro, da Universidade do Porto que tem como título: A Literacia informacional no Espaço Europeu do Ensino Superior (EEES): estudo da situação das competências da informação em Portugal.

Apesar do artigo estar bem escrito e apresentar dados bastante interessantes, os resultados não são totalmente novidade para quem trabalha em bibliotecas (públicas) e regularmente lida com os chamados pré-adolescentes ou os acompanha nos trabalhos escolares.
A grande questão que se coloca é o que vamos nós, profissionais da informação ou as bibliotecas (escolares, públicas e universitárias), fazer para modificar este cenário? Qual será o nosso papel? De forma podemos contribuir para alterar este quadro de (i)literacia da informação?

Aqui ficam alguns dados interessantes:

"Os jovens de hoje são exímios utilizadores dos computadores e da internet mas nem por isso são gente mais informada. Pelo contrário. Apesar de 99 por cento deles possuírem e manipularem as novas tecnologias, manifestam uma confrangedora incompetência ao nível da pesquisa, selecção, tratamento e transformação da informação que seleccionam."

"A pesquisa mostra que ao excelente apetrechamento e manuseamento tecnológico dos jovens não se alia um bom desempenho das competências e capacidade na busca e uso da informação no quadro definido pelo Espaço Europeu de Ensino Superior (EEES) e da sociedade da informação/conhecimento. "

"«Procurámos alargar o conceito de literacia no sentido de perceber não apenas como é que as pessoas buscam informação, mas também o tipo de necessidades que as levam a procurá-la e o modo como elas se relacionam com o meio envolvente, nomeadamente, a escola e a família», sintetiza Armando Malheiro. Que atenção é dada nas universidades – e se ela foi, ou não, já prestada no secundário – ao processo de busca, selecção, uso e transformação eficiente de fontes de informação diversas é a grande questão colocada pela pesquisa. "

"«Ficam satisfeitos com os primeiros resultados das buscas. Manifestam uma postura acrítica das fontes e dos resultados obtidos», observa o investigador, ensaiando uma possível explicação para a situação: «Sentem-se auto-suficientes porque dominam o acesso e as condições de acesso tecnológico.» A possibilidade e facilidade de acederem como e sempre que quiserem a um manancial gigantesco de dados parece conferir aos jovens um forte sentimento de apropriação da informação, libertando-os das tarefas mais duras de aquisição do conhecimento."

"USO DOS RECURSOS DA NET
> Lazer: YouTube, Hi5, Messenger, downloads lideram com taxas que chegam a ultrapassar os 50% nos alunos universitários e os 60% nos dos secundário para o caso, por ex. do Messenger.
> Websites de bibliotecas, B-On (Biblioteca Online) e bibliotecas digitais com as taxas mais baixas, não atingindo os 5% nos dois níveis de ensino.
"

"VISITAS À BIBLIOTECA ESCOLAR (BE) E DA FACULDADE (BF)
> 23,6% dos alunos do secundário e 15,9% do superior nunca visitaram bibliotecas desde o 1.º ciclo.
> Verifica-se uma maior afluência no 3.º ciclo (68,6% e 60,9% do secundário e do superior, respectivamente), seguido do 2.º ciclo (47% e 42,3%).
> Só uma minoria frequenta regularmente as bibliotecas. A maioria recorre a estes espaços para estudar.
"

"UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS DAS BE/BF
No ensino secundário
> Mais de 50% não utilizam os recursos disponíveis nas bibliotecas (catálogo, biblioteca digital, catálogo electrónico, bases de dados), com excepção do acesso livre (mesmo assim, 26,5% nunca o utilizaram).
No ensino superior
> Alunos utilizam uma maior diversidade de recursos, mas a sua utilização é baixa. A opção «nunca» recolhe percentagens superiores a 33% e no caso do catálogo atinge os 52%.
> O acesso livre é o recurso mais utilizado, mas só 23,5% o faz frequentemente.
"

"VISITAS À BIBLIOTECA PÚBLICA (BP)
> Foi grande a percentagem de inquiridos que não responderam. Dos que responderam, metade (tanto do secundário como do superior) nunca usou os recursos disponíveis.
"

Artigo completo aqui.
Img: DN
(Via Facebook de Antonio Merlo Vega)

quarta-feira

quinta-feira

Estudo "Promoção da Leitura nas Bibliotecas Públicas"

O Observatório das Actividades Culturais acabou de publicar mais um interessante estudo sobre "Promoção da Leitura nas Bibliotecas Públicas".
Coordenado por José Soares Neves e com a colaboração de Maria João Lima, este estudo foi encomendado pelo GEPE/Ministério da Educação ao Instituto de Ciências Sociais-Universidade de Lisboa no âmbito do Plano Nacional de Leitura.

"Quais os serviços e espaços de que dispõem as bibliotecas públicas municipais?
Quantos os utentes? Quais as actividades realizadas, com que regularidade e com que objectivos? Quais os destinatários ou públicos-alvo dessas actividades? Em que locais se realizam? Em que contextos institucionais elas são promovidas e realizadas? Quais as orientações programáticas das políticas culturais para o sector?
Em concreto, em que medida as actividades correspondem às orientações do Plano Nacional de Leitura (PNL) de que as bibliotecas públicas são um dos parceiros estratégicos? Que desafios se lhes colocam face à evolução do sistema de ensino, um dos domínios de que mais se aproximam? Quais as opiniões dos bibliotecários protagonistas da condução quotidiana e da execução das actividades das bibliotecas? E que sugestões têm a fazer quanto às orientações seguidas, aos problemas com que se defrontam na sua prática profissional?

As bibliotecas públicas são o local/equipamento cultural por excelência da leitura. Desse ponto de vista, as suas actividades poderão ser consideradas, de uma ou de outra forma, como actividades de promoção da leitura. Mas é-lhes também solicitado que não esgotem as suas actividades nos acervos documentais que lhe conferem a sua especificidade, alargando as suas valências e funções, aproximando assim a noção de biblioteca da de centro cultural, por um lado e, por outro, tendendo a ser polimórficas (Bertrand, 1994: 9), ou seja, investidas de objectivos não apenas do domínio cultural," mas também educativo, cívico, urbano, mediático e económico. As bibliotecas são, assim, incentivadas a oferecer um conjunto diversificado de actividades de animação cultural, umas mais próximas dos acervos documentais, outras visando essencialmente animar as suas diversas valências. Animação cultural e promoção da leitura andam, assim, inevitavelmente, de par. Contudo, esta última orientação, se bem que omnipresente, vem ganhando maior peso nas orientações públicas, em particular com a criação do Plano Nacional de Leitura.

Neste contexto, serão animação cultural e promoção da leitura termos sinónimos, ou, pelo contrário, será possível e adequado estabelecer entre eles distinções conceptuais? O mesmo se poderá dizer quanto aos termos actividade e projecto, termos comummente utilizados para designar as iniciativas das bibliotecas. Em particular, será possível, e adequado, distinguir entre actividades regularmente realizadas nas bibliotecas e projectos cuja marca é o seu carácter singular?"

(Introdução)
Img: OAC

terça-feira

10º Congresso de BAD via web 2.0

O 10º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas que se realiza nos próximos dias 6, 7 e 8 de Abril em Guimarães chegou à web 2.0 com um forte presença nas principais redes sociais.

Desde hoje que todos podem seguir os desenvolvimentos do Congresso através do Facebook, Twitter, Youtube, Flickr e através do blog.

Parabéns à organização e aos dinamizadores desta ideia!

Facebook / Twitter / Youtube / Flickr / Blog



"O desenvolvimento, nas últimas décadas, das redes de comunicação digital e a sua utilização em todas as actividades dos indivíduos e dos grupos sociais criaram condições de comunicação sem paralelo na História da Humanidade e, consequentemente, de partilha de informação e de conhecimento.

A sociedade em rede, como vem sendo designada a nova forma de organização social baseada nas redes de comunicação digital, não garante o usufruto, contudo, por todos os membros da comunidade, da informação e do conhecimento veiculado por essas redes.

Para maximizar os benefícios sociais e económicos da sociedade em rede, é essencial formular e implementar políticas que, para além do acesso aos meios tecnológicos, optimizem a criação, o fluxo e a utilização de ideias e de informação. As bibliotecas, os arquivos e, em geral, os serviços de informação, enquanto agentes activos na cadeia da informação e infra-estruturas fundamentais para o desenvolvimento integral dos cidadãos e para as actividades de organizações públicas e privadas, constituem parte integrante de políticas de informação abrangentes e articuladas, nas quais devem ocupar um lugar central.

Com o tema “Políticas de Informação na Sociedade em Rede”, o 10.º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas constitui um fórum privilegiado de reflexão e debate sobre a nova geração de políticas de informação que, no início do século XXI, deverão ser definidas e postas em prática com o duplo objectivo de desenvolver recursos, serviços e sistemas de informação que sirvam toda a comunidade nacional e dotar os cidadãos portugueses com competências acrescidas de literacia da informação.

Em nome do Conselho Directivo Nacional e da Comissão Organizadora do Congresso convido, pois, todos os profissionais de informação e documentação a partilharem o espaço privilegiado de desenvolvimento profissional que o 10º Congresso irá seguramente corporizar e o momento de convivência e confraternização em que, uma vez mais, se transformará esta reunião magna."

Mensagem de abertura, por António Pina Falcão

quarta-feira

IFLA Wanted: LIS students!

May we kindly ask you to distribute the following information to your international and national mailing list, blogs ... etc.

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We strongly encourage LIS students from all over the world to apply for the “IFLA Library and Information Science (LIS) Student Paper Award 2010 ”

Coordinated by the IFLA Section Education and Training Standing Committee (SET SC), sponsored by "Service for Libraries - ekz" <http://www.ekz.de/>.

The target group is LIS students from all over the world, who are enrolled in a course of study for the “first professional qualification” (e.g. bachelor/graduate diploma/master) in the country of study. All IFLA Sections are requested to open their Call for Papers to students. Accepted student papers will be presented either in the relevant Section’s conference session or, if appropriate, in the SET Open Session.

The award for the first place winner of the IFLA LIS Student Paper Award 2010 includes: Current IFLA Congress registration fee plus grant for economy airfare and economical lodging, up to 2600 €, 1 year’s free IFLA membership, and publication of the paper in the IFLA Journal. Second and third place finalists will receive a certificate.

Please see more information at
http://www.ifla.org/en/set/student-paper-award-2010

Children who use technology are 'better writers'


"The more forms of communications children use the stronger their core literary skills."
Jonathan Douglas (National Literacy Trust)

Para quem trabalha em bibliotecas públicas e está atento ao espaço infantil fica sempre um pouco desapontado quando vê que a maioria das crianças procura a biblioteca em grande parte por causa do acesso à internet... e não exactamente pelos livros.

Mas não é de admirar... quando pensamos que a equação é posta desta forma: "queres ler um livro ou ir para o computador jogar, conversar ou ver vídeos?"

Para quando bibliotecas públicas com uma consola de jogos e uns computadores com acesso a a páginas seleccionadas ou software educativo de qualidade e actualizado ou com um laboratório com computadores para edição de som e imagem digital para que se possa ilustrar a história da "hora do conto"?!

Claro que isto pressupõe uma mudança no paradigma das bibliotecas públicas, na sua forma de organização espacio-funcional e retoma a questão da formação e qualificações dos funcionários das bibliotecas!

img: kidsandcomputers

sábado

Conferência "A Dimensão Económica da Literacia em Portugal: uma análise"

Na passada 4ª feira, dia 2 de Dezembro, decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian a conferência de apresentação do estudo "A Dimensão Económica da Literacia em Portugal: uma análise".
Realizado por uma equipa de especialistas internacionais, o estudo concentra-se nos efeitos da literacia a nível individual e económico, bem como nas medidas tomadas para a sua melhoria, como o caso do Plano Nacional de Leitura.
O analista e autor do estudo T. Scott Murray da DataAngel Policy Research Inc., responsável pelo relatório, apresenta as conclusões na página 118 e seguintes...
Infelizmente não mostram um cenário animador.

Aqui ficam algumas das notícias encontradas:
Notícia do Público / Portal do Governo / EDUCARE /

Img: PNL
O estudo está disponível aqui.

segunda-feira

Competency Index for the Library Field

Aqui fica mais um importante documento que pretende reunir e sintetizar um conjunto de competências necessárias para o bom desempenho da profissão.
Depois do "Euro-referencial I D" elaborado pelo ECIA e editado pela INCITE e do "Référentiel des métiers et fonctions" da ADBS, este é mais um documento para nos ajudar a sistematizar competências e dar prioridade aquelas que são aplicáveis nas nossas bibliotecas.

"WebJunction has aggregated and synthesized competency definitions from a number of library organizations, subjected them to vigorous subject matter expert review, and published them in the attached Competency Index for the Library Field.

WebJunction intends for the Index to be a compilation from which a wide variety of libraries can build competency sets to meet their individual needs. Please feel free to download the pdf (1.85 MB), distribute widely, re-mix, and re-purpose as you see fit.

Competencies are always a work-in-progress."

Sobre a questão das competências e da própria formação dos profissionais será também interessante acompanhar os comentários ao post do Paulo Sousa no blog "A Informação" e os posts do Júlio Anjos no "Bibliotecário 2.0".

Afinal parece que a questão da representatividade da profissão e da formação dos profissionais actuais e futuros está na ordem do dia... Caso para dizer, "e esta hein?!"

Img: WebJunction

domingo

IV Encontro Ibérico EDIBCIC 2009

Nos próximos dias 18,19 e 20 de Novembro decorre na Universidade de Coimbra o IV Encontro Ibérico do EDIBCIC - Associação de Educação e Investigação em Ciência da Informação da Iberoamerica e Caribe.

Este Encontro será com toda a certeza uma oportunidade para repensar a profissão em Portugal numa altura em que a formação está numa fase de viragem... pela positiva e pela negativa.


Caso alguém da blogosfera esteja presente agradecem-se informações.



"A Ciência da Informação, enquanto área de docência e de investigação, tem sofrido, particularmente na última década, um processo de sedimentação e de consolidação no contexto ibérico como é amplamente demonstrado pelo crescimento dos programas de 1º ciclo e de pós-graduação e pela consolidação dos eventos científicos voltados para a discussão das perspectivas de pesquisa na área, espaços privilegiados de reflexão.

Neste contexto, os encontros do EDIBCIC aos quais, muito recentemente, Portugal passou a estar também associado, apresentam-se como elementos catalisadores de discussão e colaboração científica entre os docentes e investigadores com interesses semelhantes, independentemente da sua área geográfica de origem."

Img: EDIBCIC


Mais informações aqui.

Programa aqui.

sábado

Library 101: novas bases para bibliotecas



Vídeo de lançamento do site Library 101 em www.libraryman.com/library101/.

É um projecto criado por uma comunidade de bibliotecários a nível mundial, com ensaios, pensamentos, projectos, estudos e recursos para reflectir e alterar a actuação das bibliotecas de forma a que se tornem mais amigáveis, práticas, intuitivas e úteis de forma a acompanhar a evolução tecnológica.

Como sugere o Paulo Izidoro vamos lá ver quantas destas 101 competências é que maioria de nós ainda não domina... Complete List of Library 101 Skills

Via Bibliotequices

terça-feira

O camião do Plano Nacional de Leitura

Um dia após a III Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura o Centro Oeiras a Ler (Bibliotecas Municipais de Oeiras) realizou uma acção de formação com a investigadora do CIES-ISCTE Ana Rita Coelho membro da equipa responsável pela avaliação do PNL.

Apesar da coincidência de calendário entre a realização da Conferência e a acção de formação, esta já estava agendada desde Maio, a participação foi massiva em grande parte por professores, mas também por bibliotecários e alguns pais.

No passado Sábado foram abordadas algumas das questões centrais do PNL e ao longo de 6 horas houve oportunidade para se falar sobre contextos, concepções e realizações do PNL, apresentar resultados e impactos no terreno, bem como fazer um balanço sobre o papel no Plano no desenvolvimento da leitura e da literacia.
O debate foi especialmente enriquecedor dadas as diferentes perspectivas presentes e como a formadora era a responsável pelo avaliação, conseguiu-se alguma objectividade na discussão.

No final, todos foram unânimes a apontar algumas das principais falhas do Plano:

- o não envolvimento de todos os agentes potenciais (escola/família/biblioteca);
- dificuldades em articular as actividades do PNL com as actividades curriculares;
- falhas ao nível do plano de comunicação e na forma como os materiais de divulgação/promoção são distribuídos.

Uma ideia importante que também ficou desta acção foi que os objectivos do PNL estão muito além do próprio Plano e a forma como estes se podem concretizar depende de cada um de nós, enquanto indivíduos e enquanto agentes formais e informar de mediação e promoção da leitura.

Pelas conversas que tenho tido com alguns colegas de profissão, pais e professores julgo que falta um elemento de divulgação que permita apresentar o PNL como uma actividade nacional e que permita ligar todos os agentes. Como tive oportunidade de dizer à formadora durante o almoço faz falta a existência de um elemento mediático em torno do PNL...

Falta criar o camião Ler +!

Uma estrutura que andaria por todo o país a divulgar o PNL e a realizar actividades que interligassem escolas, bibliotecas, livrarias e famílias.


Aqui a minha sugestão para a nova equipa de Coordenação do Plano Nacional da Leitura!

Img: PNL e fedex

segunda-feira

Guia Interpretativo da NP EN ISO 9001:2000 na Administração Pública Local

"Um dos grandes desafios que as sociedades democráticas em todo o Mundo enfrentam nos dias de hoje é a necessidade de desenvolverem e manterem a confiança dos cidadãos nos órgãos e instituições do Estado.
A Administração Pública Local em Portugal desempenha um papel de elevada importância no desenvolvimento económico e social de Portugal, tendo assumido sempre no nosso regime democrático um papel de permanente acompanhamento da evolução da sociedade.

É nossa convicção, enquanto organismo certificador, que através da adopção de sistemas de gestão da qualidade e da sua certificação as entidades da Administração Pública Local podem controlar eficazmente as suas actividades, de modo a maximizar a satisfação dos seus clientes: os cidadãos que utilizam os seus serviços. A implementação de um sistema de gestão da qualidade fornece um modelo de gestão que permite assegurar a qualidade dos serviços prestados e promover, assim, a competitividade dos territórios por si administrados.

Uma Administração Pública Local com qualidade e em condições de gerar competitividade orienta-se para o cidadão, analisando e dando resposta às suas necessidades e expectativas de uma forma consistente e atempada, transmitindo deste modo confiança.

Actualmente verifica-se um aumento muito significativo do número de autarquias que investem na implementação e certificação de sistemas de gestão da qualidade de acordo com a NP EN ISO 9001:2000, apostando na diferenciação pelo mérito e na responsabilização pela prossecução dos objectivos.

A APCER com a publicação do presente guia interpretativo tem como objectivo principal facilitar a interpretação dos requisitos da norma NP EN ISO 9001:2000 quando implementada em autarquias ou entidades destas dependentes, tendo em consideração as suas particularidades e a vasta gama de actividades que desenvolvem."

(Prefácio do Guia)
Img: APCER

Um grande desafio para as bibliotecas públicas que centram a sua actividade nos utilizadores e não em lógicas de gestão interna. Uma boa leitura para quem procura garantir a satisfação das expectativas dos seus utilizadores, visando a qualidade dos serviços, numa lógica de qualidade total.

quinta-feira

Conversas de biblioteca XX (Nobel da Literatura)

Em dia de Nobel da Literatura e pouco tempo depois de ter feito um pequeno destaque (cartaz, material de divulgação da Academia Nobel, acompanhado do único livro disponível desta autora) entra na biblioteca uma senhora com uma lista de livros todos os alemão...

- Olhe, eu quero todos os livros que tiver sobre esta autora que você nem deve saber quem é!

- Bom dia, e qual é a autora que procura; posso ver a lista?! - responde o bibliotecário.

- Sim, mas não vai perceber nada da lista... são livros em língua germânica! - contesta a leitora.

Numa leitura rápida da lista, e pela leitura do primeiro título (Der mensch ist ein grober fasan auf der welt), o bibliotecário pergunta se se deve trata da bibliografia da Nobel da Literatura 2009 - Herta Müller.

A leitora muito admirada, exclama:
- Você conhece Herta Müller (dito com um forte sotaque germânico)?!?!?!

Ao que o bibliotecário responde:
- Escritora, ensaísta e poetisa alemã, de origem romena, nascida a 7 de Agosto de 1953, conhecida pelos relatos sobre as condições de vida especialmente difíceis dos romenos durante a ditadura de Nicolae Ceausescu. Posso também dizer-lhe que em Portugal apenas está publicado um livro, editado em 1993 pela editora Cotovia - "O homem é um grande faisão sobre a terra".
Quer que faça uma reserva para este livro?

Depois deste episódio o bibliotecário jamais negará as vantagens dos RSS feed e dos pequenos destaques sobre temas da actualidade que são feitos em bibliotecas.

quarta-feira

"2666" em Grupo de Leitores

Já todos devem ter ouvido falar do novo livro de Roberto Bolaño - "2666" - que é o mais recente e grande grande (o livro tem 1.032 páginas) romance do mercado.

O êxito e a receptividade dos leitores é tal (7.000 exemplares vendidos num fim-de-semana) que este título está em primeiro lugar nos TOPs de venda nacionais e até já motivou a criação de um Grupo de Leitores.

Esta excelente ideia está a ser organizada pela Casa da América-Latina, em colaboração com a Quetzal, que vai promover a partir de dia 12 de Outubro um Grupo de Leitores sobre os livros de autores latino-americanos publicados por esta editora na colecções série américas e série língua comum (autores brasileiros).

O Clube de Leitura das Américas - Livros que vêm dos mares do Sul, começa com a leitura da obra de Roberto Bolaño, "2666". Pela dimensão e importância deste livro, as sessões até Dezembro são dedicadas a este romance e serão conduzidas pelo crítico, jornalista e blogger José Mário Silva.

Estão marcados já dois encontros em Outubro (12 e 26), um em Novembro (16) e um em Dezembro. As inscrições são recebidas pela Casa da América Latina 213 955 309 ou geral@c-americalatina.pt <http://geral@c-americalatina.pt> e os participantes podem beneficiar de um desconto de 10% na aquisição do primeiro livro proposto.

Aqui está uma boa justificação (como qualquer outra!) para a criação de um Grupo de Leitores.


sexta-feira

Leio o que eu quero!

Banned Books Week é a única comemoração nacional (EUA) da liberdade de leitura. Iniciada em 1982 como resposta a uma repentina proibição de ler/vender diversos livros em escolas, livrraias e bibliotecas. Mais de 1000 livros foram proibidos desde 1982. As proibições surgiram em diversos estados e comunidades por todo o país. Aqui pode ser consultado o mapa dos livros proibidos nos EUA entre 2007 e 2009.
A maioria destes livros são proibidos devido a terem (aparentemente) um conteúdo sexualmente explicito ou à presença de violência, por referências profanas, à presença de linguagem em calão ou ainda por apresentarem quadros sociais ofensivos relacionados com grupos raciais, religiosos ou minorias sexuais.
Nesta lista de livros proibidos incluem-se obras clássicas da literatura universal ou dos EUA, bem como publicações recentes.

Banned Books Week é patrocinada pela American Booksellers Association, American Booksellers Foundation for Free Expression, American Library Association, American Society of Journalists and Authors, Association of American Publishers e pela National Association of College Stores. Apoiada pelo Center for the Book da Biblioteca do Congresso.




Para comemorar a Banned Books Week, Chad, Rustle, e Mooch, "The Crash Pad puppets", interpretam mal o que significa a BBW, ao tentar retirar da bibliotecas alguns livros com conteúdo inapropriado, tais como "Ratos e Homens", "As Vinhas da Ira", "A alegria de Cozinhar" e até mesmo a lista telefónica.
Uma forma divertida de alertar algumas consciências!!

Mais informações aqui.

Na semana da Banned Books Week e apesar de por cá ainda não termos de nos preocupar com este problema (pelo menos de forma declarada e oficial!) fica o convite a lerem tudo o que quiserem!

segunda-feira

Conversas de biblioteca XIX

Uma senhora aproxima-se do bibliotecário com 2 livros na mão e diz:
- Olhe, eu queria estes dois livros.

O bibliotecário olha para os livros e responde:
- Se pretende requisitar esses livros tem de o fazer no balcão de empréstimo.

- Eu não quero requisitar os livros. É o seguinte, eu tenho esta colecção toda, mas faltam-me estes dois, e o que eu queria era que me vendesse estes livros ou que me desse!!! - Responde a senhora com um ar decidido.

O bibliotecário pensa que ouvi mal e por isso relembra: - Aqui não vendemos livros e como deve saber não lhe posso dar esses livros. Pode sim, leva-los para ler em casa e devolve-los daqui a 15 dias.

Não, isso não quero - responde a senhora - eu queria mesmo era que me desse os livros ou então que os vendesse.

domingo

"Não interessa se vão todos ler os clássicos. Alguns vão, outros não."

A revista única, publicada com o Expresso deste Sábado, inclui na secção Corpo & Alma um artigo breve com Teresa Calçada, onde a Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares faz algumas declarações que não sendo novidade, ainda fazem muita falta serem ditas e lidas. Aqui fica uma passagem:

"Não tenho preconceito nenhum em relação ao que se lê. O importante é ler com competência, ler bem, independentemente dos suportes. Mais importante que perseguir receitas, é incentivar as práticas. (...) Não interessa se vão todos ler os clássicos. Alguns vão, outros não."

Como já aqui referi muitas vezes, fruto da minha experiência com Grupos de Leitores, importa não focar a leitura no objecto e/ou suporte (título, autor, assunto), mas no próprio leitor e na experiência de leitura que cada um pode ter.

Algo que a Opening the Book já descobriu faz alguns anos e que aplica nas bibliotecas inglesas. Conceitos como o de Reader Development e Reader-Centered Approach devem ser cada vez mais utilizados nas práticas diárias de bibliotecários e professores.
Img: Revista Única