Como até aquela altura poucas pessoas tinham tido acesso à documentação, grande parte dos documentos ainda se encontravam com organização deixada pelo próprio ou pelo seu filho que anos mais tarde tentou organizar o arquivo.
Neste trabalho de organização, inventário, transcrição e estudo de diversos documentos, tive oportunidade de ler cartas que o Primeiro Presidente da República Portuguesa escreveu e recebeu, manuscritos de discursos políticos, poemas, documentos pessoais e políticos e consultar o seus diários.
Das 2967 cartas, datadas entre 1868 e 1917, constam para além de numerosas cartas de Manuel de Arriaga, muitas outras de personalidades como Bulhão Pato, Latino Coelho, Teófilo Braga, Guerra Junqueiro, Basílio Teles, Duarte Leite, António José de Almeida, Afonso Costa, João Chagas e Brito Camacho, bem como um surpreendente conjunto de missivas anónimas, dirigidas ao recém-empossado Presidente da República, dando conta dos mais variados sentidos críticos e expectativas em relação à conturbada situação que vivia o regime republicano nos seus primeiros anos.
De todos os documentos consultado recordo em especial aqueles que davam conta das dificuldades por que Manuel de Arriaga passou enquanto primeiro Presidente da República e as condições em que viveu nesse período; muito tempo antes da noção de despesas de representação ou de estado. Para ficar a conhecer melhor este período sugiro a leitura do seu livro Na Primeira Presidência da República Portuguesa.
Aproveitando as comemorações da República aqui fica a homenagem a esta figura da República que ao longo da sua vida e do seu mandato como Presidente demonstrou ter personalidade, carácter e valores que mesmo naquele tempo já não eram muito comuns. Uma figura importante do movimento republicano português muitas vezes relegada para segundo plano.
Foi uma excelente oportunidade de trabalho e um grande privilégio poder consultar alguma da documentação mais importante para a compreensão da implantação da república em Portugal.
Manuel José de Arriaga Brum da Silveira nasce dia 8 de Julho de 1840 na cidade da Horta, Ilha do Faial da Região Autónoma dos Açores. É filho de Sebastião de Arriaga Brum da Silveira e de Maria Antónia Pardal Ramos Caldeira de Arriaga. Casa com Lucrécia de Brito Furtado de Melo, de quem tem seis filhos. Morre em Lisboa com 76 anos e vai a enterrar no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. No 16 de Setembro de 2004, os seus restos mortais são trasladados para o Panteão Nacional.Percurso profissional
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