sexta-feira

Conversas de Biblioteca XXXII

Uma senhora com c. de 70-80 anos entra na biblioteca e dirigindo-se ao técnico que está na zona dos computadores diz:

- Bom dia, por acaso posso pedir-lhe ajuda aqui com o meu iPad? Não sei se tem um... possivelmente também não sabe...

Com a disponibilidade que devia caracterizar quem trabalha numa biblioteca, o técnico responde:

- Olá, bom dia! Por acaso não tenho um iPad mas posso tentar ajudá-la. Em que é que precisava de ajuda.

Com um enorme sorriso a senhora agradece e tira um bloco da carteira. Procura as páginas onde tem algumas notas e pergunta:

- Olhe, o que eu queria saber era isto: 
O que é o iCloud e como funciona? 
Não consigo sincronizar o meu telemóvel com o iPad, porquê? Dá erro!
Como compro musicas no iTunes? Posso ouvi-las mesmo sem ligação à Internet?
Quando fecho a capa do iPad, o aparelho desliga-se? É que tenho reparado que a bateria está a gastar-se mais depressa?
Como consigo sincronizar o meu PC com o iPad para ter os documentos nos 2 sítios?

Depois de mais um bloco de perguntas, a senhora termina:
- Sabe, é que eu sou velha mas gosto de saber o que há de bom por ai!

Conversas de Biblioteca XXXI

Um leitor muito irritado aproxima-se do bibliotecário e diz falando muito alto:

- Estou farto de dizer que não podem colocar os classificados dos jornais no expositor... Sempre que não estou na biblioteca logo na abertura e procuro os classificados, nunca os encontro!!!!  Já disse que têm dos colocar presos com um fio ou então só os podem entregar a pedido e contra entrega do Bilhete de Identidade!! Só se quiserem que os anúncios de emprego só sejam vistos por algumas pessoas, não entendo porque continuam a deixar que os classificados desapareçam!

Com algum espanto, o bibliotecário responde:
 - Mas os classificados dos jornais estão sempre guardados na recepção! Caso queira consultá-los basta pedir! 

Muito rapidamente o leitor conclui:
- AAAAAhh... a não ser que sejam vocês que ficam com eles!! Sim, porque já ouvi dizer que para o ano os funcionários públicos vão ser despedidos... Huuuummmm... já estou a perceber, é isso não é??

quinta-feira

Opportunity for All How the American Public Benefits from Internet Access at U.S. Libraries


The rapid adoption of the Internet and computing technologies by all sectors of modern society has made them an indispensable part of our daily work and life. Yet not all individuals have consistent access to these resources—they may be unable to afford them, they may need basic training in how to use them, or they may be displaced from their normal access points.

Fortunately, public libraries have taken on the role as the provider of free public access to the Internet and computers for those who are not able to gain access elsewhere, for whatever reason. Whether it’s a business traveler who needs to check his or her office email when out of town or a homeless person who has no other means for finding social services to meet his or her needs, all Americans can count on the public library in their community for access to the Internet and computers, supported by staff trained to help users be successful in their interactions. This access has also proven to be critical in times of disaster, where libraries may be the only access point still operating that can provide a delivery point for government and social services to those displaced.

The results of this study clearly show that public libraries are a key element of America’s digital infrastructure, and that large numbers of people are using libraries’ public access services to meet their needs in health, education, employment, and other important areas. But it also shows that beyond the Internet connections and computers that libraries provide to make this possible, the one-on-one help and other resources librarians, library staff, and volunteers provide to the users is an important element in the success of these services.

Estudo completo disponível aqui.

Internet use increases the odds of using the public library

Title:Internet use increases the odds of using the public library
Author(s):Pertti Vakkari, (School of Information Sciences, University of Tampere, Tampere, Finland)
Citation:Pertti Vakkari, (2012) "Internet use increases the odds of using the public library", Journal of Documentation, Vol. 68 Iss: 5, pp.618 - 638
Keywords:Impact, Individual behaviour, Information searches, Internet, Public libraries, User studies
Article type:Research paper
DOI:10.1108/00220411211256003 (Permanent URL)
Publisher:Emerald Group Publishing Limited
Acknowledgements:This study was supported by the Finnish Library Foundation and the Ministry of Education.
Abstract:Purpose – The functional equivalence hypothesis suggests that a new communication medium will replace those activities that most closely perform the same functions for users as did the established media. There is scarce empirical evidence whether use of the internet displaces use of the public library. This survey aims to explore how the use of the internet is associated with the use of the public library for studying, work and business, everyday activities, and leisure activities. The author also studies which factors in addition to internet use predict the use of public libraries for these purposes.
Design/methodology/approach – The data is based on a nationwide representative survey of the adult population in Finland aged 15-79. The author used binary logistic regression analysis for modelling and predicting library use.
Findings – The results show that the use of the internet is positively associated with the use of public libraries. Those using the internet tend also to use the public library. Thus, the use of the internet does not replace the use of the public library, but merely complements it. It is found that the frequency of internet use and the number of books read are the strongest predictors of public library use.
Originality/value – This is the first study to show that the use of the internet for studying, work and business, everyday activities, and leisure activities is not replacing public library use for the same purposes, but merely complementing it.

Ver uma apresentação ppt deste artigo realizada pelo autor.

segunda-feira

Como organizar uma biblioteca pública, segundo Umberto Eco

escritor Umberto Eco, no seu livro Segundo Diário Mínimo, traz uma colectânea de crónicas, muitas delas bem-humoradíssimas.
Uma parte da reunião de textos dedica-se ao que ele chama de  “instruções de uso”, pequenos manuais que explicam como desempenhar miúdas e graúdas tarefas quotidianas, tais como:
  • Como ser um índio
  • Como apresentar um catálogo de arte
  • Como organizar uma  pública
  • Como tirar férias inteligentes
  • Como viajar com um salmão
  • Como fazer um inventário
    Etc...

    Como organizar uma biblioteca pública, por Umberto Eco:
    1. Os catálogos devem ser divididos ao máximo: deve-se ter muito cuidado em separar o catálogo dos livros do das revistas, este do catálogo por assuntos e ainda os livros de aquisição recente dos livros de aquisição mais antiga. De preferência, a ortografia nos dois catálogos (aquisições antigas e recentes), deve ser diferente: por exemplo, nas aquisições recentes, farmacologia deve vir com f, e nas antigas com ph; Tcheco-Eslováquia deve vir com T nas aquisições recentes, e nas antigas sem T: Checo-Eslováquia.
    2. Os temas devem ser decididos pelo bibliotecário. Os livros não devem jamais trazer no colofão qualquer indicação acerca dos assuntos sob os quais devem ser classificados.
    3. As siglas devem ser instrascrevíveis e de preferência muitas, de modo que nunca reste a quem preencha a ficha espaço suficiente para incluir a última denominação, considerada irrelevante, e assim o encarregado possa sempre restituir-lhe a referida ficha para ser preenchida da maneira correta.
    4. O tempo entre o pedido e a entrega do livro deve ser sempre muito longo.
    5. Não é necessário entregar ao usuário mais de um livro de cada vez.
    6. Os livros entregues ao usuário porque foram solicitados por ficha não podem ser levados para a sala de consultas, isto é, a vida do consulente deve ser dividida em dois aspectos fundamentais: um dedicado à leitura e outro inteiramente votado à consulta. A biblioteca deve desencorajar a leitura cruzada de vários livros, porque pode provocar o estrabismo.
    7. Se possível, desaconselha-se totalmente a presença de máquinas fotocopiadoras; no entanto, se uma delas existir, o acesso a seu uso deve ser muito complexo e cansativo, o custo de cada cópia deve ser superior às papelarias e os limites reduzidos a duas ou três páginas copiadas por usuário.
    8. O bibliotecário deve sempre encarar o leitor como um inimigo, um vagabundo (senão, estaria trabalhando), um ladrão em potencial.
    9. A sala de consultas deve ser inatingível.
    10. Os empréstimos devem ser desencorajados.
    11. Os empréstimos entre bibliotecas deve ser impossível, ou pelo menos demandar muitos meses. O melhor, neste caso talvez seja assegurar a impossibilidade de vir a conhecer o que existe nas demais bibliotecas.
    12. Em consequência disso, os furtos devem ser facílimos.
    13. Os horários devem coincidir absolutamente com os horários de trabalho, discutidos previamente com os sindicatos: fechamento irrevogável aos sábados, aos domingos, às noites e na hora das refeições. O maior inimigo da biblioteca é o estudante que trabalha; o maior amigo é qualquer um que tenha uma biblioteca própria, e que portanto não tenha necessidade de vira à biblioteca e, ao morrer, legue a essa os livros que possuía.
    14. Não deve ser possível descansar no interior da biblioteca de modo algum, e em todo caso não deve ser possível descansar sequer do lado de fora da biblioteca sem antes ter devolvido todos os livros que se tinha pedido, de modo a ser obrigado a pedi-los novamente depois de tomar um café.
    15. Nunca deve ser possível reencontrar o mesmo livro no dia seguinte.
    16. Nunca deve ser possível saber quem pegou emprestado o livro que está faltando.
    17. De preferência, nada de banheiros.
    18. Idealmente, o usuário não deveria poder entrar na biblioteca; admitindo-se que entre, usufruindo obstinada e antipaticamente de um direito que lhe foi concedido com base nos princípios da Revolução Francesa, mas que ainda não foi assimilado pela sensibilidade coletiva, não deve e não deverá de modo algum, excetuando as rápidas travessias da sala de consulta, ter acesso à penetrália das estantes.


terça-feira

11º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas


As Bibliotecas e os Arquivos afirmam-se, hoje como no passado, como plataformas privilegiadas para o acesso à informação e ao conhecimento, conjugando uma complexa realidade de fatores humanos, materiais e tecnológicos para um exercício igualitário dos direitos e deveres sociais, cívicos e culturais.

Enquanto organizadores, mediadores e facilitadores de acesso, os profissionais de informação e documentação são o esteio essencial para potenciar o valor social da informação e o alcance estratégico que hoje assumem as tecnologias de informação pela sua capacidade de construir integração.

A gestão de sistemas e redes de informação é uma necessidade fundamental da qual dependem, cada vez mais,  a sustentabilidade e resultados das instituições mas também a relevância e impacto dos serviços de informação que prestam e da permanência do património que gerem.

Em 2012, o 11º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas apresenta-se como um espaço de reflexão e debate sobre o presente e o futuro das bibliotecas e arquivos face a um contexto de condicionalismos e exigências que desafiam conceitos, meios e soluções.

As actas do 11º Congresso BAD estão disponíveis aqui.

sexta-feira

IFLA 2012: Prémio de Melhor Poster "Prison Library Now"

Como forma de promover e premiar o formato de poster enquanto elemento de comunicação científica, todos os anos durante a sessão de encerramento do Congresso da IFLA é atribuído um prémio ao melhor poster apresentado.

As propostas de poster devem seguir o tema do Congresso e podem ser apresentados num poster impresso ou por fotografias, gráficos e texto afixados num painel. Os posters devem ser elaborados numa das línguas oficiais da IFLA: Árabe, Chinês, Inglês, Francês, Alemão, Russo e Espanhol.
Os critérios para análise dos poster e atribuição do prémio são os seguintes: conteúdo, aspecto gráfico, qualidade da informação e apresentação feita.

Este ano no Congresso da IFLA, que decorreu de 11 a 17 de Agosto em Helsínquia, foram apresentados 196 posters, oriundos de mais de 100 países diferentes. Expostos no Hall 4 e 5 do Helsinki Exhibition & Convention Centre, junto à zona da Exposição, os posters podiam ser vistos durante 3 dias, sendo que existem 2 períodos obrigatórios em que os autores devem estar junto aos posters para efectuar as apresentações.

Em 2012, o Prémio de Melhor Poster foi atribuído ao poster com o título "Prison Library Now", que apresentava a experiência de renovação de espaços e serviços realizada na Biblioteca do Estabelecimento Prisional de Munster na Alemanha. 

Com Gerhard Peschers junto ao poster vencedor do Prémio de Melhor Poster IFLA 2012.

Foi numa das sessões de poster que tive oportunidade de falar com Gerhard Peschers, bibliotecário no Estabelecimento Prisional de Munster, na Alemanha. Em 2007, aquando da atribuição do Prémio de Biblioteca do Ano (Alemanha), já tinha trocado alguns emails com ele, mas só este ano no Congresso da IFLA tive oportunidade de o conhecer pessoalmente. Parabéns Gerhard!

Folheto explicativo do poster "Prison Library Now".

quinta-feira

Código de Ética para Bibliotecários e Outros Profissionais de Informação (IFLA)


Bibliotecários de todo o mundo estão conscientes das implicações éticas da sua profissão. Em mais de 60 países associações de bibliotecas desenvolveram e aprovaram códigos nacionais de ética para bibliotecários.

Profissionais de áreas afins, como os arquivistas ou os profissionais de museus, possuem códigos de ética internacionais. Durante muitas anos o ICA (International Council of Archives) e o ICOM (International Council of Museums) aprovaram, desenvolveram e actualizaram os seus códigos de ética internacionais para arquivos e museus, mas até agora a IFLA e os bibliotecários não possuiam um documento semelhante.

Entre 2011 e 2012, um grupo de trabalho do FAIFE pesquisou, consultou e compilou diversos códigos de ética para bibliotecários. Centenas de comentários de membros e não membros da IFLA foram recebidos e considerados para este documento, tendo a sua versão final sido enviada para a Direcção da IFLA para análise. O Código de Ética da IFLA para Bibliotecários e Outros Profissionais de Informação foi aprovado em Agosto de 2012.

Para a elaboração deste documento o comité FAIFE (IFLA) consultou cerca de 40 códigos de ética para bibliotecários de todo o mundo, incluindo o Código de Ética para os Profissionais de Informação em Portugal.

Este Código é apresentado numa versão longa, em texto integral, e numa versão resumida, apenas com os principais aspectos e para consulta rápida. 

Código de Ética - versão longa

Código de Ética - versão resumida

Nota: O grupo de trabalho de elaborou este código é composto por 5 membros ou ex-membro do Comité FAIFE (IFLA), originários de 5 países: Loida Garcia-Febo, Anne Hustad, Hermann Rosch, Paul Sturges and Amelie Vallotton).
(IFLA|FAIFE)

terça-feira

Congresso da IFLA # Dia 5

Hoje está mais quente! Muito diferente dos 7 graus da passada sexta-feira, mas ainda longe dos mais de 30 graus que deixei em Lisboa. O dia começa já sem casaco  isso é muito bom sinal! 
A viagem até à estação de comboio é rápida e como o Centro de Congresso fica a 5 minutos do centro de Helsínquia, é fácil evitar atrasos.

Para esta manhã seleccionei uma sessão sobre bibliotecas públicas e as bibliotecas escolares. Afinal tinha curiosidade em saber o que se anda a fazer por esse mundo sobre esta relação nem sempre fácil! Apesar das experiências serem de diferentes países e até continentes (Finlândia, França, Noruega, Canadá, Argentina, China e Namíbia) as questões, dúvidas e problemas são muito próximos: tutela, públicos, serviços, operacionalização de conceitos e perfis de profissionais (Bibliotecários/Professores). Infelizmente, a sessão não foi tão elucidativa como esperava... em todo o caso ficou reforçada de que esta cooperação é para continuar!
Esta sessão ficou marcada pelo lapso da moderadora que tendo informado os presentes de que todas as apresentações seriam feitas em inglês dispensou o tradutor de espanhol para outra sala... Quanto uma colega (que não falava inglês e não se percebeu do aviso) subiu ao palco começa a apresentação a falar noutra língua foi o caos na sala!

Ainda que na IFLA existam 7 línguas oficiais (Árabe, Chinês, Inglês, Francês, Alemão, Russo e Espanhol) a grande maioria das pessoas fala inglês, mesmo que seja o inglês deste filme do Youtube! Em todo o caso o que importa é que se consiga comunicar! Por vezes acontecem situações curiosas como o caso do colega polaco que falando muito mal inglês, lê Portugal no cartão de participante e começa a falar espanhol com um sotaque quase perfeito!

Durante a manhã houve ainda tem para visitar a sessão sobe o tema da presidência da IFLA Ingrid Parent - Libraries today and tomorrow: a force for change in our transforming societies? Nesta sessão foi discutido o tema presidencial do mandato da presidente da Federação, sendo que os contributos recolhidos através dos participantes serão inseridos nos relatórios anuais da IFLA (Trend Reports). Esta sessão utilizou o formato das mesas redondas, intercalando sessões teóricas com discussões entre os participantes que no final entregam os seus contributos ao relator. Ainda que a Presidente não pareça especialmente afável e com a abertura dos estantes elementos da Federação, Ingrid Parent foi ouvindo os comentários dos participantes e respondendo a alguma questões.

De tarde aconteceu o único momento a que tenha assistido de "Death by Powerpoint" de todo o Congresso da IFLA! Durante 15 longos minutos uma senhora leu cerca de 20 slides carregados de texto! No final e mesmo antes das palmas do público, julgo que se ouviu um suspirar... de alívio!

Ainda no final do dia houve tempo para ir visitar a zona da Feira com as empresas e instituições presentes no Congresso. Mais de 100 empresas das mais variadas áreas e de vários países estavam presentes. Da microfilmagem e digitalização aos ebooks, das bases de dados às soluções de conservação e restauro e de várias universidades de vários países a promoverem a sua formação a editoras e livreiros. Havia stands para todos os gostos. Como o nome indica era um espaço de feira e toda a gente queria vender alguma coisa; senão um produto ou serviços, pelo menos tentavam fazer chegar a sua informação com a oferta de um café ou rebuçados, distribuição de documentação ou pelo menos pedirem para fazer um scanner do nosso cartão de participante (os cartões de participantes do Congresso da IFLA têm um código de barras com os nossos contactos profissionais, caso estejamos interessados podemos deixar as empresas lerem este código e ficam automaticamente com os nosso dados de contacto). Em teoria para aquelas empresas e instituições havia c. de 4.000 oportunidades de negócio e contactos.


Uma palavra de atenção para o stand das Bibliotecas da Finlândia que numa associação de simplicidade, bom gosto e excelente capacidade de comunicação conseguiam mostrar tudo o que era necessário saber sobre as redes de bibliotecas existentes, os edifícios e a sua implantação, a história das bibliotecas na Finlândia e a formação dos profissionais. Uma outra referencia para o stand da American Library Association (ALA) que numa clara acção de charme para mais de 4 mil bibliotecários de todo o mundo apresentavam-se como uma associação aberta ao mundo, anunciando os seus produtos, serviços e publicações.

segunda-feira

Congresso da IFLA # Dia 4

Hoje de manhã fui surpreendido por um novo tipo de comboio na estação de Helsínquia! Afinal parece que para além dos comboios suburbanos vermelhos dos anos 70 (em óptimo estado e perfeitamente operacionais) com o free-pass dos transportes que o Congresso dá aos participantes, também podemos utilizar os comboios novos verdes! Neste caso o que é importante não é a idade dos comboios, mas o facto dos antigos partirem da linha 19 e dos novos da linha 4... muito mais perto da entrada da estação! É que quando em pleno mês de Agosto se acorda às 7.30 da manhã com 10º graus... isto faz diferença!

Apesar de ter de se acordar sempre cedo, em dias de sessões mais concorridas convém chegar ao Centro de Congresso cedo. Nesta sessões todos querem procurar os melhores lugares sentados; afinal existem sessões onde tem de se ficar de pé ou sentado no chão!

A primeira sessão, tem uma organização conjunta feita pela Secção de Gestão de Associações de Bibliotecas/Bibliotecários e pelo Grupo de Novos Profissionais. Nesta secção pretendia-se debater  lugar dos novos profissionais nas associações e nas comunidades profissionais. Ao chegar à sala fico admirado com a disposição da sala. Ao contrário das restantes salas que tinha visto, esta não tinha cadeiras em fila, tipo plateia, mas antes estava organizado em mesas redondas com oito lugares... tipo casamento!

Logo no início da sessão fiquei a perceber que para esta sessão se pretendia uma dinâmica diferente e que a ideia era após apresentações de comunicações, fazer com que "cada mesa" (grupo de 8 pessoas) debate-se o assunto apresentado e fizesse um resumo das opiniões que no final seriam incluídas nas conclusões.
Como é fácil de adivinhar este formato em muito enriquece a discussão e as conclusões da sessão, para além de permitir conhecer outras realidades e colegas.
Na minha mesa estavam 7 colegas de 4 países (Finlândia, Grécia, Líbano e Nova Zelândia) e de acordo com os tópicos apresentados cada um falou sobre a realidade no seu país e em conjunto elaboramos um resumo com as perspectivas sobre os dois tópicos apresentados: novos profissionais em contexto associativos e novas formas de comunicação das associações profissionais. Confesso que fiquei surpreendido (e daí talvez não!) que em todos os restantes países a situação das associações profissionais é semelhante, isto é, preocupante e necessita de urgente intervenção  e coesão por parte dos profissionais. Em todos sente-se um enorme desinteresse por parte dos profissionais nas suas associações, com uma clara diminuição dos associados, em todas as realidades os novos profissionais não se sentem integrados havendo a ideia de que as associações constituem um grupo fechado e pouco permeável. Os colegas finlandeses afirmaram que durante a formação nunca ninguém lhes tida falado sobre a sua associação nacional, e a colega neozelandesa afirmou que actualmente há um grande afastamento do formato associativo estando a crescer grupos informais de profissionais de áreas afins. A situação grega é actualmente diferente, sendo que apenas 16 pessoas em todo o país continuam a tentar manter o contacto entre os profissionais e as instituições.

Porque esta sessão acabou por terminar mais tarde do que o previsto, ou melhor, oficialmente a sessão terminou na hora marcada, mas os participantes ficaram a debater e a conversar sobre os tópicos mais tempo, cheguei atrasado à sessão onde se falava sobre os serviços de informação e referência e as nossas novas funções na era digital. Com o grande tema "Será que a geração Google precisa de bibliotecários?" percebi que esta foi um das sessões mais participadas do Congresso já que a plateia repleta da sala 1 não deixava margem para dúvidas. O resumo desta sessão pode ser lido no texto do Miguel Correia publica no Notícia BAD.

Durante o almoço todos os espaços estão ocupados por colegas de vários países! Numa espécie de ONU das bibliotecas, as línguas misturam-se e a conversa aparece em qualquer fila de espera, mesa ou balcão. Por aqui as pessoas estão sempre interessadas em conversar, trocar alguma ideias sobre o tema da sessão seguinte ou anterior ou simplesmente saber de onde somos, em que tipo de biblioteca trabalhamos e o que fazemos. Quase que não se pode estar parado, sentado sozinho numa zona de refeições ou olhar para o infinito porque aparece sempre alguém para conversar! Seja um japonês que já visitou Lisboa, um americano que aprecia Fado, um francês que gosta do Cristiano Ronaldo ou um tradutor da IFLA que fala português porque gosta de ir de férias para o Brasil, qualquer lugar é bom para conversar!

Durante o tempo de almoço ainda conseguir ir ver rapidamente a zona dos poster. Este ano a IFLA aceitou 196 poster sobre os mais variados temas e oriundos de vários países, apesar de os do país anfitrião estarem em maior número! Enquanto forma gráfica ou esquemática de apresentar um projecto ou uma nova área de trabalho, o poster permite uma maior interação com os autores, constituindo verdadeiros momentos de networking profissional.
O mais surpreendente é ver como os autores abordam os participantes que visitam a área dos posters para falarem sobre o tema, apresentarem o poster e distribuirem documentação. É habitual haver muita documentação para recolher nestas sessões: desde simples fotocópias a preto e branco com informação adicional ou a simples reprodução do poster, a elaborados folhetos a cores encadernados. Muitos autores utilizam também o seu tablet para mostrar outros dados e acrescentar informação ao poster. Num ambiente de grande agitação a interacção entre autores e participantes no Congresso quase que se torna numa sessão comercial de venda de produtos.

Foi nesta sessão de poster que tive oportunidade de falar com Gerhard Peschers, bibliotecário no Estabelecimento Prisional de Munster na Alemaha. Em 2007, aquando da atribuição do Prémio de Biblioteca do Ano, já tinha trocado alguns emails com ele, mas só este ano no Congresso da IFLA tive oportunidade de o conhecer pessoalmente. A este poster "Prison Library Now!” a IFLA atribuiu este ano  prémio de melhor poster. Parabéns Gerhard!



Nota: Apesar da Câmara de Helsínquia nunca chegar a ler esta mensagem, aqui fica o agradecimento pela oferta aos participantes do Congresso da IFLA do free-pass para todos os transportes da área metropolitana de Helsínquia.

domingo

Sessão de Abertura do 78º Congresso da IFLA


IFLA 2012 Opening Session from Kirjastokaista on Vimeo.

Sessão de Abertura do 78º Congresso da IFLA (Helsínquia)
Destaque para a actuação de Karoliina Kantelinen e de Iiro Rantala.

Congresso da IFLA # Dia 3

Hoje, começam as apresentações no 78º Congresso da IFLA!

O dia começa com a sessão Newcomers. Nesta sessão é feita uma breve apresentação da Federação e são explicadas algumas questões fundametais dos Congressos para quem participa pela primeira vez. A sessão deste ano ficou marcada pelos depoimentos de 3 jovens profissionais que estavam no Congresso da IFLA pela segunda vez. O objectivo era explicarem aos "novos colegas" porque motivo foram e continuavam a estar presentes nos Congresso da IFLA.

Como alguém dizia hoje na sessão para newcomers é muito importante vir á IFLA ouvir as apresentações e ficar informado sobre as nossas actividades, projectos e investigações, mas mais importante ainda é conhecer os colegas, falar com as pessoas e iniciar contactos profissionais – as possibilidades de networking são a grande mais-valia destes congressos.
Também nesta sessão a "veterana" da IFLA Buhle Mbambo-Thata, dinamizou a sessão com humor e boa disposição, referindo que o mais divertido de participar nos congresso da IFLA é que ninguém consegue dizer os nossos nomes correctamente! De seguida faz uma plateia de c. de 400 tentar dizer o seu nome: Buhle Mbambo-Thata. Imaginam as gargalhadas!

Por aqui todas as pessoas falam umas com as outras e as oportunidades de conversar com colegas surgem durante as sessões ou no final com os autores, nas filas para o café ou de passagem num corredor ou banco. Todos estão disponíveis para conversar e trocar algumas ideias ou opiniões. Existirão com toda a certeza pessoas mais complicadas, mas talvez ainda no meu “estado de graça” causado por este ser o meu primeiro Congresso da IFLA, ainda não tive más experiências.

Após a sessão de abertura, que contou com os hábituais discursos, comecei por assistir à sessão 72 Building Strong Library Association (BSLA) and IFLA ALP. Nesta sessão a coordenadora, Fiona Bradley, apresentou os objectivos e as áreas de actuação deste grupo que criou um programa com a intenção de desenvolver competências junto dos profissionais para fortalecerem ou até criarem associações de bibliotecas/bibliotecários. Com base num programa piloto aplicado em 6 países, este programa oferece uma aproximação estratégica e organizada com vista à construção de associações sólidas e sustentáveis. Este programa pode ser aplicado a associações, bibliotecários ou apenas a comunidades de profissionais.

Este programa inclui os seguintes módulos: formações sobre criação e desenvolvimento de associações de bibliotecários/bibliotecas, estudo e explicação dos documentos base da IFLA, aconselhamento e consultoria sobre acordos e parcerias, estabelecimento de projectos em conjunto com outras associações e uma plataforma online para acesso à distância aos materiais e aos formadores.

Apesar de nesta fase o programa ter sido apenas aplicado em países onde as associações não existiam ou tinham pouca expressam, os resultados obtidos mostram que parte desta metodologia pode ser aplicada a outro tipo de associações com vista a assegurar o seu crescimento e sustentabilidade.

Sem muito tempo para almoçar – por aqui as refeições são feitas de forma rápida entre cada sessão – passei logo para a sessão 76 “Statistics and evaluation crisis? What crisis? The use os statistics and data for libraries at a turning point”. Nesta sessão foram apresentados 5 projectos sobre como os dados estatísticos servem para justificar a existência de bibliotecas em diferentes contextos e de múltiplas formas.

A sessão começa com uma apresentação de 2 colegas da Biblioteca Nacional da República Dominicana (“2nd. National Census of Dominican Libraries: vital statistics at a turning point”) que relatam a sua experiência na realização de um Census às 1500 bibliotecas existentes no país. Este Census pretendia ter uma imagem o mais fiel possível do estado das bibliotecas, tendo recolhido dados sobre datas de construção de edifícios, número de recursos humanos, equipamento existentes, colecção, mobiliário ou condições de higiene e segurança no trabalho. Este estudo foi elogiado pelo Coordenador do Comité de Estatística e Avaliação da IFLA, que referiu o rigor da metodologia adoptada e a necessidade de aplicar este método a todos os países.

Seguiu-se uma apresentação feita por um colega da Stuttgart Media University, na Alemanha, (“Supporting strategic change through statistics of virtual library usage”) que falou sobre a necessidade de continuar a recolher dados estatísticos sobre utilizadores e obras consultadas mesmo quando falamos de bibliotecas digitais. Com base numa simples linha de código inserido na construção da página HTML é possível apurar dados estatísticos que ajudam a justificar a necessidade da biblioteca real. Este projecto surgiu da necessidade que uma biblioteca teve de justificar a sua existência física, face a uma grande diminuição do número de utilizadores presenciais, como consequência de uma digitalização massiva das suas colecções.

“Measuring the public library's societal value: a methodological research program” foi o título da apresentação que dois colegas holandeses fizeram para mostrar os resultados preliminares de um estudo que pretendia mostrar a necessidade e a utilidade da biblioteca pública numa fase de redução de orçamentos e de crise generalizada na área da cultural. Dos resultados apresentados sobressai

Uma colega norte-americana do OCLC apresentou um modelo de gestão e avaliação de bibliotecas universitárias baseada nos utilizadores “User-centered decision making: a new model for developing academic library services and systems”. Este modelo baseado numa metodologia bastante rigorosa de contactos regulares com os estudantes permitiu identificar as principais vantagens e desvantagens do serviço, ao mesmo tempo que identificou as principais oportunidades e desafios. De uma forma geral, confirmou algumas das nossas expectativas quanto à visão que a maioria dos estudantes universitários tem das bibliotecas e em especial dos bibliotecários. Pelo contacto regular com os alunos permite fazer uma comparação e evolução das opiniões e aferir das alterações efectuadas na biblioteca.

Importa referir que de uma forma geral todas as comunicações desta sessão procuraram mostrar como os dados estatísticos, apresentados de forma responsável, podem ser os grandes aliados das bibliotecas, sendo que não existe uma metodologia ideal para todas as realidades devendo ser adaptadas conforme a biblioteca, as necessidades e os objectivos a atingir.

IMG: IFLA Express

As comunicações apresentadas no 78º Congresso da IFLA estão disponíveis neste endereço:

sábado

Congresso da IFLA # Dia 2

O dia começa cedo em Helsínquia. O Sol nasce perto das 5 da manhã e o nosso relógio biológico começa logo a ficar desorientado!
Como o apartamento tem cortinas pequenas - na boa tradição nórdica a maioria das casas não tem cortinas - amanhece muito cedo também dentro do quarto.
Depois de um pequeno almoço reforçado, já que o dia ia ser longo, afinal hoje começa oficialmente o Congresso da IFLA, é hora de sair em direcção ao 78º Congresso da IFLA.

Logo ao chegar à Estação Central de Helsínquia somos recebidos por 2 voluntárias do Congresso, identificadas com t-shirts e um roll-up do 78º Congresso da IFLA.
Como o finlandês não é uma língua fácil (e olhem que eu treinei em Lisboa) nada como confirmar a letra do comboio correcto e confirmar mais algumas indicações sobre horários e bilhetes! 5 minutos depois chego à estação de Pasila que faz ligação com o Centro de Congressos, também nesta estação uma voluntária assinala a saída mais directa para o local do Congresso.


Cheguei ao Helsinki Exhibition & Convention Centre (Helsingin Messukukeskus), local onde se realiza o Congresso da IFLA depois de 10 minutos de viagem de comboio.

A entra do Centro de Congresso é simples, mas ainda assim causa sensação. Rodeado por edifícios de apoio, hotel, Helsinki Business School e pela Helsinki Public Library (Central), acho que é inesquecível a primeira vez que se participa num evento desta dimensão e se vê a quantidade de profissionais que se reúnem num mesmo local. Podia ser mais velho ou mais novo, ter mais ou menos experiência profissional, e ainda assim estar pela primeira vez no Congresso da IFLA é emocionante (Mas não será sempre?!).

Depois de consultar a enorme lista de participantes - 4.200 bibliotecários de 120 países - foi tempo de com o voucher da inscrição dirigir-me ao secretariado para levantar a identificação e a documentação do Congresso.

Depois de aqui no Entre Estantes ter feito tantos posts sobre os últimos Congresso da IFLA e de ter lamentado ainda não ter participado... nem queria acreditar que afinal ia ser agora!

No Secretariado confirmam a nossa inscrição, imprimem o cartão de identificação e avisam que devemos utilizá-lo de forma visível sempre que estivermos no Congresso. Explicam rapidamente a documentação que se encontra na pasta (este ano é uma mochila) e informam que sempre que precisa de alguma informação, ajuda ou esclarecimento devo dirigir-me a uma dos 300 voluntários que estão espalhados pela área do Congresso. No final perguntam se temos alguma questão e por fim despedem-se com um enorme sorriso e dão-nos as Boas Vindas ao Congresso da IFLA e a Helsínquia! (Tervetuloa - Bem vindo em finlandês).

Depois de almoçar pelo centro de congressos, observar o número de colegas que ia chegando e de explorar melhor a documentação e confirmar o programa, horários e salas.

Como por aqui há muito para ver, conhecer, aprender e com quem conversar o tempo passa muito depressa e o final do dia chegou num ápice.

Às 18.30 era tempo de ir para a sala 306 e ficar a conhecer todos os participantes de língua portuguesa que estavam no Congresso: Sessão 56 Caucus - Portuguese Speaking Language. Segundo a lista de participantes estavam inscritos no Congresso 32 participantes de língua portuguesa  (Angola 5, Brasil 18, Moçambique 1 e Portugal 8), mas no caucus apenas estavam 18 pessoas.

Nos Congressos da IFLA realizam-se caucus de países ou de línguas como é o nosso caso. Cada país/língua organiza esta sessão ao seu gosto, existindo caucus para todos os gosto - mais ou menos informais, com maior ou menor número de participantes e com agendas pre-determinadas ou mais locais de convívio. O caucus de língua portuguesa é essencialmente um local para ver quem está e aparece. Como se sabe a comunidade bibliotecária de língua portuguesa não é muito activa, nem comunicativa e por isso estas sessões têm sido pouco eficazes na criação de redes de contactos e na preparação de uma estratégia de língua portuguesa dentro da IFLA.

Para quem já é muito experiente nos Congressos da IFLA parece que este ano a sessão correu muito bem, não apenas no que diz respeito ao número de participantes (aparentemente a mais participada), mas também porque houve debate em torno do futuro da profissão, das formação, da falta de comunicação entre os profissionais da CPLP e da necessidade de afirmar a língua portuguesa dentro da IFLA.
Esta sessão histórica terminou com uma fotografia de grupo que em breve será divulgada! Quem sabe se o 78º Congresso da IFLA não se torna um ponto de viragem para os participantes de língua portuguesa... Vamos aguardar!

No final do dia volta-se a casa com a sensação de que se está a alcançar um desejo há muito esperado; participar num dos maiores encontros de bibliotecários do mundo e ter a oportunidade de ouvir, conversar, conhecer colegas de vários países, bibliotecas e com experiências muito diversas! É a sensação de networking no seu melhor!

sexta-feira

Congresso da IFLA # Dia 1

Cheguei a Helsínquia hoje às 06 da manhã.
Depois de um voo calmo de 5 horas entre Lisboa e a capital da Finlândia, encontrei uma cidade fria, luminosa (às 6 da manhã o sol já vai alto!) e muito tranquila. À chegada ao centro, na Estação Central de Helsínquia, foi tempo de deixar as malas nos cacifos, tomar o pequeno-almoço e dar um primeiro passeio pela cidade.
Helsínquia é uma cidade plana, com um traçado ortogonal e onde sobressaem por entre as ruas alguns monumentos dignos de registo: Catedral Luterana, Igreja Uspenski, torre do relógio da estação central, a torre do Estádio Olímpico e alguns pináculos de prédios.

Para quem gosta de arte nova e do estilo neoclássico, Helsínquia é uma cidade cheia de edifícios dignos de registo; fachadas, portas, janelas e telhados em todo o lado é possível observar pormenores com interesse. Carl Ludvig Engels é o responsável pela grande maioria dos edifícios neoclássicos, sendo a grande parte das construções de arte nova edificados construídos no período da independência pela mão de diferentes mestres.

Depois deste primeiro contacto com a cidade, nada melhor que um almoço no porto, por entre uma feira de artesanato local e venda de produtos regionais. Salsicha de rena, arroz de ervilhas, cenoura e funcho, com molho de framboesa marcou a minha estreia na cozinha finlandesa. Recomendo!

Ao final da manhã foi tempo de compras... digamos que o accuweather.com não é assim tão "accurate"... e os 16º graus de Lisboa não são iguais aos 16º graus de Helsínquia! Assim, levo mais um casaco para casa!

Os finlandeses têm um ar bastante calmo. Não se vê ninguém apressado, a correr ou com um ar stressado! Tudo é feito com muito calma.
Talvez por esta ser a primeira visita a um país desta latitude, é curioso observar como por aqui se cumprem as indicações dos semáforos... estrada vazia, nenhum carro á vista... e todos esperam que o sinal fique verde!
As muitas bicicletas que circulam pela cidade, ficam estacionadas em filas imensas junto às estações de metro, comboio ou próximo dos locais de trabalho. Nos passeios existem vias sepradas para peões e bicicletas e sempre que alguém anda pela via das bicicletas (turistas ou alguém distraído) leva com a campainha! Sempre que mudam de direcção indicam-no com o braço. Digno de se ver!

Tudo é simples e limpo (clean) por aqui! À excepção da zona em volta da Estação Central as dimensões dos prédios são bastante uniformes e não existem grandes diferença de volumetria. O ruído visual é quase inexistente já que não existem praticamente grandes anúncios, cartazes ou sinaléctia de lojas ou marcas. As ruas estão sempre muito limpas, e é habitual ver varredores, carros vassoura ou carros de limpeza com mangueiras.

Depois de fazer o reconhecimento das principais zonas da cidade e de visitar a Catedral Luterana e a Igreja Uspenski, o dia termina com uma revisão do programa do Congresso e o acerto das principais sobreposições de conferências! Afinal em 7 dias de Congresso há muito para ver, ouvir e conhecer!

Amanhã é dia de tentar assistir aos SC de Information Technology, Libraries Services to People with Special Needs, Management of Library Associations, Literacy and Reading e Public Libraries! (Vai ser impossível, eu sei!) No final do dia vai decorrer o caucus dos participantes de língua portuguesa e este não quero mesmo perder!

Amanhã começa oficialmente o Congresso!

quarta-feira

Congresso da IFLA e as bibliotecas da Finlândia - o vídeo

A um mês do 78th IFLA General Conference and Assembly ficamos ainda mais curiosos para conhecer as bibliotecas do país anfitrião do 78º Congresso! Como diz o anúncio de televisão e o tema do congresso deste ano: Insssssspirador!

Libraries now – a film about Helsinki and libraries from IFLA on Vimeo.

quinta-feira

IFLA World Library and Information Congress - 78th IFLA General Conference and Assembly

O 78º Congresso da IFLA – International Federation of Library Associations and Institutions - realiza-se este ano em Helsínquia, na Finlândia, de 11 a 17 de Agosto.


O congresso terá por tema «Libraries now! – inspiring, surprising and empowering».

Mais informações na página do 78º Congresso da IFLA.

Img: IFLA



“Portais de acesso ao passado e ao futuro”

“Portais de acesso ao passado e ao futuro”

Dados, fatos, números e sinopses em palavras e imagens: na publicação ilustrativa “Portais de acesso ao passado e ao futuro – Bibliotecas na Alemanha” o leitor terá à sua disposição as informações mais importantes sobre as bibliotecas alemãs, formação de bibliotecários, associações de classe, princípios que norteiam as políticas nas áreas bibliotecária, cultural e educacional, estrutura política federativa da Alemanha no centro da Europa e suas conseqüências para o sistema bibliotecário. 

Jürgen Seefeldt e Ludger Syré:
“Portais de acesso ao futuro e ao passado” – Bibliotecas na Alemanha

Organizado pelo BID (Bibliothek & Information Deutschland e.V.) 3a edição revista, Hildesheim, 2007 120 p., 103 fotos, gráficos, tabelas, mapas em cores. Brochura

O texto dessa publicação está disponível para download em língua portuguesa
Tradução autorizada pela editora Georg Olms Verlag. 
Fonte: Goethe Institut

quarta-feira

Bibliotecas Municipais de Oeiras são parceiras do Festival do Primeiro Romance de Chambéry

O Município de Oeiras, através das suas Bibliotecas Municipais, tornou-se parceiro do Festival du Premier Roman de Chambéry, em França.
A partir deste ano os Grupos de Leitores das Bibliotecas Municipais de Oeiras são os representantes de Portugal neste Festival, indicando uma lista de autores de primeiros romances seleccionados de entre os que foram publicados no último ano.
 
Desde a sua primeira edição em 1987, que este festival tem como objectivo a apresentação de novos autores. Ao longo das suas 25 edições tornou-se num local central para descobrir novos escritores no espaço europeu.
Antes de ter um grande protagonismo no cenário literário francês, o Festival desde há 15 anos que também apresenta novos autores europeus – Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Roménia e desde este ano também Portugal.
Durante os 3 dias do Festival, reúnem-se na vila de Chambéry (França) os autores dos diferentes países com os seus leitores em vários encontros, mesas redondas, ateliers de tradução, sessões de autógrafos, etc. Através de diversas actividades, o Festival torna-se uma ponte entre autores e leitores de diferentes países e línguas da europa.
Caso único em França, em que são os leitores que escolhem os autores a convidar em cada edição. A programação do Festival é feita através de uma lista de autores lidos e escolhidos por diversos grupos de leitores em França compostos por mais de 3.000 mil leitores. Anualmente, os leitores podem conhecer os novos autores europeus, oriundos dos países participantes.
A selecção dos autores tem como ponto de partida os grupos de leitores em cada um dos países participantes, que ao longo de um ano seleccionam livros de novos autores que publiquem o seu primeiro romance.
Img: FPR

13º Encontro da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas

A DGLB em colaboração com a BAD organizou nos passados dias 4 e 5 de Maio, no Centro de Congresso do Estoril, o 13º Encontro da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, com o tema "As Bibliotecas Públicas Hoje".

Oito anos depois do último encontro, realizado em 2005, constatei que pouco mudou no cenário das bibliotecas públicas em Portugal. Com excepção do facto do optimismo ser maior na altura, por alguns instantes achei que podia estar novamente em 2005. Temos mais equipamentos inaugurados, mais profissionais responsáveis pela sua gestão, mais populações que passaram  a ter a oportunidade de usufruir dos serviços de uma biblioteca pública... e pouco mais.

Talvez por este ter sido apenas o meu segundo encontro da RNBP, e aqui a experiência é fundamental, não achei que este Encontro tenha sido muito inovador e que tenha feito alguma luz sobre o tema das Bibliotecas Públicas Hoje. Essencialmente, os problemas são os de sempre. As dúvidas, as incertezas, a desarticulação, as assimetrias e a falta de coordenação local, regional e nacional parecem ser a principal causa para o estado actual das bibliotecas públicas.

Ficou bastante claro ao longo dos 2 dias que os profissionais das Bibliotecas Públicas sentem-se isolados, sem liderança, estratégia ou objectivos. Todos fazem o que podem, como podem e da melhor maneira possível.

Há alguns anos foi feito um inquérito aos profissionais BAD em que se perguntava quais os principais motivos que os levavam a participar em Encontros, Congressos ou Seminários. Na altura, acabado de sair da Especialização em Ciências Documentais, achei estranho que acima do interesse técnico e científico ou da actualização de conhecimentos, aparece-se como a principal razão o encontro com os colegas e a troca de experiências. 

Este Encontro fez-me sentir mais uma vez, que mesmo geograficamente afastados, há de facto algo que nos une; um sentimento de serviço público e um espírito de missão que partilhamos. Será suficiente para enfrentar os desafios, os problemas e as dificuldades que se avizinham? Afinal, nós somos a verdadeira Rede Nacional.
Img: DGLB

segunda-feira

13º Encontro da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas





Inscrições e programa aqui.