quarta-feira

O outro lado da profissão

Em jeito de lembrança para o caro amigo RALG que me desencorajou de ser livreiro antes dos 30 anos, aqui deixo este texto da autoria de Jaime Bulhosa (Pó dos Livros):

"O ritmo é alucinante. O vendedor mostra uma mala cheia deles. Nós fazemos má cara. Ficamos indecisos. Escolhemos apenas alguns. O vendedor faz má cara. Não atinge os objectivos. O editor protesta. O autor não percebe porquê. Nós temos pena. Não podemos ter todos. É fisicamente impossível. Economicamente errado. Chegam caixas e caixas. Abrem-se as caixas. Conferem-se as facturas. Dá-se entrada no sistema informático. Classificam-se na área temática. Colam-se as etiquetas do preço. Carregam-se aos quilos. Colocam-se em cima das mesas. Uns virados para um lado, outros para o outro. Chama-se a isto casá-los. Esperam em cima das mesas. Há quem lhes toque. Os abra. Leia uma passagem. Os deixe. Não podem esperar mais. Em breve vêm outros. Só mais uns dias. Aconselham-se mais uma vez. Ninguém os quer. Volta-se a pegar neles. Nem sequer ganham pó. De novo o sistema informático. Um por um. Processa-se a devolução. Novamente em caixotes. Chama-se o transportador. São levados para um armazém frio, escuro. Cheio de livros, azarados como eles."

Afinal parece que temos razão!
O dia-a-dia de um bibliotecário (pelo menos de alguns) não é assim muito diferente do de um livreiro! Diferentes objectivos, públicos semelhantes, a mesma matéria-prima. Enfim, mais semelhanças do que divergências.

2 comentários:

Teresa Coutinho disse...

Enquanto uma tem objectivo de vender livros, a outra por seu lado disponibiliza e empresta.

Uma vez li um livrinho do Umberto Eco "A biblioteca", apesar de ainda estar no inicio de ter conhecimento de bibliotecas e de todo o sistema, dei-lhe razão quando fala do sistema de fotócopias e mesmo dos empréstimos.

Ralg disse...

O pior são as dores de costas e a repetição das perguntas...
Fui amigo, ou não?

Um abraço,