segunda-feira

Congresso da IFLA # Dia 4

Hoje de manhã fui surpreendido por um novo tipo de comboio na estação de Helsínquia! Afinal parece que para além dos comboios suburbanos vermelhos dos anos 70 (em óptimo estado e perfeitamente operacionais) com o free-pass dos transportes que o Congresso dá aos participantes, também podemos utilizar os comboios novos verdes! Neste caso o que é importante não é a idade dos comboios, mas o facto dos antigos partirem da linha 19 e dos novos da linha 4... muito mais perto da entrada da estação! É que quando em pleno mês de Agosto se acorda às 7.30 da manhã com 10º graus... isto faz diferença!

Apesar de ter de se acordar sempre cedo, em dias de sessões mais concorridas convém chegar ao Centro de Congresso cedo. Nesta sessões todos querem procurar os melhores lugares sentados; afinal existem sessões onde tem de se ficar de pé ou sentado no chão!

A primeira sessão, tem uma organização conjunta feita pela Secção de Gestão de Associações de Bibliotecas/Bibliotecários e pelo Grupo de Novos Profissionais. Nesta secção pretendia-se debater  lugar dos novos profissionais nas associações e nas comunidades profissionais. Ao chegar à sala fico admirado com a disposição da sala. Ao contrário das restantes salas que tinha visto, esta não tinha cadeiras em fila, tipo plateia, mas antes estava organizado em mesas redondas com oito lugares... tipo casamento!

Logo no início da sessão fiquei a perceber que para esta sessão se pretendia uma dinâmica diferente e que a ideia era após apresentações de comunicações, fazer com que "cada mesa" (grupo de 8 pessoas) debate-se o assunto apresentado e fizesse um resumo das opiniões que no final seriam incluídas nas conclusões.
Como é fácil de adivinhar este formato em muito enriquece a discussão e as conclusões da sessão, para além de permitir conhecer outras realidades e colegas.
Na minha mesa estavam 7 colegas de 4 países (Finlândia, Grécia, Líbano e Nova Zelândia) e de acordo com os tópicos apresentados cada um falou sobre a realidade no seu país e em conjunto elaboramos um resumo com as perspectivas sobre os dois tópicos apresentados: novos profissionais em contexto associativos e novas formas de comunicação das associações profissionais. Confesso que fiquei surpreendido (e daí talvez não!) que em todos os restantes países a situação das associações profissionais é semelhante, isto é, preocupante e necessita de urgente intervenção  e coesão por parte dos profissionais. Em todos sente-se um enorme desinteresse por parte dos profissionais nas suas associações, com uma clara diminuição dos associados, em todas as realidades os novos profissionais não se sentem integrados havendo a ideia de que as associações constituem um grupo fechado e pouco permeável. Os colegas finlandeses afirmaram que durante a formação nunca ninguém lhes tida falado sobre a sua associação nacional, e a colega neozelandesa afirmou que actualmente há um grande afastamento do formato associativo estando a crescer grupos informais de profissionais de áreas afins. A situação grega é actualmente diferente, sendo que apenas 16 pessoas em todo o país continuam a tentar manter o contacto entre os profissionais e as instituições.

Porque esta sessão acabou por terminar mais tarde do que o previsto, ou melhor, oficialmente a sessão terminou na hora marcada, mas os participantes ficaram a debater e a conversar sobre os tópicos mais tempo, cheguei atrasado à sessão onde se falava sobre os serviços de informação e referência e as nossas novas funções na era digital. Com o grande tema "Será que a geração Google precisa de bibliotecários?" percebi que esta foi um das sessões mais participadas do Congresso já que a plateia repleta da sala 1 não deixava margem para dúvidas. O resumo desta sessão pode ser lido no texto do Miguel Correia publica no Notícia BAD.

Durante o almoço todos os espaços estão ocupados por colegas de vários países! Numa espécie de ONU das bibliotecas, as línguas misturam-se e a conversa aparece em qualquer fila de espera, mesa ou balcão. Por aqui as pessoas estão sempre interessadas em conversar, trocar alguma ideias sobre o tema da sessão seguinte ou anterior ou simplesmente saber de onde somos, em que tipo de biblioteca trabalhamos e o que fazemos. Quase que não se pode estar parado, sentado sozinho numa zona de refeições ou olhar para o infinito porque aparece sempre alguém para conversar! Seja um japonês que já visitou Lisboa, um americano que aprecia Fado, um francês que gosta do Cristiano Ronaldo ou um tradutor da IFLA que fala português porque gosta de ir de férias para o Brasil, qualquer lugar é bom para conversar!

Durante o tempo de almoço ainda conseguir ir ver rapidamente a zona dos poster. Este ano a IFLA aceitou 196 poster sobre os mais variados temas e oriundos de vários países, apesar de os do país anfitrião estarem em maior número! Enquanto forma gráfica ou esquemática de apresentar um projecto ou uma nova área de trabalho, o poster permite uma maior interação com os autores, constituindo verdadeiros momentos de networking profissional.
O mais surpreendente é ver como os autores abordam os participantes que visitam a área dos posters para falarem sobre o tema, apresentarem o poster e distribuirem documentação. É habitual haver muita documentação para recolher nestas sessões: desde simples fotocópias a preto e branco com informação adicional ou a simples reprodução do poster, a elaborados folhetos a cores encadernados. Muitos autores utilizam também o seu tablet para mostrar outros dados e acrescentar informação ao poster. Num ambiente de grande agitação a interacção entre autores e participantes no Congresso quase que se torna numa sessão comercial de venda de produtos.

Foi nesta sessão de poster que tive oportunidade de falar com Gerhard Peschers, bibliotecário no Estabelecimento Prisional de Munster na Alemaha. Em 2007, aquando da atribuição do Prémio de Biblioteca do Ano, já tinha trocado alguns emails com ele, mas só este ano no Congresso da IFLA tive oportunidade de o conhecer pessoalmente. A este poster "Prison Library Now!” a IFLA atribuiu este ano  prémio de melhor poster. Parabéns Gerhard!



Nota: Apesar da Câmara de Helsínquia nunca chegar a ler esta mensagem, aqui fica o agradecimento pela oferta aos participantes do Congresso da IFLA do free-pass para todos os transportes da área metropolitana de Helsínquia.

2 comentários:

Pedro Príncipe disse...

Obrigado Bruno por toda a informação partilhada ao longo destes últimos dias. Aqui, no facebook, twitter e no notícia bad. Não ganhando a experiência por ti vivida no congresso, ganhamos todos dicas para refletir, estar mais atento, olhar com mais essas informações para o nosso mundo profissional. Abraços.

Bruno Duarte Eiras disse...

Olá, Pedro
Obrigado pelo comentário.
Como acho que transparece destes posts a experiência de ter ido ao Congresso da IFLA foi de facto muito recompensadora. O objectivo destes post é partilhar com os colegas o entusiasmo do Congresso e esperar que outros colegas tenham esta experiência.
Em 2013 Singapura até pode ser longe! Mas em 2014 Lyon é já ali.
Abraços,