sexta-feira

Formação dos profissionais da informação

No seguimento do post "a profissão" publicado no blog A Informação resolvi expor aqui algumas das minhas dúvidas e incertezas sobre o futuro da nossa profissão e dos seus profissionais.

Muito se tem falado sobre qual o papel e a intervenção da BAD na evolução/transformação da formação dos profissionais da informação em Portugal e para quem participou na Conferência Internacional "Os Profissionais da Informação em Contexto Europeu", realizada em 2005, ficou mais ou menos esclarecido sobre o papel da BAD enquanto associação profissional que é.

É então urgente que ALGUÉM possa dar um parecer vinculativo sobre a quantidade e diversidade de formações que se multiplicam por vários estabelecimentos de ensino. Questões relacionadas com o corpo docente, a existência de bibliografia actualizada disponível na biblioteca, o curriculum dos cursos e a duração dos mesmo têm de ser estudadas e analisadas, dando lugar à aprovação ou não de funcionamento do curso e/ou à sua utilidade para aceder à carreira.

Pela amostra da formação disponível em Portugal apresentada pela BAD (que não é exaustiva) podemos ver a diversidade de formações existentes bem como a sua multiplicação nos últimos anos.

Por muito que se diga que existe uma área de trabalho além da carreia da função pública, o facto é que o Estado continua a ser o maior empregador. Numa altura em que tanto se fala na utilidade de alguns cursos superiores, será que ainda ninguém reparou no que se passa na nossa área.

A ideia deste post era já antiga e surgiu de uma dúvida sobre as licenciaturas em Ciências da Informação e variantes... qual o futuro profissional destes licenciados? Encontraram novas áreas de trabalho fora do Estado?! E em caso negativo conseguiram trabalhar na função pública como Técnico Superior de Biblioteca e Documentação ou encontrou-se um esquema para contornar o Decreto-Lei n.º 247/91 de 10 de Julho que por enquanto diz no art.º 5, n.º 1 o seguinte:

"O recrutamento para a categoria de técnico superior de biblioteca e documentação de 2.ª classe faz-se de entre indivíduos titulares de uma das habilitações seguintes:
a) Licenciatura, complementada por um dos cursos instituídos pelos Decretos n.os 20 478 e 22 014, respectivamente de 6 de Novembro de 1931 e de 21 de Dezembro de 1932, e pelos Decretos-Leis n.os 26 026 e 49 009, de, respectivamente, 7 de Novembro de 1935 e 16 de Maio de 1969;
b) Curso de especialização em Ciências Documentais, opção em Documentação e Biblioteca, criado pelo Decreto-Lei n.º 87/82, de 13 de Julho, e regulamentado pelas Portarias n.os 448/83 e 449/83, de 19 de Abril, e 852/85, de 9 de Novembro;
c) Outros cursos de especialização pós-licenciatura na área das Ciências Documentais de duração não inferior a dois anos, ministrados em instituições nacionais de ensino universitário;
d) Cursos ministrados em instituições estrangeiras reconhecidos como equivalentes aos mencionados nas alíneas precedentes."

Deixo para outro post a questão da aplicação do Processo de Bolonha na área das Ciências Documentais/Informação/Documentação, enquanto existirem licenciaturas, cursos de especialização e mestrados sem qualquer informação sobre a continuidade e reconhecimento futuro destes percursos.

5 comentários:

MCA disse...

Bruno
Essa questão é muito pertinente. Eu tenho reflectido muito sobre estas questões, ao longo dos últimos 10 anos, e Tenho uma opinião relativamente formada (uma opinião formada é uma opinião estagnada...) acerca do assunto. Se quiseres lançar um debate a sério aqui, conta comigo. Um aspecto a considerar seria a criação de uma Ordem, algo que defendo há muito tempo.

Sofia disse...

Bem, em primeiro lugar, penso que já devia haver uma Ordem há muito, muito tempo.
Agora relativamente às licenciaturas, creio que o problema é ainda mais abrangente. A verdade é que os alunos não são informados antecipadamente das saídas profissionais, as Universidades deviam ser obrigadas a fornecer informação em suporte escrito juntamente com o impresso da matrícula, não apenas sobre horários, propinas, etc., mas também quais as saídas profissionais e qual o grau de empregabilidade daquele curso. Mais uma vez, a velha questão do acesso à informação...

Susana Carinhas disse...

Mais uma Ordem!? Mais uma Corporação?! Para quê? Podem-me dizer qual o beneficio de se ter uma Ordem dos Bibliotecários?
Gostaria muito que me explicassem.
Se acontecer a criação de uma Ordem na nossa profissão, será que se vai comportar como as outras existentes no nosso país? Encobrir/Desculpar todos os disparates e asneiras feitas ou ditas pelos profissionais associados? Vejam o exemplo dos médicos, ou dos advogados.
Sou totalmente contra a criação das Ordens pelo facto de que retiram força á luta dos sindicatos e uma sociedade que não tenha sindicatos ou em que estas organizações de luta pelos direitos dos trabalhadores são fracas, não é uma sociedade verdadeiramente livre nem democrática!

Sofia disse...

Terei todo o gosto em explicar-lhe. Uma Ordem e um sindicato são organismos diferentes, com missões distintas embora possam haver pontos de convergência. Por este motivo é que muitas profissões têm uma Ordem e um Sindicato. Em termos sucintos, uma Ordem apoia uma classe profissional relativamente à profissão propriamente dita, enquanto que um Sindicato defende uma classe profissional relativamente à situação profissional (questões essencialmente laborais e socio-económicas).
Relativamente ao comportamento das Ordens, ao esconder/desculpar, tudo o lhe posso dizer é que não devemos julgar e culpar os outros com tanta severidade quanto o fez, porque um dia pode ver-se na mesma situação e vai-lhe saber bem ter alguém do seu lado, mesmo que saiba que fez asneira.
Para mais, não há nenhum sindicato em Portugal que defenda exclusivamente os direitos dos bibliotecários, somos englobados na restante função pública ou administração local, por isso não percebo porque diz que uma Ordem retiraria poder aos sindicatos (volto a referir que não são incompatíveis).
Por último, "sociedade verdadeiramente livre e democrática"? Não se está a referir a Portugal, pois não?

Bruno Duarte Eiras disse...

Desculpem-me a ausência mas questões técnicas, pessoais e profissionais obrigaram a este rápido desaparecimento.
MCA,
As questões relacionadas com a formação dos profissionais BAD (e desculpem-me os mais modernos adeptos da CI) mais tarde ou mais cedo têm de ser revistas não só no que diz respeito aos percursos formativos, mas também e especialmente no que respeita aos curricula dos cursos.

Sofia e Susana,
Pessoalmente não me parece que uma Ordem e um Sindicato sejam realidades incompatíveis; penso que estamos a falar em entidades com competências diferentes ainda que complementares. Também acho que não devemos confundir algumas atitudes corporativas com as verdadeiras motivações de uma Ordem. Para já acho que uma Associação Profissional, como a BAD - pode num primeiro momento de organização da área - desempenhar um papel fundamental enquanto associação unificadora de vontades. Parece-me também que estão subjacentes a esta realidade um conjunto de outros problemas mais sérios que podemos debater aqui.