quarta-feira

Papel electrónico ou a importância de gostar de livros (em papel)

Desidério Murcho na sua crónica habitual das 3ª feiras no Público:

"Na década de 70 do séc. XX a Xerox inventou o papel electrónico. A ideia era fazer ecrãs que funcionassem como papel, ao contrário dos actuais ecrãs de computador. A vantagem é poder ler exactamente como lemos um livro: em pleno dia, na rua, na praia, no café. E fazer isso sem gastar energia é um bónus adicional. A ideia original da Xerox foi desenvolvida na década de 90 por Joseph Jacobson, que fundou a companhia E-Ink, para comercializar a nova tecnologia. Em termos simples, o papel electrónico consiste em micro-esferas, metade pretas e metade brancas, que ao posicionar-se adequadamente desenham letras pretas num fundo branco, como no papel.

Esta nova tecnologia permitiu o desenvolvimento de leitores electrónicos de livros: tornou-se possível ler livros electrónicos com o mesmo conforto e independência com que lemos um livro de papel. Foi então que a Amazon.com lançou o seu Kindle, um leitor electrónico de livros, exclusivamente para o mercado norte-americano. O sucesso deixou toda a gente estupefacta: as fábricas não davam conta de produzir unidades em quantidade suficiente. E então o mundo acordou. Hoje há leitores da Sony e da Phillips, assim como o novo BeBook holandês, que acabei de comprar. Do tamanho de um pequeno livro de bolso, e com a espessura de um livro de cem páginas ou menos, permite armazenar milhares de livros, em diversos formatos — DOC, TXT, HTML, PDF, MOBI. Este último é o mais indicado para ler livros e há na Internet livrarias que os vendem (quase todos em língua inglesa) neste formato. Muitos livros antigos — clássicos como Os Lusíadas — estão disponíveis gratuitamente no Projecto Gutenberg, entre muitos outros lugares da Internet. A Cambridge University Press e a Hackett, duas importantes editoras académicas, já vendem praticamente todos os novos livros de filosofia em formato electrónico, na livraria EBooks.com.

Parece-me que podemos começar a deitar fora muitos livros em papel. O BeBook nada tem a ver com um minicomputador portátil. A diferença é o ecrã, que é exactamente como o papel: sem luz, nada se lê, mas à luz do dia (ou com iluminação normal) lê-se na perfeição. E a portabilidade é espantosa: podemos andar a ler livros durante mais de uma semana sem desligar o aparelho e sem o pôr a carregar. É que nesta tecnologia o aparelho só gasta energia quando mudamos de página. De modo que quando paro de ler limito-me a fechar a capa do livro electrónico, como quem pousa um livro normal; volto a abri-lo e continuo a leitura imediatamente.

Podemos ler também as notícias dos principais jornais do mundo, no formato RSS. Quando um PDF, TXT, HTML ou DOC não permite uma boa leitura, é fácil converter para MOBI usando o programa gratuito Mobipoket Creator.

Em suma, os meus hábitos de leitura mudaram muito, e viajar é mais fácil porque não tenho de carregar quilos de livros. E quando compro livros ingleses, não tenho de pagar portes de correio nem de esperar uma semana pela entrega."
Via De Rerum Natura

Livros em formato electrónico são óptimos para pesquisar palavras, expressões ou citações - viva as maravilhas da pesquisa em texto livre - mas ler Luís Sepúlveda, Eugénio de Andrade, António Patrício ou Eça fora do formato de celulose, não me convence. Opiniões!
Img: Copyblogger

7 comentários:

Ana Arnold Guerreiro disse...

Concordo! :)
Para mim também e mais agradável ler um livro em suporte de papel, sentir-lhe o peso e o volume, sentir o cheiro, ou, pela cor do papel, pelo "estalar" das folhas imaginar-lhe a idade e a sua própria história e encontrar anotações ou lembranças guardadas entre as páginas. Para além que uma casa que não tenha prateleiras de livros, por mais bonita e confortável que seja, não me transmite uma sensação de lar. Manias...
Bjs
Ana

Susana Carinhas disse...

O interessante é que eu também não acho nada acolhedor uma casa sem livros, estantes... Ou mesmo livros espalhados pela casa!
Manias ou simplesmente amor á cultura de ler um bom livro?

Adoro os livros de papel!!

Ana Arnold Guerreiro disse...

Manias, hábitos, gostos e necessidades transmitidas pela família e reforçados ao longo do percurso da vida, pessoal e profissional.
Kys
Ana

Teresa Coutinho disse...

Realmente a mudança não é melhor. O hábito do livro vale por si, não há vantagens possiveis que o superem. Pode dizer-se que os e-books têm futuro, mas não acredito que o formato analógico tenha os dias contados.

Bruno Duarte Eiras disse...

E pensar que alguns já estão a anunciar a morte do "bom e velho livro" desde 1999!!...

Solange disse...

Sou bibliotecária aqui no Brasil e gostaria de registrar meu depoimento: com tantas praias que temos aqui, como levar um equipamento eletrônico sem que a areia não invada por todos os lados??
Ah! meu livrinho de papel não será substituído por muito tempo ainda!!
Um abraço desde Brasil!
Solange

Solange disse...

Sou bibliotecária aqui no Brasil e gostaria de registrar meu depoimento: com tantas praias que temos aqui, como levar um equipamento eletrônico sem que a areia não invada por todos os lados??
Ah! meu livrinho de papel não será substituído por muito tempo ainda!!
Um abraço desde Brasil!
Solange