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terça-feira
Congresso da IFLA # Dia 5
Hoje está mais quente! Muito diferente dos 7 graus da passada sexta-feira, mas ainda longe dos mais de 30 graus que deixei em Lisboa. O dia começa já sem casaco isso é muito bom sinal!
A viagem até à estação de comboio é rápida e como o Centro de Congresso fica a 5 minutos do centro de Helsínquia, é fácil evitar atrasos.
Para esta manhã seleccionei uma sessão sobre bibliotecas públicas e as bibliotecas escolares. Afinal tinha curiosidade em saber o que se anda a fazer por esse mundo sobre esta relação nem sempre fácil! Apesar das experiências serem de diferentes países e até continentes
(Finlândia, França, Noruega, Canadá, Argentina, China e Namíbia) as
questões, dúvidas e problemas são muito próximos: tutela, públicos,
serviços, operacionalização de conceitos e perfis de profissionais
(Bibliotecários/Professores). Infelizmente, a sessão não foi tão elucidativa como esperava... em todo o caso ficou reforçada de que esta cooperação é para continuar!
Esta sessão ficou marcada pelo lapso da moderadora que tendo informado os presentes de que todas as apresentações seriam feitas em inglês dispensou o tradutor de espanhol para outra sala... Quanto uma colega (que não falava inglês e não se percebeu do aviso) subiu ao palco começa a apresentação a falar noutra língua foi o caos na sala!
Ainda que na IFLA existam 7 línguas oficiais (Árabe, Chinês, Inglês, Francês, Alemão, Russo e Espanhol) a grande maioria das pessoas fala inglês, mesmo que seja o inglês deste filme do Youtube! Em todo o caso o que importa é que se consiga comunicar! Por vezes acontecem situações curiosas como o caso do colega polaco que falando muito mal inglês, lê Portugal no cartão de participante e começa a falar espanhol com um sotaque quase perfeito!
Durante a manhã houve ainda tem para visitar a sessão sobe o tema da presidência da IFLA Ingrid Parent - Libraries today and tomorrow: a force for change in our transforming societies? Nesta sessão foi discutido o tema presidencial do mandato da presidente da Federação,
sendo que os contributos recolhidos através dos participantes serão
inseridos nos relatórios anuais da IFLA (Trend Reports). Esta sessão
utilizou o formato das mesas redondas, intercalando sessões teóricas
com discussões entre os participantes que no final entregam os seus
contributos ao relator. Ainda que a Presidente não pareça especialmente afável e com a abertura dos estantes elementos da Federação, Ingrid Parent foi ouvindo os comentários dos participantes e respondendo a alguma questões.
De tarde aconteceu o único momento a que tenha assistido de "Death by Powerpoint" de todo o Congresso da IFLA! Durante 15 longos minutos uma senhora leu cerca de 20 slides carregados de texto! No final e mesmo antes das palmas do público, julgo que se ouviu um suspirar... de alívio!
Ainda no final do dia houve tempo para ir visitar a zona da Feira com as empresas e instituições presentes no Congresso. Mais de 100 empresas das mais variadas áreas e de vários países estavam presentes. Da microfilmagem e digitalização aos ebooks, das bases de dados às soluções de conservação e restauro e de várias universidades de vários países a promoverem a sua formação a editoras e livreiros. Havia stands para todos os gostos. Como o nome indica era um espaço de feira e toda a gente queria vender alguma coisa; senão um produto ou serviços, pelo menos tentavam fazer chegar a sua informação com a oferta de um café ou rebuçados, distribuição de documentação ou pelo menos pedirem para fazer um scanner do nosso cartão de participante (os cartões de participantes do Congresso da IFLA têm um código de barras com os nossos contactos profissionais, caso estejamos interessados podemos deixar as empresas lerem este código e ficam automaticamente com os nosso dados de contacto). Em teoria para aquelas empresas e instituições havia c. de 4.000 oportunidades de negócio e contactos.
Uma palavra de atenção para o stand das Bibliotecas da Finlândia que numa associação de simplicidade, bom gosto e excelente capacidade de comunicação conseguiam mostrar tudo o que era necessário saber sobre as redes de bibliotecas existentes, os edifícios e a sua implantação, a história das bibliotecas na Finlândia e a formação dos profissionais. Uma outra referencia para o stand da American Library Association (ALA) que numa clara acção de charme para mais de 4 mil bibliotecários de todo o mundo apresentavam-se como uma associação aberta ao mundo, anunciando os seus produtos, serviços e publicações.
Por
Bruno Duarte Eiras
às
14.8.12
segunda-feira
Congresso da IFLA # Dia 4
Hoje de manhã fui surpreendido por um novo tipo de comboio na estação de Helsínquia! Afinal parece que para além dos comboios suburbanos vermelhos dos anos 70 (em óptimo estado e perfeitamente operacionais) com o free-pass dos transportes que o Congresso dá aos participantes, também podemos utilizar os comboios novos verdes! Neste caso o que é importante não é a idade dos comboios, mas o facto dos antigos partirem da linha 19 e dos novos da linha 4... muito mais perto da entrada da estação! É que quando em pleno mês de Agosto se acorda às 7.30 da manhã com 10º graus... isto faz diferença!
Apesar de ter de se acordar sempre cedo, em dias de sessões mais concorridas convém chegar ao Centro de Congresso cedo. Nesta sessões todos querem procurar os melhores lugares sentados; afinal existem sessões onde tem de se ficar de pé ou sentado no chão!
A primeira sessão, tem uma organização conjunta feita pela Secção de Gestão de Associações de Bibliotecas/Bibliotecários e pelo Grupo de Novos Profissionais. Nesta secção pretendia-se debater lugar dos novos profissionais nas associações e nas comunidades profissionais. Ao chegar à sala fico admirado com a disposição da sala. Ao contrário das restantes salas que tinha visto, esta não tinha cadeiras em fila, tipo plateia, mas antes estava organizado em mesas redondas com oito lugares... tipo casamento!
Logo no início da sessão fiquei a perceber que para esta sessão se pretendia uma dinâmica diferente e que a ideia era após apresentações de comunicações, fazer com que "cada mesa" (grupo de 8 pessoas) debate-se o assunto apresentado e fizesse um resumo das opiniões que no final seriam incluídas nas conclusões.
Como é fácil de adivinhar este formato em muito enriquece a discussão e as conclusões da sessão, para além de permitir conhecer outras realidades e colegas.
Na minha mesa estavam 7 colegas de 4 países (Finlândia, Grécia, Líbano e Nova Zelândia) e de acordo com os tópicos apresentados cada um falou sobre a realidade no seu país e em conjunto elaboramos um resumo com as perspectivas sobre os dois tópicos apresentados: novos profissionais em contexto associativos e novas formas de comunicação das associações profissionais. Confesso que fiquei surpreendido (e daí talvez não!) que em todos os restantes países a situação das associações profissionais é semelhante, isto é, preocupante e necessita de urgente intervenção e coesão por parte dos profissionais. Em todos sente-se um enorme desinteresse por parte dos profissionais nas suas associações, com uma clara diminuição dos associados, em todas as realidades os novos profissionais não se sentem integrados havendo a ideia de que as associações constituem um grupo fechado e pouco permeável. Os colegas finlandeses afirmaram que durante a formação nunca ninguém lhes tida falado sobre a sua associação nacional, e a colega neozelandesa afirmou que actualmente há um grande afastamento do formato associativo estando a crescer grupos informais de profissionais de áreas afins. A situação grega é actualmente diferente, sendo que apenas 16 pessoas em todo o país continuam a tentar manter o contacto entre os profissionais e as instituições.
Porque esta sessão acabou por terminar mais tarde do que o previsto, ou melhor, oficialmente a sessão terminou na hora marcada, mas os participantes ficaram a debater e a conversar sobre os tópicos mais tempo, cheguei atrasado à sessão onde se falava sobre os serviços de informação e referência e as nossas novas funções na era digital. Com o grande tema "Será que a geração Google precisa de bibliotecários?" percebi que esta foi um das sessões mais participadas do Congresso já que a plateia repleta da sala 1 não deixava margem para dúvidas. O resumo desta sessão pode ser lido no texto do Miguel Correia publica no Notícia BAD.
Durante o almoço todos os espaços estão ocupados por colegas de vários países! Numa espécie de ONU das bibliotecas, as línguas misturam-se e a conversa aparece em qualquer fila de espera, mesa ou balcão. Por aqui as pessoas estão sempre interessadas em conversar, trocar alguma ideias sobre o tema da sessão seguinte ou anterior ou simplesmente saber de onde somos, em que tipo de biblioteca trabalhamos e o que fazemos. Quase que não se pode estar parado, sentado sozinho numa zona de refeições ou olhar para o infinito porque aparece sempre alguém para conversar! Seja um japonês que já visitou Lisboa, um americano que aprecia Fado, um francês que gosta do Cristiano Ronaldo ou um tradutor da IFLA que fala português porque gosta de ir de férias para o Brasil, qualquer lugar é bom para conversar!
Durante o tempo de almoço ainda conseguir ir ver rapidamente a zona dos poster. Este ano a IFLA aceitou 196 poster sobre os mais variados temas e oriundos de vários países, apesar de os do país anfitrião estarem em maior número! Enquanto forma gráfica ou esquemática de apresentar um projecto ou uma
nova área de trabalho, o poster permite uma maior interação com os
autores, constituindo verdadeiros momentos de networking profissional.
O mais surpreendente é ver como os autores abordam os participantes
que visitam a área dos posters para falarem sobre o tema, apresentarem o
poster e distribuirem documentação. É habitual haver muita documentação
para recolher nestas sessões: desde simples fotocópias a preto e branco
com informação adicional ou a simples reprodução do poster, a
elaborados folhetos a cores encadernados. Muitos autores utilizam também
o seu tablet para mostrar outros dados e acrescentar informação ao
poster. Num ambiente de grande agitação a interacção entre autores e
participantes no Congresso quase que se torna numa sessão comercial de
venda de produtos.
Foi nesta sessão de poster que tive oportunidade de falar com Gerhard Peschers, bibliotecário no Estabelecimento Prisional de Munster na Alemaha. Em 2007, aquando da atribuição do Prémio de Biblioteca do Ano, já tinha trocado alguns emails com ele, mas só este ano no Congresso da IFLA tive oportunidade de o conhecer pessoalmente. A este poster "Prison Library Now!” a IFLA atribuiu este ano prémio de melhor poster. Parabéns Gerhard!
Nota: Apesar da Câmara de Helsínquia nunca chegar a ler esta mensagem, aqui fica o agradecimento pela oferta aos participantes do Congresso da IFLA do free-pass para todos os transportes da área metropolitana de Helsínquia.
Por
Bruno Duarte Eiras
às
13.8.12
domingo
Sessão de Abertura do 78º Congresso da IFLA
IFLA 2012 Opening Session from Kirjastokaista on Vimeo.
Sessão de Abertura do 78º Congresso da IFLA (Helsínquia)
Destaque para a actuação de Karoliina Kantelinen e de Iiro Rantala.
Por
Bruno Duarte Eiras
às
12.8.12
Congresso da IFLA # Dia 3
Hoje, começam as apresentações no 78º Congresso da IFLA!
O dia começa com a sessão Newcomers. Nesta sessão é feita uma breve apresentação da Federação e são explicadas algumas questões fundametais dos Congressos para quem participa pela primeira vez. A sessão deste ano ficou marcada pelos depoimentos de 3 jovens profissionais que estavam no Congresso da IFLA pela segunda vez. O objectivo era explicarem aos "novos colegas" porque motivo foram e continuavam a estar presentes nos Congresso da IFLA.
Como alguém dizia hoje na sessão para newcomers é muito importante vir á IFLA ouvir as apresentações e ficar informado sobre as nossas actividades, projectos e investigações, mas mais importante ainda é conhecer os colegas, falar com as pessoas e iniciar contactos profissionais – as possibilidades de networking são a grande mais-valia destes congressos.
Também nesta sessão a "veterana" da IFLA Buhle Mbambo-Thata, dinamizou a sessão com humor e boa disposição, referindo que o mais divertido de participar nos congresso da IFLA é que ninguém consegue dizer os nossos nomes correctamente! De seguida faz uma plateia de c. de 400 tentar dizer o seu nome: Buhle Mbambo-Thata. Imaginam as gargalhadas!
Por aqui todas as pessoas falam umas com as outras e as oportunidades de conversar com colegas surgem durante as sessões ou no final com os autores, nas filas para o café ou de passagem num corredor ou banco. Todos estão disponíveis para conversar e trocar algumas ideias ou opiniões. Existirão com toda a certeza pessoas mais complicadas, mas talvez ainda no meu “estado de graça” causado por este ser o meu primeiro Congresso da IFLA, ainda não tive más experiências.
Após a sessão de abertura, que contou com os hábituais discursos, comecei por assistir à sessão 72 Building Strong Library Association (BSLA) and IFLA ALP. Nesta sessão a coordenadora, Fiona Bradley, apresentou os objectivos e as áreas de actuação deste grupo que criou um programa com a intenção de desenvolver competências junto dos profissionais para fortalecerem ou até criarem associações de bibliotecas/bibliotecários. Com base num programa piloto aplicado em 6 países, este programa oferece uma aproximação estratégica e organizada com vista à construção de associações sólidas e sustentáveis. Este programa pode ser aplicado a associações, bibliotecários ou apenas a comunidades de profissionais.
Este programa inclui os seguintes módulos: formações sobre criação e desenvolvimento de associações de bibliotecários/bibliotecas, estudo e explicação dos documentos base da IFLA, aconselhamento e consultoria sobre acordos e parcerias, estabelecimento de projectos em conjunto com outras associações e uma plataforma online para acesso à distância aos materiais e aos formadores.
Apesar de nesta fase o programa ter sido apenas aplicado em países onde as associações não existiam ou tinham pouca expressam, os resultados obtidos mostram que parte desta metodologia pode ser aplicada a outro tipo de associações com vista a assegurar o seu crescimento e sustentabilidade.
Sem muito tempo para almoçar – por aqui as refeições são feitas de forma rápida entre cada sessão – passei logo para a sessão 76 “Statistics and evaluation crisis? What crisis? The use os statistics and data for libraries at a turning point”. Nesta sessão foram apresentados 5 projectos sobre como os dados estatísticos servem para justificar a existência de bibliotecas em diferentes contextos e de múltiplas formas.
A sessão começa com uma apresentação de 2 colegas da Biblioteca Nacional da República Dominicana (“2nd. National Census of Dominican Libraries: vital statistics at a turning point”) que relatam a sua experiência na realização de um Census às 1500 bibliotecas existentes no país. Este Census pretendia ter uma imagem o mais fiel possível do estado das bibliotecas, tendo recolhido dados sobre datas de construção de edifícios, número de recursos humanos, equipamento existentes, colecção, mobiliário ou condições de higiene e segurança no trabalho. Este estudo foi elogiado pelo Coordenador do Comité de Estatística e Avaliação da IFLA, que referiu o rigor da metodologia adoptada e a necessidade de aplicar este método a todos os países.
Seguiu-se uma apresentação feita por um colega da Stuttgart Media University, na Alemanha, (“Supporting strategic change through statistics of virtual library usage”) que falou sobre a necessidade de continuar a recolher dados estatísticos sobre utilizadores e obras consultadas mesmo quando falamos de bibliotecas digitais. Com base numa simples linha de código inserido na construção da página HTML é possível apurar dados estatísticos que ajudam a justificar a necessidade da biblioteca real. Este projecto surgiu da necessidade que uma biblioteca teve de justificar a sua existência física, face a uma grande diminuição do número de utilizadores presenciais, como consequência de uma digitalização massiva das suas colecções.
“Measuring the public library's societal value: a methodological research program” foi o título da apresentação que dois colegas holandeses fizeram para mostrar os resultados preliminares de um estudo que pretendia mostrar a necessidade e a utilidade da biblioteca pública numa fase de redução de orçamentos e de crise generalizada na área da cultural. Dos resultados apresentados sobressai
Uma colega norte-americana do OCLC apresentou um modelo de gestão e avaliação de bibliotecas universitárias baseada nos utilizadores “User-centered decision making: a new model for developing academic library services and systems”. Este modelo baseado numa metodologia bastante rigorosa de contactos regulares com os estudantes permitiu identificar as principais vantagens e desvantagens do serviço, ao mesmo tempo que identificou as principais oportunidades e desafios. De uma forma geral, confirmou algumas das nossas expectativas quanto à visão que a maioria dos estudantes universitários tem das bibliotecas e em especial dos bibliotecários. Pelo contacto regular com os alunos permite fazer uma comparação e evolução das opiniões e aferir das alterações efectuadas na biblioteca.
Importa referir que de uma forma geral todas as comunicações desta sessão procuraram mostrar como os dados estatísticos, apresentados de forma responsável, podem ser os grandes aliados das bibliotecas, sendo que não existe uma metodologia ideal para todas as realidades devendo ser adaptadas conforme a biblioteca, as necessidades e os objectivos a atingir.
IMG: IFLA Express
As comunicações apresentadas no 78º Congresso da IFLA estão disponíveis neste endereço:
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Bruno Duarte Eiras
às
12.8.12
sábado
Congresso da IFLA # Dia 2
O dia começa cedo em Helsínquia. O Sol nasce perto das 5 da manhã e o nosso relógio biológico começa logo a ficar desorientado!
Como o apartamento tem cortinas pequenas - na boa tradição nórdica a maioria das casas não tem cortinas - amanhece muito cedo também dentro do quarto.
Depois de um pequeno almoço reforçado, já que o dia ia ser longo, afinal hoje começa oficialmente o Congresso da IFLA, é hora de sair em direcção ao 78º Congresso da IFLA.
Logo ao chegar à Estação Central de Helsínquia somos recebidos por 2 voluntárias do Congresso, identificadas com t-shirts e um roll-up do 78º Congresso da IFLA.
Como o finlandês não é uma língua fácil (e olhem que eu treinei em Lisboa) nada como confirmar a letra do comboio correcto e confirmar mais algumas indicações sobre horários e bilhetes! 5 minutos depois chego à estação de Pasila que faz ligação com o Centro de Congressos, também nesta estação uma voluntária assinala a saída mais directa para o local do Congresso.
Cheguei ao Helsinki Exhibition & Convention Centre (Helsingin Messukukeskus), local onde se realiza o Congresso da IFLA depois de 10 minutos de viagem de comboio.
A entra do Centro de Congresso é simples, mas ainda assim causa sensação. Rodeado por edifícios de apoio, hotel, Helsinki Business School e pela Helsinki Public Library (Central), acho que é inesquecível a primeira vez que se participa num evento desta dimensão e se vê a quantidade de profissionais que se reúnem num mesmo local. Podia ser mais velho ou mais novo, ter mais ou menos experiência profissional, e ainda assim estar pela primeira vez no Congresso da IFLA é emocionante (Mas não será sempre?!).
Depois de consultar a enorme lista de participantes - 4.200 bibliotecários de 120 países - foi tempo de com o voucher da inscrição dirigir-me ao secretariado para levantar a identificação e a documentação do Congresso.
Depois de aqui no Entre Estantes ter feito tantos posts sobre os últimos Congresso da IFLA e de ter lamentado ainda não ter participado... nem queria acreditar que afinal ia ser agora!
No Secretariado confirmam a nossa inscrição, imprimem o cartão de identificação e avisam que devemos utilizá-lo de forma visível sempre que estivermos no Congresso. Explicam rapidamente a documentação que se encontra na pasta (este ano é uma mochila) e informam que sempre que precisa de alguma informação, ajuda ou esclarecimento devo dirigir-me a uma dos 300 voluntários que estão espalhados pela área do Congresso. No final perguntam se temos alguma questão e por fim despedem-se com um enorme sorriso e dão-nos as Boas Vindas ao Congresso da IFLA e a Helsínquia! (Tervetuloa - Bem vindo em finlandês).
Depois de almoçar pelo centro de congressos, observar o número de colegas que ia chegando e de explorar melhor a documentação e confirmar o programa, horários e salas.
Como por aqui há muito para ver, conhecer, aprender e com quem conversar o tempo passa muito depressa e o final do dia chegou num ápice.
Às 18.30 era tempo de ir para a sala 306 e ficar a conhecer todos os participantes de língua portuguesa que estavam no Congresso: Sessão 56 Caucus - Portuguese Speaking Language. Segundo a lista de participantes estavam inscritos no Congresso 32 participantes de língua portuguesa (Angola 5, Brasil 18, Moçambique 1 e Portugal 8), mas no caucus apenas estavam 18 pessoas.
Nos Congressos da IFLA realizam-se caucus de países ou de línguas como é o nosso caso. Cada país/língua organiza esta sessão ao seu gosto, existindo caucus para todos os gosto - mais ou menos informais, com maior ou menor número de participantes e com agendas pre-determinadas ou mais locais de convívio. O caucus de língua portuguesa é essencialmente um local para ver quem está e aparece. Como se sabe a comunidade bibliotecária de língua portuguesa não é muito activa, nem comunicativa e por isso estas sessões têm sido pouco eficazes na criação de redes de contactos e na preparação de uma estratégia de língua portuguesa dentro da IFLA.
Para quem já é muito experiente nos Congressos da IFLA parece que este ano a sessão correu muito bem, não apenas no que diz respeito ao número de participantes (aparentemente a mais participada), mas também porque houve debate em torno do futuro da profissão, das formação, da falta de comunicação entre os profissionais da CPLP e da necessidade de afirmar a língua portuguesa dentro da IFLA.
Esta sessão histórica terminou com uma fotografia de grupo que em breve será divulgada! Quem sabe se o 78º Congresso da IFLA não se torna um ponto de viragem para os participantes de língua portuguesa... Vamos aguardar!
No final do dia volta-se a casa com a sensação de que se está a alcançar um desejo há muito esperado; participar num dos maiores encontros de bibliotecários do mundo e ter a oportunidade de ouvir, conversar, conhecer colegas de vários países, bibliotecas e com experiências muito diversas! É a sensação de networking no seu melhor!
Por
Bruno Duarte Eiras
às
11.8.12
sexta-feira
Congresso da IFLA # Dia 1
Cheguei a Helsínquia hoje às 06 da manhã.
Depois de um voo calmo de 5 horas entre Lisboa e a capital da Finlândia, encontrei uma cidade fria, luminosa (às 6 da manhã o sol já vai alto!) e muito tranquila. À chegada ao centro, na Estação Central de Helsínquia, foi tempo de deixar as malas nos cacifos, tomar o pequeno-almoço e dar um primeiro passeio pela cidade.
Helsínquia é uma cidade plana, com um traçado ortogonal e onde sobressaem por entre as ruas alguns monumentos dignos de registo: Catedral Luterana, Igreja Uspenski, torre do relógio da estação central, a torre do Estádio Olímpico e alguns pináculos de prédios.
Para quem gosta de arte nova e do estilo neoclássico, Helsínquia é uma cidade cheia de edifícios dignos de registo; fachadas, portas, janelas e telhados em todo o lado é possível observar pormenores com interesse. Carl Ludvig Engels é o responsável pela grande maioria dos edifícios neoclássicos, sendo a grande parte das construções de arte nova edificados construídos no período da independência pela mão de diferentes mestres.
Depois deste primeiro contacto com a cidade, nada melhor que um almoço no porto, por entre uma feira de artesanato local e venda de produtos regionais. Salsicha de rena, arroz de ervilhas, cenoura e funcho, com molho de framboesa marcou a minha estreia na cozinha finlandesa. Recomendo!
Ao final da manhã foi tempo de compras... digamos que o accuweather.com não é assim tão "accurate"... e os 16º graus de Lisboa não são iguais aos 16º graus de Helsínquia! Assim, levo mais um casaco para casa!
Os finlandeses têm um ar bastante calmo. Não se vê ninguém apressado, a correr ou com um ar stressado! Tudo é feito com muito calma.
Talvez por esta ser a primeira visita a um país desta latitude, é curioso observar como por aqui se cumprem as indicações dos semáforos... estrada vazia, nenhum carro á vista... e todos esperam que o sinal fique verde!
As muitas bicicletas que circulam pela cidade, ficam estacionadas em filas imensas junto às estações de metro, comboio ou próximo dos locais de trabalho. Nos passeios existem vias sepradas para peões e bicicletas e sempre que alguém anda pela via das bicicletas (turistas ou alguém distraído) leva com a campainha! Sempre que mudam de direcção indicam-no com o braço. Digno de se ver!
Tudo é simples e limpo (clean) por aqui! À excepção da zona em volta da Estação Central as dimensões dos prédios são bastante uniformes e não existem grandes diferença de volumetria. O ruído visual é quase inexistente já que não existem praticamente grandes anúncios, cartazes ou sinaléctia de lojas ou marcas. As ruas estão sempre muito limpas, e é habitual ver varredores, carros vassoura ou carros de limpeza com mangueiras.
Depois de fazer o reconhecimento das principais zonas da cidade e de visitar a Catedral Luterana e a Igreja Uspenski, o dia termina com uma revisão do programa do Congresso e o acerto das principais sobreposições de conferências! Afinal em 7 dias de Congresso há muito para ver, ouvir e conhecer!
Amanhã é dia de tentar assistir aos SC de Information Technology, Libraries Services to People with Special Needs, Management of Library Associations, Literacy and Reading e Public Libraries! (Vai ser impossível, eu sei!) No final do dia vai decorrer o caucus dos participantes de língua portuguesa e este não quero mesmo perder!
Amanhã começa oficialmente o Congresso!
Amanhã começa oficialmente o Congresso!
Por
Bruno Duarte Eiras
às
10.8.12
quarta-feira
Congresso da IFLA e as bibliotecas da Finlândia - o vídeo
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A um mês do 78th IFLA General Conference and Assembly ficamos ainda mais curiosos para conhecer as bibliotecas do país anfitrião do 78º Congresso! Como diz o anúncio de televisão e o tema do congresso deste ano: Insssssspirador!
Libraries now – a film about Helsinki and libraries from IFLA on Vimeo.
Por
Bruno Duarte Eiras
às
11.7.12
quinta-feira
IFLA World Library and Information Congress - 78th IFLA General Conference and Assembly
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O 78º Congresso da IFLA – International Federation of Library Associations and Institutions - realiza-se este ano em Helsínquia, na Finlândia, de 11 a 17 de Agosto.
O congresso terá por tema «Libraries now! – inspiring, surprising and empowering».
Mais informações na página do 78º Congresso da IFLA.
Img: IFLA
Por
Bruno Duarte Eiras
às
14.6.12
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